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Pistas para quem quer ter sucesso

Cada vez mais a preparação da nossa mente para a competição se torna num factor preponderante para termos êxito. É talvez o aspecto a que se dá menos importância, mas também o que faz a diferença. Sendo um tema muito vasto, levanta-se aqui apenas a ponta do icebergue que cada um terá de descobrir por si mesmo.

Estabelecer objectivos

Quando se começa um campeonato devemos estabelecer objectivos. Por exemplo, para vencermos um Campeonato Nacional no formato actual, os pescadores de achigã, necessitam de ficar nos seis lugares de topo de cada uma das provas. Se marcarmos esse lugar como objectivo, saberemos que, se uma prova nos corre pior e baixamos deste nível, na prova seguinte teremos de recuperar. Parece simples, mas é apenas um indicador. Porém, se o nosso objectivo é conseguir um lugar na Selecção Nacional já podemos apontar para o oitavo ou nono lugares. Muitos perguntarão: se eu posso vencer porque me contentarei com um lugar na selecção? Há que ter objectivos claros. Se queremos ser campeões nacionais devemos orientar o nosso cérebro para esse objectivo, mas se a nossa meta for superior, ou seja, se quisermos ser campeões mundiais, primeiro teremos de nos preocupar em estar na selecção.

Claro que na pesca de margem, nesta altura, não podemos mais que almejar vencer um Campeonato Nacional ou um dos diversos circuitos existentes, nomeadamente o mais recente – o da BASS Nation. Mas, o princípio é o mesmo…

Preparação psicológica

A visualização de momentos como este prepara o nosso cérebro para eles

A visualização de momentos como este prepara o nosso cérebro para eles

Orientar o nosso cérebro para um determinado objectivo é também prepará-lo para esse mesmo objectivo. O nosso cérebro é programável, aprendermos a lidar com ele é uma ajuda preciosa. A visualização é o melhor meio de programação. Para se fazer um bom exercício de visualização o relaxamento é indispensável, por isso aconselho a procurarem livros com técnicas de ioga, por exemplo.

O nosso subconsciente não distingue a realidade da ficção, ou seja, para o subconsciente, o que nós imaginarmos, está a acontecer de facto. A importância disso é que esta parte do nosso cérebro é que nos dá a capacidade de reagir sem pensar. Ou seja, coordena o corpo em termos motores quando reagimos instintivamente, sem pensar.

Todos já ouviram falar das fases de uma aprendizagem: sabemos que somos incapazes de fazer uma coisa perfeitamente e iniciamos um processo em que nos preparamos de forma a nos tornarmos conscientemente competentes, a fase seguinte é de competência inconsciente, isto é, em que faremos as coisas sem nos preocuparmos como se faz. Pensem, por exemplo, na condução de um automóvel, na aprendizagem passámos por todas estas fases até que chegamos a um ponto em que conduzimos sem termos de pensar em cada passo a dar. Programámos o nosso subconsciente e agora ele reage de acordo com a programação… Podemos fazer o mesmo para qualquer actividade.

Estar «na zona»

Os melhores profissionais americanos perceberam isto e treinam-se intelectualmente da mesma forma que o fazem fisicamente. Aquilo a que eles chamam estar «na zona» é um estado que só se atinge com muito autocontrolo e com muito trabalho no domínio psicológico. O vencedor do Bassmaster Classic de 2007 – Boyd Duckett – afirmou que é dentro da cabeça que se vence ou se perde. Ele não gosta de falar destas coisas porque as acha estranhas, mas aprendeu a programar-se para vencer e hoje atribui mais importância a isso do que à preparação técnica. Depois de se atingir um nível em que todos sabem o mesmo, a diferença está na atitude.

Boyd Duckett afirmou que é dentro da cabeça que se vence ou se perde

Boyd Duckett afirmou que é dentro da cabeça que se vence ou se perde

Preparação física

Pescar num barco ou da margem em pé durante várias horas é fisicamente exigente e o cansaço pode jogar contra nós. Um corpo cansado não reage como deve aos estímulos e isso pode fazer a diferença entre uma captura ou uma perda. Estar bem fisicamente pode ser conseguido de muitas formas. Há quem por força de profissão que exerce esteja sempre bem fisicamente e há quem tenha de ir ao ginásio ou, pelo menos, fazer umas boas caminhadas. Não interessa se estamos gordos ou magros, interessa que tenhamos mobilidade e elasticidade para as tarefas a que nos propomos.

Controlo

Preocupe-se apenas com o que pode controlar. Não vale a pena «chorar» um peixe que se perdeu ou ficar muito tempo a pensar nisso. Se cometemos um erro, há que aprender com ele, se, por um motivo alheio à nossa influência, um peixe nos foge ou algo corre mal, temos de ter uma atitude humilde mas positiva para podermos avançar. Mesmo um mau resultado numa prova só pode servir para melhorarmos e nunca para nos colocar numa posição mental inferior. Não foi uma boa prova, o que se fez mal? O que se pode melhorar?… E seguir em frente, há mais provas, mais campeonato e a vida continua.

Se perdemos um peixe devemos pensar que há mais peixes para pescar do que aqueles que se perdem, temos de continuar a tentar com a mesma garra ou com mais se pudermos. Nunca se deixem afectar por essas coisas, ultrapassem-nas de forma a extrair algo de positivo delas. Em resumo, controlar o que é controlável e esquecer o que não é.

O «Zen master», Rick Clunn, foi um dos primeiros profissionais a tentar compreender os mecanismos da intuição

O «Zen master», Rick Clunn, foi um dos primeiros profissionais a tentar compreender os mecanismos da intuição

«Logística» e trabalho de casa

Um dos aspectos que muitas vezes nos prejudicam é a «logística» associada às nossas provas. Decidir onde se vai dormir e se podemos fazer como queremos, isto é, se vamos acampar, por exemplo, vamos ver se não é proibido e qual o melhor lugar para o fazer, com alguma antecedência. Se vamos para uma pensão, residencial ou hotel, marcar quarto com tempo. O mesmo se diga para as refeições, a gasolina, as amostras, etc.

Há sempre algum trabalho de casa para fazer. Quando não conhecemos o local podemos recorrer a artigos de revistas sobre ele, devemos obter toda a informação possível, mesmo os resumos de provas (tão escassos nos últimos anos) podem dar-nos pistas sobre a forma de pescar naquela massa de água.

Como sabemos nada substitui um bom treino no local, mas isso é matéria para outra ocasião.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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