Não estou desanimado, não tenho tempo para desânimos, mas esta coisa da legislação da pesca lembra-me que ainda está muita coisa por fazer e, portanto, não me posso recostar a gozar o trabalho feito. A verdade é que essa também não é a minha forma de estar… Gostava, no entanto, de eliminar algumas etapas e esta, do pacote legislativo, está longe disto embora traga consigo muitos aspetos positivos.
Porque é ano novo vou apenas realçar as conquistas alcançadas e também para variar, até porque, como dizia o Carlos Paião num dos êxitos da sua curta carreira: «Refilar faz mal à vesícula».

1 – A abolição da pesca com peixes vivos

Finalmente! Demorou mas sempre veio. Eu sei que o caso da pardelha/verdemã já estava resolvido, mas era através de um subterfúgio refutável de que não se podiam transportar peixes vivos de massa de água para massa de água. Agora acabou! É mesmo proibido. Provavelmente quem mais vai beneficiar desta regra é a própria espécie cobitis taenia de seu nome científico que foi responsável pela minha iniciação à pesca do achigã e de muita mais gente. Felizmente, hoje, esse papel extinguiu-se muito graças à partilha de técnicas de pesca com iscos artificiais, que até proporciona maiores exemplares. É para mim um orgulho ter feito parte desse trabalho de divulgação e vou continuar com certeza!

2 – Introdução do conceito de «pesca sem morte»

É claro que não há pesca sem morte em absoluto, mas o princípio da captura e devolução é assim considerado um instrumento de gestão, embora para muitos, como eu, constitua uma maneira de estar na pesca. Este conceito, no entanto, pode ser mais utilizado pela negativa, ou seja, prevê-se que haja algumas restrições à devolução de algumas espécies em alguns locais por motivos de defesa de outras espécies… Vamos ver como vai funcionar, porque quem quiser devolver tem sempre forma de o fazer…
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3 – Agilização das medidas de maior impacto

De facto, sabe a pouco esta pacote legislativo, fica quase tudo para ser regulado posteriormente, mas isso pode ser uma vantagem, uma vez que, o conselho diretivo do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, pode, a qualquer altura, alterar medidas, limites, defesos… Como se pode ler no número 6 artigo 8º do Decreto-Lei 222/2015 de 8 de outubro
               «O conselho diretivo do ICNF, I. P., pode, mediante
               deliberação, estabelecer a nível nacional, regional, por bacia
               hidrográfica ou por massa de água, o peso ou número
               máximo de exemplares de cada espécie que o pescador
               pode deter por jornada de pesca, por razões de gestão das
               populações piscícolas e do estado das massas de água.»
Vamos pois aguardar que saia esta regulamentação para depois dizermos de nossa justiça e iniciarmos diligências no sentido de proteger a nossa espécie e a nossa pesca. Preparemo-nos para participarmos ativamente na criação de Zonas de Pesca Lúdica para que possamos ter zonas geridas de acordo com as necessidades implícitas à nossa atividade de eleição.

André Jonas em acção de pesca

Quanto ao facto de as licenças irem ver os seus valores aumentados várias vezes… Acho natural e acho bem. Embora gostasse de ver as verbas daí resultantes serem aplicadas na gestão da pesca lúdica e desportiva, nomeadamente na intensificação das ações de fiscalização… Vamos ver. Mas nunca se esqueçam de uma coisa que escrevi há já alguns anos no manifesto da APPA – TEMOS DE COMEÇAR POR NÓS!

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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