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Não há dúvida de que pescar achigãs à superfície é a forma mais espectacular de o fazer. O ataque, especialmente pelo que tem de visual, uma vez que o som pode variar muito, é o apogeu, o auge e o centro de todo este espectáculo. Com mais ou menos barulho, um achigã aproxima-se da amostra de muitas formas, ou sorrateiramente sugando-a através da sua capacidade de deslocar água para dentro da grande boca, ou com uma velocidade estonteante que provoca uma grande agitação na superfície.

Como já se disse muitas vezes, o achigã é um predador oportunista que se aproveita das debilidades dos suas presas para as atacar, por isso mesmo, usar poppers ou amostras de hélices é uma das melhores formas de os chamar e de os pescar, já que estas amostras imitam um ser em dificuldades ou a alimentar-se à superfície… Que ser? Perguntam muitos… Isso é o menos importante, embora seja fácil de perceber que podem imitar desde grandes insectos a pequenos répteis, passando pelas aves e os peixes moribundos à superfície, como se estivessem agonizando em espasmos irregulares.

A superfície da água

É importante percebermos o que é de facto a superfície da água, em que consiste, para compreendermos melhor porque atrai tanto os achigãs.

Sendo a água mais densa que o ar estes dois elementos separam-se deixando uma fronteira bem clara entre o seco e o molhado, mas por esse motivo, também a luz sofre descontinuidades entre um e outro, devido às diferentes velocidades de deslocação. Já todos ouvimos falar de refracção da água que, aos nossos olhos, parece «quebrar» qualquer objecto que a penetre, mas também a própria luz enfraquece à medida que entra na coluna de água, o que vai mudar muito as cores que usamos, este facto tem mais importância para a pesca com iscos de meia água ou de fundo, por isso deixe-mo-lo para quando falarmos dessas zonas.

É fácil percebermos que para um predador de topo, como o achigã, essa fronteira, esse território é um campo de oportunidades de alimentação. Se repararmos na sua fisionomia perceberemos que os seus olhos estão orientados para cima, ou seja, para a superfície. A sua janela de visão abrange mais área acima que abaixo do seu corpo. Com estes atributos, não há dúvidas de que tem capacidades superiores para atacar o que caia na «película» superficial.

Poppers e amostras de hélices

amostras de superficie - poppersamostras de superficie - amostras de helicesNão é por acaso que estou a tratar destas duas amostras num artigo, em conjunto. De facto elas completam-se nas minhas pescarias. Não é que use uma em detrimento da outra, muitas vezes testo ambas, mas em situações de ausência de vento tendo a usar mais as poppers e, por oposição, quando está vento, uso de preferência as amostras de hélices. Nos dias de vento fraco é que se me colocam mais dúvidas e aí posso optar por qualquer deles ou uso amostras mistas.

Mas vamos começar pela sua descrição. São ambas amostras de superfície, mas as poppers são caracterizadas pela concavidade que apresentam na parte dianteira, enquanto as amostras de hélices mais vulgares caracterizam-se pela presença de hélices como o próprio nome indica.

Há muitos tipos de poppers: as mais compridas, conhecidas como «pencil poppers» que também executam o movimento dos passeantes, como a Chug Bug, da Storm, e o Yamato, da OSP; as mais curtas, como a Pop-R, da Rebel, as poppers da Marota e da Yellow Magic; depois há uma variedade de modelos que não tem fim, em que se incluem algumas versões com uma hélice na parte traseira, como a B2, da Bagleys, e outras com entradas de água como a Pop Max, da Megabass.

As amostras de hélices também têm muitos tipos diferentes: as longas, como as Devils Horse, da Smithwick, e as Dying Flutter, da Heddon; as mais curtas e mais compactas, como a da Marota, a Crippled Killer, da Gaines Phillips; há ainda as que têm apenas uma hélice, como o Torpedo, da Heddon, que a tem na parte traseira ou a Scream X, da Megabass, que tem apenas uma hélice à frente.

Onde usar

Como se percebe pelo seu aspecto não são amostras para coberturas muito cerradas, o seu uso é mais fácil em águas abertas, não quer dizer que não se usem sobre camadas de cobertura, como ervas recentemente imersas pela subida da água ou mesmo árvores e arbustos que estejam submersos, mas este tipo de amostras trabalha melhor sem obstáculos ou nos seus intervalos. É aqui que a precisão de lançamento é importante para colocarmos a amostra entre coberturas ou próximo delas evitando que se prenda quer ao terminar o lançamento quer depois no trabalho de animação.

