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Os buzzbaits são amostras de superfície, embora não sejam flutuantes, o que obriga a uma recuperação constante para os manter à tona. Membros do restrito clube das amostras mais aptas para capturar peixes de grande porte, são, no entanto, muito pouco usadas pelos pescadores portugueses…

É um daqueles «zingarelhos» que à primeira vista não se parece com nada que possa despertar o instinto predatório de um achigã ou de outro qualquer peixe. Os iniciados costumam dizer, quando vêem alguém montar um, que vão afugentar os peixes das redondezas… Realmente, os ataques dos achigãs, que muitas vezes calam esses protestos, são de quem não gosta, ou de quem gosta demasiado, do que ali vai a passar… Mas isso apenas aumenta a sua curiosidade e… «Pela boca morre o peixe» como diz o velho ditado.

Características do Buzzbait

Um buzzbait tem um anzol, com uma cabeça pesada que faz a ligação a um braço de arame, e segura a multifilamentar saia; o arame é dobrado formando um semi-elo, onde se deve atar a linha, um pequeno braço mais ou menos vertical e uma parte final paralela onde se monta a parte mais importante que é uma lâmina de forma triangular com as pontas curvas, uma para cada lado.

buzzbait

A partir desta base podem ser formadas imensas variedades que se resumem a duas principais: as de lâmina simples e as de lâmina dupla ou tripla. Muitos pescadores usam apenas os de lâmina simples que são, de facto, os mais versáteis. As lâminas duplas ou triplas, sejam elas paralelas, em linha, ou mesmo uma dentro da outra, servem para o mesmo: para permitir uma recuperação mais lenta. Sabemos, da pesca do achigã em geral, que as aproximações lentas servem para as águas mais tomadas, menos transparentes, no entanto, podemos conseguir o mesmo com um buzzbait simples, bastando para isso juntarmos um atrelado de plástico mole, como um grub, para dar apenas um exemplo.

Há ainda um outro tipo de buzzbaits que tem a lâmina no mesmo eixo do anzol e que por isso é designada por «em linha». Este tipo é mais apto para as coberturas mais densas.
Depois temos as que produzem mais som com a ajuda de uma patilha (clacker) que trabalha na haste ou com uma afinação que leva a lâmina a bater no arame ou no peso da amostra… Estas coisas ajudam nas águas menos limpas e em condições de luz muito reduzida.

Os pesos mais usados são sete e dez gramas, sendo os mais pequenos para as águas mais cristalinas e/ou para zonas com muita pressão de pesca.

Em andamento

É, sem dúvida, uma amostra que se usa em recuperação constante, se pararmos afunda e já não está a fazer o seu trabalho… Não quer dizer que não apanhe peixe debaixo de água, mas, para esse tipo de aproximações os spinnerbaits são mais adequados.

Basicamente a animação desta amostra é muito simples: lançamos e recuperamos. Podemos variar a velocidade de recuperação e parece que pouco mais, mas isto também tem que se lhe diga.

André Fidalgo observa o momento mais aguardado durante a luta - o salto...

André Fidalgo observa o momento mais aguardado durante a luta – o salto…

Em primeiro lugar nunca devemos deixar cair a amostra com grande estardalhaço na água na fase final do lançamento. Devemos começar a recuperar quando engatamos o carreto para provocar uma entrada suave e já em andamento, evitando que o buzzbait afunde e tenha de sair da água para iniciar o seu verdadeiro trabalho. Repito, atenção: a amostra deve entrar na água a andar na nossa direcção, devendo iniciar o seu trajecto assim que toque a superfície da água.

Outro aspecto importante é que nunca se deve lançar para onde esperamos o ataque do peixe, aí já a amostra deve vir com a animação que escolhemos, ou seja, com a velocidade que achamos ser mais adequada para provocar a reacção do predador.

Sempre que houver coberturas duras, que não sejam ervas, podemos, e há mesmo quem diga que devemos, provocar o contacto, eu acho que basta passar perto, mas por vezes deixo que a amostra toque uma pedra ou um pedaço de madeira e espero resultados… Na verdade, poucas vezes consegui ataques com esta acção, embora suceda, talvez numa proporção de vinte para um, no meu caso.

Quando e onde usar

Gosto de usar os buzzbaits quando a água passa os 15 graus de temperatura, na Primavera, e até os voltar a passar, no Outono. As condições ideais são as que gostamos para todas as amostras de superfície, isto é, pouca luz ou uma brisa que corte a sua penetração. Funciona bem em água aberta, mas também próximo de estruturas e coberturas usadas pelos achigãs como territórios ou como pontos de passagem. São amostras para águas baixas, mas provocam uma comoção tal que pode atrair peixes que estejam a mais de seis metros de profundidade. Sabemos que as zonas baixas são visitadas pelos achigãs regularmente para se alimentarem e para se reproduzirem, como tal sabemos quando e onde as devemos usar.

