Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Este artigo é a continuação deste.

A captura desejada

Após anos e anos à procura de um peixe grande, finalmente encontrei o local onde hei-de bater o meu recorde, mais dia, menos dia. Desta vez apenas fui ver e aprender, da próxima vai ser a minha vez, espero poder partilhar com os nossos amigos a minha captura, como estou a partilhar esta do Francisco Eusébio…

Todo o cuidado é pouco

Pescar em Moçambique não é fácil. Eu não me aventuraria se não estivesse acompanhado por quem domina bem o território e sabe o que está a fazer. Há muitas questões legais que podem ser levantadas, de facto é preciso uma licença para se pescar desportivamente, embora ninguém ligue a isso. Sabia que estava com uma pessoa que resolveria qualquer problema que surgisse devido aos conhecimentos que detém. Por outro lado, África exige muito de uma pessoa. É preciso saber o que trazer e como nos devemos portar por aqui, especialmente no relacionamento com as pessoas. Há ainda outros perigos. Pescar de uma destas margens sem um guia pode ser letal. Há crocodilos e cobras que evitam o contacto com o homem, mas que acossados podem atacar. Não pretendo desencorajar ninguém com esta conversa, mas eu não arriscaria uma viajem sem alguém que dominasse bem o terreno. Quando se está fora do nosso elemento todo o cuidado é pouco.

A barragem tem vários tipos de coberturas

A barragem tem vários tipos de coberturas

À quarta foi de vez…

Às quatro em ponto saímos e decidimos perguntar ao «guia» onde devíamos pescar. Indicou-nos a margem oposta ao complexo em que estávamos alojados. Ficámos um pouco incrédulos… Mas, não nos restava outra opção que fazer, pelos menos por uma vez, o que ele nos dizia. O Francisco tinha um Senko montado à Texas, com pouco peso, apenas o suficiente para penetrar o capim que tinha sido invadido pela recente subida das águas. Num dos lançamentos iniciais ouvi o silvar de uma ferragem violenta e voltei-me.

A vegetação de onde saiu o grande exemplar

A vegetação de onde saiu o grande exemplar

A cana do Francisco estava toda dobrada e havia qualquer coisa muito grande a dar cabeçadas, já debaixo do barco. Parei a minha pesca e tentei orientar a luta do peixe, uma vez que a experiência dele com achigãs não era muito vasta. O peixe estava debaixo do barco a exercer uma pressão enorme, porém, não se via. Disse-lhe que tentasse retirá-lo debaixo do barco, mas ele devia estar para lá do barco. A cana fazia um arco perfeito, mas já estava dentro de água, para evitar que a linha roçasse no casco. O Francisco tremia e não dizia nada, até pensou que fosse um crocodilo, a verdade é que, o que quer que fosse, não se queria entregar sem uma boa luta. Passados segundos já tremia eu também. A posição do barco e a falta de um motor eléctrico não facilitaram a operação. O barco estava muito próximo da margem e o peixe tinha entrado debaixo dele antes que isso pudesse ser evitado. Tinha mesmo muita força. O Francisco estava perto da proa a bombordo, a cana continuava dentro de água bem dobrada e o meu receio era que o peixe fosse ao motor. Aos primeiros sinais de afrouxamento da luta tentei ver o que era. Segurei na linha, que era um entrançado de cinquenta libras, e pude sentir que havia ali um bicho muito grande a fazer força. Por fim apareceu. Era um achigã! Era um monstro!

O magnífico peixe com 6,040 quilos que foi a «cerejinha» em cima de um bolo de alguns grandes dias de pesca

O magnífico peixe com 6,040 quilos que foi a «cerejinha» em cima de um bolo de alguns grandes dias de pesca

Nem tinha bitola para o classificar. Nunca tinha visto ao vivo um achigã como este. Deitei-lhe a mão à boca e tive dificuldade em erguê-lo para o barco. Que besta! Fomos a correr buscar a balança. Seis quilos e quarenta gramas!!!! Talvez o maior achigã capturado por um pescador europeu. Estávamos cansados e a tremer. Os dois. Agora era a vez das poses fotográficas. Tínhamos de o documentar o melhor possível. Depois das fotografias peguei num pouco de linha e medi-o, na falta de uma fita métrica, deixaríamos isso para mais tarde. Retirei ainda algumas escamas que levarei a quem possa ajudar-nos a saber a idade do bicho. Acabámos a sessão fotográfica, nem eu resisti a posar com o bicho, e libertámos o animal, para que ele faça outros pescadores tão felizes como nos fez a nós.

O dia de pesca prosseguiu e não parámos de tentar outra destas capturas, mas o que conseguimos foi mais alguns peixes que não acrescentaram nada à esplêndida jornada.

As capturas de médio porte foram uma constante

As capturas de médio porte foram uma constante

Dias depois, pudemos confirmar o tamanho deste exemplar: setenta e cinco centímetros! Era um belo bicho.

Não me tocou nenhum desses monstros, mas só o facto de ter visto um a sair deixou-me bastante satisfeito. Além disso, sei onde estão e é certo que voltarei a pescar nestas águas. Pode ser que muitos dos meus amigos leitores me possam acompanhar. Está em preparação um pacote que inclui dez dias de viagem e sete de pesca…

Técnica e materiais

Utilizou-se o empate Texas entre ervas do tipo vertical (capim). O peso servia apenas para «guiar» o Senko entre as ervas enquanto afundava e durante a recuperação que era muito lenta com paragens significativas do tipo «dead sticking».

Como material usou-se um Senko da Gary Yamamoto Custom Baits, de cinco polegadas, cor 914, green pumpkin/watermelon, com um peso de rosca de três gramas e meio, só para orientar o isco entre as ervas. O anzol usado foi um Gamakatsu 3/0 e a linha era um Whiplast da Berkley, branca de 50 libras, um 0,17.

A cana usada foi uma Kistler Helium LTA de 6’6”, medium heavy de spinning e o carreto, um Navi C 3000 da Shimano.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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