Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Começo por dizer que este é um tema para duros.

Pescar no inverno é para quem tem gosto, para quem tem o vício da pesca mais entranhado do que qualquer frio se pode entranhar.

Sendo uma das alturas mais difíceis para a pesca, pode ser também uma das mais compensadoras.

Por tudo isto, e com vista a facilitar as tão desejadas capturas, deixo 10 dicas que podem ajudar.

1 – equipamento fundamental

Já que o tema central é o frio, antes de avançar para as táticas e técnicas irei enumerar algum equipamento fundamental:

-Botas quentes e impermeáveis

-Kispo de penas impermeável

-Luvas sem dedos

-Gorro

-Óculos polarizados

Apesar do nosso país e o país vizinho não serem conhecidos pelas temperaturas negativas, os invernos podem ser bastante agrestes e podem até vir semanas onde as temperaturas não ultrapassem os 10C. Como tal, passar várias horas sem sair do mesmo sítio, sob estas condições e sem equipamento adequado, pode ser extremamente penoso e não estar a pescar confortável é logo um fator propício à desconcentração que nos incita a pescar mal e até a abandonar a jornada mais cedo.

2 – A atividade do achigã

A actividade do achigã diminui à medida que que as temperaturas baixam, logo devemos apostar mais em técnicas lentas. Além do metabolismo do achigã abrandar nesta altura, ele procura camadas de água mais temperadas, que se situam sensivelmente entre os 4 e os 12m (dependendo da massa de água em questão), logo as técnicas que iremos utilizar terão de ser indicadas para estas profundidades.

Drop-Shot

Drop-Shot

3 – A escolha do local

A escolha do local é também muito importante! As pequenas charcas de rega ou de quintas de gado, são uma excelente opção para esta altura, pois é mais fácil localizar os peixes dada a sua pequena dimensão. Por outro lado, nas grandes albufeiras as amplitudes térmicas não se fazerem sentir tão drasticamente, devido ao volume destas ser muito grande. Albufeiras que alberguem outros predadores como o Lúcio Comum, o peixe-gato-negro e mais recentemente o famoso Lúcioperca, são locais a privilegiar, pois estas espécies ao contrário do Achigã aceleram o seu metabolismo com o frio, podendo alegrar uma jornada difícil.

Outras espécies alegram jornadas difíceis

Outras espécies alegram jornadas difíceis

4 – Confiar no instinto

Na margem não nos podemos valer dos equipamentos eletrónicos de localização ou sondas, logo devemos confiar a 100% nos nossos instintos para a escolha de um pesqueiro a abordar. O achigã como predador que é, está sempre associado a estruturas e coberturas onde se possa emboscar, logo os pontos principais a ter em conta são:

-Bicadas e escarpas de rocha.

-Pilares de pontes.

-Cais de embarcações.

-Grandes árvores submersas.

5 – explorar o pesqueiro até à exaustão

Depois de escolher o pesqueiro devemos acreditar que eles vivem ali e explorar o pesqueiro até à exaustão! Não é raro nesta altura pescarmos 2 ou 3 horas até capturar alguma coisa, também não é raro pescar o dia inteiro sem apanhar nada. Portanto, se queremos ter sucesso, a nossa mentalidade deve estar aberta para aceitar o insucesso e devemos repetir o processo até conseguir capturas.

6 – Escolher dias e horas de sol

O achigã como todos os animais de sangue frio procura condições estáveis. Dois ou três dias de sol seguidos, são suficientes para fazer subir ligeiramente a temperatura da água e encorajar alguns peixes a mover-se em busca de alimento. No entanto, valendo-se da sua extraordinária visão por vezes ele espera até aos últimos momentos de luz para atacar. Temos de lá estar…

Dias de Sol

Dias de Sol

7 – existem sempre peixes activos

Devemos também lembrar-nos que cada peixe é diferente e existem sempre peixes activos, por isso devemos “varrer” sempre o pesqueiro com amostras de pesquisa para ver se existe algum desses peixes nas redondezas. Para isso aconselho:

-Crankbaits de 2,5 a 5m de profundidade.

-Lipless Crankbaits, também conhecidos como Rattlins ou Rattle’traps.

8 – Plano B

Depois de varrermos o pesqueiro, se não surtirem ataques, devemos passar ao plano B que é provocar os peixes apáticos, para isso aconselho:

-Lagostins à Texas com bala fixa.

-Minhocas Finesse, Flukes, ou tubos de vinil em Drop-Shot.

A montagem com bala fixa, tem a particularidade de efetuar um movimento saltitante juto ao fundo que se aproxima mais do movimento que os lagostins descrevem no inverno, do que se a bala estiver a correr livremente no fio. O drop-shot pelo facto de manter o artificial na zona de ataque o tempo que quisermos!

9 – Paciência é a palavra de ordem

Quanto mais lentamente executarmos as técnicas acima referidas, melhor. Os peixes nesta altura encontram-se numa fase de poupança de energia, logo não se irão mover se o suposto alimento passar demasiado rápido à sua frente. Devemos manter as montagens o máximo de tempo na área de ataque dos peixes. Por exemplo, enquanto no verão um lançamento deve durar 20-30 segundos, no inverno deve durar 3-5 minutos!

10 – Lidar com a frustração

Esta altura do ano pode ser muito frustrante e desencorajadora. Devemos arranjar maneiras de lidar com a frustração, uma delas pode ser uma diversão extra. Se a massa de água possuir outras espécies, podemos colocar uma cana a pescar ao fundo e colocar-lhe um sinalizador sonoro, como um guizo ou apito eletrónico e ser surpreendidos de vez em quando com outro tipo de capturas.

Outras espécies alegram jornadas difíceis

Outras espécies alegram jornadas difíceis

Conclusão

Como sempre refiro que nada do que foi descrito anteriormente é 100% eficaz e comprovado, o importante é continuarmos a ir à pesca sempre que tivermos disponibilidade para tal. Não podemos deixar que as adversidades atmosféricas nos impeçam de praticar o nosso desporto favorito. (Desde que dentro dos limites do razoável e em condições de segurança)

Luís Garrido

26 anos, Eng. Mecânico, natural de Moura, praticamente de pesca desportiva de competição em várias modalidades e entusiasta da natureza.

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