Muitos de nós criamos ou temos ideias formadas acerca de determinadas situações de pesca.

Estas ideias, muitas vezes, prejudicam o nosso desempenho enquanto pescadores, pois acabamos por nos limitar a nós próprios com essas ideias. Já tinha abordado parte destes problemas num artigo onde apontei uma forma de nos tornarmos melhores pescadores. Muitas vezes, para nos tornamos melhores pescadores, em vez de aprendermos novas técnicas, basta NÃO cometermos determinados erros.

Aqui ficam duas situações com as quais certamente se conseguirão identificar e que, de uma maneira ou de outra, acabam por condicionar o nosso desempenho.

Pescar “o passado”

A grande maioria dos pescadores não tem muito tempo para pescar. Muitos de nós só conseguem pescar ao fim de semana, ou nos dias de folga, o que faz com que de cada vez que vamos à pesca despendamos pouco tempo para procurar novas áreas nas massas de água onde costumamos ir à pesca, e vamos regra geral para os mesmos locais onde no passado tivemos sucesso. Isto pode ser um problema com o passar do tempo.

Identificar pequenas diferenças na vegetação permite eliminar grandes áreas com pouca potencialidade para alojar achigãs

As massas de água vão sofrendo alterações com o passar do tempo – as coberturas mudam, os contornos e saliências do fundo sofrem mudanças com a corrente, etc. Isto é muitas vezes o motivo pelo qual aquela margem onde à uns anos apanhámos um bom exemplar agora não produza boas capturas.

Uma forma de melhorar o nosso desempenho ao longo do tempo é definindo que passaremos parte do tempo de pesca a pescar “água nova”, onde nunca tenhamos pescado antes. Da mesma forma que os achigãs se movimento numa massa de água, também nós, pescadores, devemos movimentar-nos. Na margem isto implica “bater” mais água, em busca de novos locais, de barco isto significa ir andando e olhando com atenção para a sonda em locais onde nunca se tenha passado em busca de coberturas e estruturas que podem alojar bons achigãs.

Os achigãs estão sempre com fome

Este ponto está de certa forma relacionado com o anterior. Pelo facto de apanharmos peixe num determinado local em determinado dia, voltamos lá mais tarde, assumindo que os iremos apanhar novamente. No entanto, os peixes são muito parecidos com as pessoas, e não estão o tempo toda a comer. de facto, eles apenas comem apenas em determinados períodos e frequentemente fazem-no em grupo em determinadas épocas do ano, mas na grande maioria do tempo eles não têm fome nem se encontram a comer.

No entanto são oportunistas. Podem não estar a comer, mas podem ser levados a comer. A forma de o conseguir já foi explicada no artigo Porque ataca o achigã.

As lâminas de cores vivas não se destinam apenas aos dias de céu nublado ou em águas menos limpas

Conclusão

A pesca ao achigã não é uma ciência exacta. Mas é precisamente a variedade de situações e as variáveis envolvidas que nos fascinam e apaixonam.
Cabe-nos a nós encontrar as peças e montar o puzzle. Enquanto pescadores, devemos encarar todas as situações com uma mente aberta e livre de ideias pré-concebidas.
Da próxima vez que forem à pesca lembrem-se disso, e não se prendam ao que aconteceu no passado.

Alberto Nunes

Alberto Nunes é um profissional de Informática viciado em pesca ao achigã. Criou o basspt.com para partilhar as suas ideias e experiências de pesca ao achigã, e para colmatar a falta de informação em Portugal sobre esta temática.

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