Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Passada a privação do defeso, os pescadores portugueses preparam-se para uma abertura em cheio, o que na verdade nem sempre acontece. É necessário compreendermos o melhor possível estes animais para percebermos onde e como os encontrar. Se imediatamente antes da desova se deslocam para zonas baixas e entram nos braços secundários das massas de água, depois de desovarem fazem o trajecto oposto.

Onde os procurar

Nas massas de água de grande ou média dimensão os achigãs deslocam-se sazonalmente de acordo com as suas necessidades primárias. De entre estas a reprodução é a que assume maior importância, facto que os torna bastante previsíveis entre o fim do Inverno e o início do Verão. Como o que nos interessa neste momento é a parte final da Primavera, de 16 de Maio em diante, vamos tentar perceber que tipo de movimentos executam para nos facilitar a sua localização.

Sabemos que a desova ocorre, normalmente, em zonas baixas, com boa exposição solar e, de preferência próximo de algum tipo de cobertura, se a houver. Então, depois da deslocação para essas zonas, terminada a desova, os achigãs têm de efectuar o caminho inverso. Estamos a falar do grosso da coluna, uma vez que se sabe que há aqueles que permanecem, durante quase todo o ano, junto de zonas que lhes proporcionem abrigo, oxigénio e comida. Esse grosso da coluna tem de efectuar o caminho de volta e vai fazê-lo relacionando-se com as margens e com as coberturas e/ou estruturas existentes.

As árvores caídas são um local previligiado na busca de achigãs nesta altura

As árvores caídas são um local previligiado na busca de achigãs nesta altura

Fácil será de perceber que as nossas hipóteses de os encontrar aumentarão se os procurarmos nas ribeiras onde desovaram. Qualquer tipo de cobertura, especialmente árvores, de pé ou caídas, arbustos e troncos, poderão proporcionar boas capturas, quer estejam parcialmente fora de água ou mesmo imersas.

Que tipo de amostras/técnicas usar

Como estes peixes estão em deslocação, as amostras que percorram mais água devem ser as nossas melhores amigas. Crankbaits, jerkbaits e spinnerbaits podem ser trabalhados cobrindo grandes zonas em pouco tempo daí que aconselhe o seu uso, pelo menos como instrumentos de localização.

Como estamos numa altura em que os dias são grandes e a temperatura da água aumenta dia para dia, poderemos tentar as amostras de superfície. Se quisermos continuar a bater muita água, os buzzbaits são as amostras ideais, mas qualquer amostra de superfície é susceptível de ser usada mais devagar ou mais depressa, o que lhes confere a versatilidade suficiente para encararmos esta fase do ano.

A estratégia oposta também é válida. Basta pensarmos que, se os peixes estão em deslocação, poderemos esperar por eles em vez de os procurar. Esta aproximação é a melhor para quem pesca da margem, embora não possamos confiar no primeiro local que escolhemos, basta entrarmos numa ribeira e experimentarmos vários locais. Não é pois de excluir o deadsticking, quero dizer, com amostras flutuantes ou com empates como o Texas e o Carolina, podemos mesmo lançar e deixar a amostra repousar parada por períodos superiores a trinta segundos, animando-as depois com intervalos de paragens longas. Estas técnicas são excelentes para os peixes menos activos que não será o normal desta época do ano, mas podemos encontrá-los assim devido à passagem de uma frente fria, por exemplo.

De facto, não há técnica ou amostra que se possa excluir do nosso arsenal durante este período. Todas elas podem funcionar desde que bem trabalhadas. Um dos factores a ter em conta é que devemos ser discretos no seu uso. Os peixes quando estão muito próximo das margens tornam-se muito mais assustadiços, então, mesmo que use um buzzbait, procure trabalhá-lo devagar, o mais devagar que possa desde que o traga à superfície.

Nesta altura todas as amostras poderão ser indicadas

Nesta altura todas as amostras poderão ser indicadas

O que se passa

Temos de prestar muita atenção ao evoluir das condições atmosféricas, mas não só. É muito importante sabermos em que fase estão os peixes na massa de água onde os procuramos. É que não é nada raro que, por exemplo na Zona Centro, eles tenham acabado de desovar ou mesmo que não tenham desovado ainda. Tem acontecido muitas vezes, por sinal. Esperemos que a regulamentação da nova Lei, que aproveito para saudar, contemple uma diferenciação dos defesos entre o Norte, o Centro e o Sul do país. Normalmente, se a água não atingiu os dezassete graus a desova ainda não teve lugar, o que nos deve obrigar a determinados cuidados, como o de devolvermos os peixes precisamente no local onde o pescámos para não colocarmos em risco a desova do ano. Mesmo em águas com as temperaturas ideais, que vão até aos vinte e quatro graus, a desova processa-se por vagas, nem todos os achigãs vão desovar na mesma altura, portanto, prolongando-se esta época por cerca de um mês ou mais, o regresso da deslocação vai ocorrer durante um largo período de tempo, o que faz dos ribeiros tributários zonas de grande movimentação de achigãs durante toda a Primavera.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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