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Este foi o mais competitivo de todos os que acompanhei. Do primeiro para o segundo dia houve recuperações excecionais. À entrada para o derradeiro dia, e pelas recuperações constatadas, era possível prever que um 20º classificado chegasse ao topo.

Coisa rara… No mais competitivo de todos os Classics que acompanhei venceu o favorito! Quase nunca vence o favorito, exceto quando ele é sempre favorito. Há uma série de «sempre favoritos» presentes neste tipo de eventos. Com KVD de fora, pela primeira vez desde que participa, tínhamos o Ike, o Rojas e o Reese entre tantos outros eternos favoritos. O favorito da casa também existe sempre e raramente vence. Desta vez, tivemos uma exceção para confirmar a regra.

Casey Ashley num dos locais que fizeram a diferença

Casey Ashley num dos locais que fizeram a diferença

Vi-o pela primeira vez em 2008, no Classic, em casa também, no mesmo lago e na mesma cidade, Greenville era a cidade organizadora. Jogou em casa, mas o sénior Alton Jones venceu. Lembro-me de o ter ouvido cantar country, era outro sonho, cantou bem mas acabou no 17º lugar… Ao que disse agora, o seu treino para este evento começou aí… Sonhar ele já sonhava desde muito jovem quando o seu pai o levava a pescar e o obrigava a «tomar conta» do barco em pesca, deixando que controlasse o motor eléctrico e que tomasse as decisões e chamando-lhe a atenção para os erros que cometia. Ainda este ano lhe fez parte da amostra com que conseguiu a vitória. O pequeno cabeçote com uma lâmina em folha cor de níquel a que atrelou um fluke para pescar bem fundo era apenas um dos muitos que o pai lhe fez e lhe entregou com uma missão: «Toma lá isto e vence o Classic!» – foi a frase que usou para o motivar… Os pais pescadores são mesmo assim… Não fazem por menos.

Casey é um rapaz calmo de sorriso simpático e fácil que fez só esta proeza: venceu no seu lago! Como ele mesmo disse, jogar em casa pode ajudar ou prejudicar muito, ao que tenho visto, as mais das vezes prejudica. Desta vez ajudou. Ele soube tirar partido da situação. Lembro-me de ouvir Zell Rowlland, ali bem perto, em Carlotte, em 2004, no mesmo tipo de evento, e interrogado sobre o fator casa, que ali favoreceria Jason Quinn, dizer: «Não queria estar no lugar dele, deve ter sítios demais para pescar»… Pois bem, Casey pescou apenas em dois recantos, soube lidar com o frio, tirou vantagem de não ter muitos fãs em redor e… Venceu!

300 mil dólares e sabe-se lá o que mais, mas aquele troféu, no final de contas era o que almejava. De tal forma que disse que apesar de ter ficado bem classificado em ambos os circuitos – Bassmaster Elite e FLW – não hesitou em dizer que se qualquer coisa se tivesse colocado entre ele e uma hipótese de vencer este Classic, ele abandonaria de imediato.

Alguns diriam: «Teve sorte…» E de facto teve. Ele mesmo o diz. Nunca tinha percebido que poderia haver tanto peixe e de tão bom porte naquelas zonas. Não teve tempo para preparar os cabeçotes e o pai ajudou. Nunca tinha havido um Classic tão frio, em termos de temperaturas do ar. O KVD não estava presente… Enfim. Podemos achar que teve sorte, mas, como em todos os desportos ninguém é campeão sem uma «pontinha» de sorte. E, essa sorte, sem uma preparação adequada, nunca acontece. Mais sorte teve o terceiro classificado, Takahiro Omori, o campeão de 2004, que odeia drop-shot, odeia pescar fundo, odeia o frio e mais ainda pescar no frio e… mesmo assim foi 3º.

Takahiro Omori o terceiro na prova apesar de não se dar neste tipo de meteorologia

Takahiro Omori o terceiro na prova apesar de não se dar neste tipo de meteorologia

A maior sorte do vencedor, na minha opinião e numa análise mais fria, foi o Bobby Lane não ter percebido no primeiro dia o que percebeu no último. De facto o peixe de quase três quilos, que o Bobby pesou no último dia, veio de água muito baixa. 60 centímetros! Ele percebeu, tarde infelizmente, que os peixes à medida que o dia avançava vinham para águas mais baixas, muito baixas mesmo. Podemos agora especular: e se o mesmo aconteceu no primeiro dia sem ninguém se aperceber? Bobby foi segundo depois de um primeiro dia em que quase perdeu a prova. Quem disse que o Classic não se pode vencer no primeiro dia mas pode-se perder no primeiro dia… Acho que se enganou. Pelo menos este ano.

Bobby Lane no palco... Foi por pouco...

Bobby Lane no palco… Foi por pouco…

Os meus amigos não sabem o que eu retiro de tudo isto. Mas eu vou dizer. Os achigãs, os peixes em geral, em situação de pesca, não deixam de nos surpreender… Pode haver sempre algum fator que nos escape… Ou seja, nem nós, simples pescadores de fim de semana, nem os profissionais dominamos todas as envolvências de um dia de pesca, do estabelecimento de um padrão… Nunca saberemos quantos padrões evoluem sem nos confrontarmos em competição e, mesmo assim, ficam perguntas no ar… Não que isso retire mérito a quem vence, mas, mesmo esses que são os melhores e que vivem da pesca e para a pesca… Não sabem tudo! Uma coisa que sabem sem dúvida é o que acabei de afirmar. E, nos últimos anos, temos assistido à ascensão de uma geração de pescadores cientes disso e por isso mesmo muito humildes. O que faz deles, na minha opinião, GRANDES HOMENS e GARNDES PESCADORES.

O vencedor do Bassmaster Classic de 2015 quando exibia o seu troféu

O vencedor do Bassmaster Classic de 2015 quando exibia o seu troféu

Nota: eu sei que não dei todos os dados, isto é apenas uma análise. Quem quiser saber mais, por favor, vá a www.bassmaster.com… Está lá tudo!

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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