NOVAS USM da b8lab - disponíveis através da www.onefishplus.com

Hoje iniciamos uma nova rubrica no nosso site formativo e informativo sobre as temáticas da pesca do achigã. A nossa ideia é dar a conhecer pessoas da nossa disciplina e do nosso meio. Na primeira abordagem recordamos uma pescaria de 2011 com Paulo Barroso, mesmo mesmo a iniciar o ano.

Paulo Barroso é um dos nomes mais sonantes da pesca do achigã de competição na sua vertente de margem. Foi campeão nacional em 2012 e 2013, portanto nos anos seguintes a este em que efetuámos esta pescaria. É um pescador atento, dedicado e humilde, como tem demonstrado ao estar presente nos nacionais seguintes, mesmo com um problema de saúde que lhe afeta a performance e de que, felizmente, está em franca recuperação. De referir também que nunca falta a uma homenagem a outros campeões, bem como a um convívio para que seja convidado. Consideramos estes atributos merecedores desta singela homenagem. Obrigado Paulo!

Técnica combinada – Uma pescaria de Inverno

A pesca do achigã em condições difíceis leva-nos a encontrar maneiras de as enfrentar, através de combinações e tentativas, umas funcionam e outras não, mas devemos sempre apelar à nossa intuição e imaginação.

O ano começa e mal podemos aguentar para a primeira pescaria… Até parece que não pescamos há muito tempo, apesar de não ter passado sequer um mês desde a nossa última pescaria. Foi a preguiça e um certo sentido de conforto que nos impediu de fazer face à chuva intensa que se fez sentir nos dias que tínhamos livres para terminar o ano… Cerca de uma semana antes. «Os achigãs pescam-se todos os dias», escrevi eu no meu primeiro livro, em 1995… Na verdade podem pescar-se todos os dias, mas o que distingue a pesca de lazer da de competição é precisamente darmos largas ao nosso livre arbítrio de fazermos face aos elementos do clima ou não. E foi o que aconteceu por cerca de um mês… Decidimos ficar em casa, sequinhos e confortáveis, em vez de nos fazermos à estrada e à margem da massa de água mais próxima para, mais uma vez, darmos largas à nossa imaginação e tentarmos levar a melhor sobre os achigãs.

A 1ª pescaria do ano

O dia 7 de Janeiro de 2011 foi diferente. O tempo estava bom e a temperatura do ar amena, o que nos deu alento para a primeira busca do ano. Visitámos uma massa de água próxima de Alcochete, que visitamos frequentemente, e que está bem recheada de bons exemplares. Mesmo assim, só fomos pescar depois do almoço, tendo chegado ao local cerca das duas da tarde.

O nível da água tinha subido imenso e cobria o imenso manto de vegetação que, normalmente, cobre a lagoa. Calculámos que devia haver cerca de 1,2 metros de água por cima da vegetação na parte mais funda e pensámos de imediato na amostra que aqui nos costuma dar mais peixes – um jerkbait de plástico mole da Trigger X.

Procura do padrão

O meu amigo montou um branco e eu optei por um «watermelon seed», mas não havia reacção da parte dos peixes. Mesmo com a amostra parada não havia ataques.

A nossa escolha não tem apenas a ver com o passado das nossas pescarias nesta massa de água. Em primeiro lugar, escolhemos a amostra por se poder usar mesmo na vegetação e, como esperamos que os peixes não tenham grande actividade, ter um tamanho que se adequa perfeitamente, com cerca de 10 cm, é uma amostra pequena, um «snack» perfeito para peixes neutros ou inactivos. Começámos a pescar com algum peso dentro das amostras, mas revelou-se contraproducente porque fazia com que penetrassem o manto de ervas e deixasse de ser vista pelos achigãs; então optámos por pescar sem peso nenhum, mas mesmo assim… nada!

A velocidade de trabalho da amostra era muito lenta e fazíamos muitas paragens, até se tornava um pouco monótono, mas, passada a primeira hora de pesca, não havia uma captura para fotografar…

Afinação do padrão

Foi então que nos lembrámos de dois tipos de amostras que podiam dar resultados nas condições presentes: os «crankbaits» pequenos e de pouca profundidade e os «jerkbaits» também pequenos, especialmente os que suspendem, para podermos executar paragens, o que era evidente dada a inactividade demonstrada até então.