Quando usar

Como todas as amostras de superfície, vão funcionar melhor em períodos de pouca luz, como dias de céu encoberto, nos períodos iniciais e terminais dos dias de pesca em que a luz do sol não seja muito forte. Por outro lado, quando houver vento, podem ser usadas mesmo que haja muita luz, uma vez que a agitação da superfície cortará a penetração da luz reduzindo a intensidade. Perto de coberturas ou estruturas que proporcionem sombras também devem ser usadas uma vez que os achigãs usam essas sombras para verem melhor para a zona da água que está iluminada.

Se estiver vento, a agitação da superfície provocará um som constante que devemos romper com os sons que provocarmos ao animar as amostras. Se usarmos poppers teremos de executar esticões mais fortes, mas é aqui que as hélices podem ajudar, já que o som que emitem é um silvo estridente que chamará a atenção para o seu movimento.

Paulo Barroso é um amante das poppers e sobretudo desta Yellow Magic que lhe deu este excelelnte exemplar

Paulo Barroso é um amante das poppers e sobretudo desta Yellow Magic que lhe deu este excelente exemplar

Como usar

A técnica é a mesma para ambas as amostras e consiste em lançar esperar um pouco com a amostra parada, para depois se iniciar a recuperação com os devidos esticões para que as poppers emitam um som grave devido à concavidade frontal e as amostras de hélices emitam o silvo ao rasgar a superfície. Atenção que as amostras de hélices devem ter uma hélice a rodar para um lado e a outra em sentido contrário, o que serve para evitar que girem sobre si mesmas quando produzimos os esticões, excepção feita às Scream X, da Megabass, que foram feitas precisamente para girarem quando se deslocam na água e que estão preparadas para isso. Outra coisa muito importante é verificarmos que a linha não esteja a passar por trás da hélice da frente para evitar que corte a linha, há mesmo quem coloque estralho de arame curto para evitar este problema.

A força que imprimimos em cada esticão ditarão proporcionalmente o som que se vai ouvir dentro de água, a velocidade a que recuperamos a amostra ditará se queremos a bater água ou a trabalhar num local exacto, onde pensamos que está um achigã. Neste caso, as poppers com hélice traseiro ou os torpedos funcionam melhor que os outros tipos porque a hélice evita que elas se desloquem em demasia. Bastará que os esticões sejam curtos e secos para que não se afaste muito.

As pausas podem ser muito úteis em ambas as amostras, podem até fazer com que um achigã em perseguição se decida atacar, mas também pode suceder o contrário, por isso teremos de experimentar se fazemos pausas mais curtas ou mais longas, as poppers mais pequenas podem servir de passeantes com a vantagem do diferente som.

Material adequado

É indiferente que se use casting ou spinning, não são amostras que exerçam muita tensão quando animadas. Pessoalmente prefiro o material de casting porque me facilita a recuperação da linha a cada esticão. As linhas podem ser grossas porque estarão quase sempre fora de água, mas não se aconselha o uso de entrançados, porque não têm elasticidade quase nenhuma e nos pode levar a perder peixes com ferragens menos ponderadas; os fluorocarbonos, por afundarem também não devem ser usados.

Uma cana de acção média com uma ponteira regular ou lenta servem perfeitamente e ajudará no lançamento. Quanto a carreto, desde que a recuperação seja de 5:1 ou mais, serve perfeitamente, estamos perante amostras pouco exigentes e que se podem usar com uma variedade muito grande de acções desde que saibamos o que estamos a fazer.

Uma dica

Na pesca à superfície o mais difícil é acertarmos no momento exacto para executarmos a ferragem. Especialmente quando as amostras são atacadas durante uma paragem. Ouvimos o som, vemos o ataque e a primeira coisa que nos ocorre é ferrar de imediato antes que o peixe fuja. O que acontece as mais das vezes é que tiramos a amostra da boca do peixe. Para evitarmos esta reacção temos de treinar muito, mas uma coisa posso adiantar que vos pode ajudar na próxima jornada de pesca: a ferragem deve ser efectuada quando e apenas quando sentirmos a linha esticada, ou seja, quando sentirmos o peixe e não quando o virmos ou ouvirmos. Na animação deste tipo de amostras a linha nunca deve estar esticada, em tensão, devemos executar o esticão, ou a série de esticões, e esperar um pouco para recolhermos a linha, assim, se houver um ataque o peixe leva a linha… Apenas quando sentirmos a linha a esticar é que devemos ferrar.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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