É uma daquelas amostras que não vale a pena usar insistentemente, se não produzir ataques nos primeiros lançamentos, dificilmente os conseguirá nessa zona. Não se percebe bem porquê, mas muitas vezes os achigãs não se sentem atraídos por elas, outras vezes vêm aos cardumes em perseguição.

Ataques curtos

Acontece muitas vezes os peixes falharem esta amostra, embora outras tantas vezes sejamos nós que, a reagir ao som, lhe retiramos a amostra da boca. Para evitar que tal aconteça temos de ferrar quando sentimos e não quando vemos ou ouvimos. Podemos recorrer a um anzol atrelado para prevenir ambas as falhas, as dos peixes e as nossas, mas há outras soluções, e é bom que as haja, porque muitos dos locais onde as queremos usar, por exemplo, no meio de ervas, não se coadunam com essa solução. Então o que fazer? Uma das soluções é encurtar o tamanho da saia. Basta cortarmos um pouco, deixando o anzol exposto, para que se tornem mais efectivas. Mas há outra forma de resolver o problema que consiste no uso de outra montagem que deve estar sempre pronta. Chama-se isco de repetição ou de seguimento. Quando há um ataque falhado, devemos recuperar rapidamente e lançar essa outra amostra, que pode ser um Senko, um Fluke ou algo do género, de preferência sem peso para dar mais tempo ao peixe. É crucial que sejamos rápidos, e que lancemos no local da perda. Se estivermos a pescar em dupla, como por exemplo em competição, devemos deixar esse trabalho para o nosso parceiro, que pode lançar imediatamente a seguir ao ataque falhado.

Cores nos Buzzbaits

Nas horas de menos luz é bom usar mais cor nos buzzbaits

Nas horas de menos luz é bom usar mais cor nos buzzbaits

Que parte é mais importante para se escolher a cor desta amostra? A mim parece-me que a saia é a parte que nos interessa mostrar ao achigã, é aí que queremos que ele morda, portanto, o padrão de cores que escolhermos deve ter como base essa parte. Se quisermos fazer uma recuperação mais lenta, vale a pena termos também cuidado com a cor do atrelado que usamos.

Há muitos profissionais que se cingem ao branco, mas isso é redutor, uma vez que basta haver uma brisa à superfície para que as cores claras se vejam mal. Um pouco de verde vivo, ou de outra cor viva, pode facilitar a concentração na zona do anzol. O preto pode ser usado sempre, provavelmente é o que funciona melhor. Há uma velha máxima, que se aplica a muitas coisas na pesca do achigã e parece que cada vez tem mais adeptos no que toca aos buzzbaits: «na dúvida, usa preto».

A lâmina pode ser de uma cor qualquer, é bom que seja brilhante nos dias de céu limpo e em águas limpas, mas pode ser baço e de cores vivas para quando há pouca luz e para as águas mais fechadas.

Material

Quanto aos conjuntos cana/carreto eu prefiro o material de casting. Uma cana média-pesada e um carreto de recuperação rápida ajudam para este trabalho que descrevemos, porém, se formos pescar em coberturas densas podemos passar para material mais pesado. As linhas devem ser escolhidas tendo em conta também as coberturas presentes. Um 0,35 é suficiente para águas abertas e serve a maioria das aplicações em coberturas densas, quando se tratar de ervas, o entrançado apresenta vantagens por conseguir cortar a vegetação.

O conjunto que o Gustavo António mostra,uma cana MH e um carreto rápido, são ideais para trabalhar estas amostras

O conjunto que o Gustavo António mostra,uma cana MH e um carreto rápido, são ideais para trabalhar estas amostras

Para a montagem do isco de repetição podemos usar material de spinning, para facilitar o lançamento de amostras mais leves sem outro peso além do seu e do anzol. Quanto a acções das canas podemos usar as mesmas, consoante os habitats a que se destinem, outro tanto se diga em relação às linhas, embora seja mais difícil usar linhas muito grossas no material de spinning, poderemos sempre optar pelos entrançados.

Concluindo

Não deixe de experimentar um buzzbait nas suas jornadas de pesca. As mais das vezes será surpreendido com um belo exemplar. Já agora, lembre-se de o libertar depois da foto para recordação.

Divirta-se! É para isso que pescamos!

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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