O Paulo optou por um «crank» de pala curta e eu escolhi um «jerkbait» da OSP, um Asura, num padrão de cores próximo do das bogas.

Dirigi-me à zona da válvula de descarga, a zona mais funda e mais livre de ervas e o primeiro peixe não se fez esperar. Numa das pausas a cerca de 3 metros da plataforma o peixe atacou violentamente e deu alguma luta. Era um exemplar de 1,300 kg… nada mau para começar o ano.

O crankbait não deu o mesmo resultado, e então o Paulo mudou para um «jerk» do género do meu e começou também a capturar.

Paulo Barroso a trabalhar um peixe

Paulo Barroso a trabalhar um peixe

Outras opções lógicas

Depois de termos conseguido 6 exemplares entre os 700 g e o quilo, começámos a tentar evoluir para conseguirmos um exemplar maior. O Paulo montou um «spinnerbait» e eu limitei-me a mudar de «jerk», para um que ia um pouco mais fundo – um Squirrel, da Jackall. Porém, ambas as opções se revelaram infrutíferas e demonstraram que nem sempre o que parece lógico funciona. Nem o «slow rolling» do «spinner» do Paulo, nem as paragens do «jerk» mais próximas do manto de vegetação funcionaram. Para conseguir o sétimo exemplar tive mesmo de voltar a usar o Asura. O último peixe atacou o «jerk» depois de uma pausa de vários minutos, abrindo-nos uma expectativa nova… Mas era quase noite e estava na hora de regressarmos a casa.

Demorámos a estabelecer um padrão - mas fomos compensados

Demorámos a estabelecer um padrão – mas fomos compensados

A técnica

«Finesse jerking deadsticking». Parece uma coisa complicada… mas não é. «Finesse» porque se trata de uma técnica para situações complicadas em que se recorre a amostras pequenas, linhas finas e material ligeiro. «Jerking» porque se trata de animar uma imitação de peixe de pala curta aos esticões. «Deadsticking» porque se tem de interromper a evolução da amostra por períodos mais ou menos longos para conseguir provocar os ataques. É, de facto, uma combinação de técnicas que resultou e pode resultar mais vezes em circunstâncias idênticas. Não podíamos prever o que íamos encontrar, mas, chegados ao local, analisando as condições presentes e recorrendo ao conhecimento que temos do peixe e a todo um manancial de técnicas que conhecemos, sem sequer termos de nos lembrar de tudo a cada momento, somos levados a várias tentativas que umas vezes resultam outras não. Neste caso resultaram e proporcionaram-nos duas coisas: uma curta tarde de pesca bem passada e aquela sensação boa de termos conseguido dar a volta a mais um puzzle.

Os materiais

O material usado mostrou-se adequado apesar de parecer incongruente

O material usado mostrou-se adequado apesar de parecer incongruente

Uma cana de spinning, com uma capacidade ligeira e uma acção rápida; uma linha entrançada de baixo calibre, um 0,16, que gosto de usar para compensar a ligeireza da cana. Este conjunto permite executar lançamentos longos com amostras muito leves e dominar os peixes com relativa facilidade. O entrançado pode parecer um equívoco para o «jerking», mas como os ataques se produziam na paragem não tinha influência negativa na ferragem, além de ser uma mais-valia para lidar com a vegetação, cortando-a em vez de a arrastar, aumentando o peso rebocado e exigindo muito mais capacidade da linha. De resto não gosto de ir para pescarias da margem com muitas canas atrás. Assim, limitámo-nos a improvisar e funcionou bem.

Conclusão

A pesca do achigã em condições difíceis tem este efeito sobre nós, leva-nos a encontrar maneiras de enfrentar uma situação através de combinações e tentativas, umas funcionam e outras não, mas devemos sempre apelar à nossa intuição e à nossa imaginação. O que conta mesmo mais é que passámos um dia excelente em não menos excelente companhia e a diversão foi o fator dominante. Se não for para isso, de que vale irmos à pesca? Divirtam-se!

Como sempre - todos os peixes foram devolvidos à água o mais rápido possível

Como sempre – todos os peixes foram devolvidos à água o mais rápido possível

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

More Posts - Facebook