Este artigo dá continuação ao tema Introdução aos carretos de tambor móvel.

Este tipo de carretos apareceu em primeiro lugar com a manivela à direita e o porquê desse facto é uma das principais perguntas que me colocam os pescadores. De todas as vezes que fui aos EUA tentei saber porquê. Perguntámos a muitos profissionais e… Encolhiam os ombros sem saber o que responder. Até que um dia lemos um artigo do Uncle Homer a explicar que, se os pescadores americanos aprendessem a lançar com a mão esquerda, fariam mais lançamentos por dia de pesca. Então, a questão também se lhes colocava, mas, do nosso ponto de vista, da forma errada. Melhor seria usar a manivela à esquerda. Notem bem que muitos deles lançam com a mão direita, depois passam para a cana a esquerda… É muito estranho. Perguntámos a um amigo meu do Estado de Nova Iorque, um guia de pesca muito experiente, que nos disse que esses carretos são uma evolução dos que se usam para o big game, daí, terem feito apenas um downsizing, ficando a manivela onde estava. Acho que é uma explicação. Porém, Danny Brauer, o mago do flipping disse que usa manivela à direita porque é canhoto!

A manivela à direita é consequência da adpatação dos carretos de big game para outros de usos mais ligeiros

A manivela à direita é consequência da adpatação dos carretos de big game para outros de usos mais ligeiros

Na verdade há uma grande maioria de esquerdinos na população americana, mas poucos executam o lançamento com a mão direita… Francamente parece-nos uma questão de tradição. Apenas alguns se preocupam com isso, a grande maioria aprendeu assim e agora tem grandes dificuldades em mudar. Quer dizer, nem se lhes coloca a questão. Mas, não, não estamos errados quando preferimos os de manivela à esquerda. É muito mais lógico e demonstra que na Europa também se pesca com a cabeça.

Na desarrumação de um dia de pesca nota-se a preferência dos pescadores americanos pelos carretos de tambor móvel

Na desarrumação de um dia de pesca nota-se a preferência dos pescadores americanos pelos carretos de tambor móvel

O lançamento

Lançar com carretos de casting não é difícil, não é uma arte, é técnica pura e toda a gente pode aprender a fazê-lo com alguma facilidade. Eu aconselho sempre a que se comece com lançamentos curtos e de braço esticado, para se evoluir com o movimento do pulso, primeiro, e depois então, com o braço todo. O movimento de pulso correto assemelha-se ao apertar de uma rosca com rotação no sentido dos ponteiros do relógio, como se apertasse num movimento brusco, usando toda a rotação que a mão permitir.

Apenas depois de se conseguir este tipo de movimento na perfeição deveremos usar todo o braço.

Alguns tipos de lançamentos como p flipping e o pitching são mais fáceis com este tipo de conjuntos

Alguns tipos de lançamentos como p flipping e o pitching são mais fáceis com este tipo de conjuntos

Muito importante, além das afinações recomendadas no artigo de introdução, é que se use o polegar para fazer o travamento da bobina. Isso evita as indesejadas cabeleiras, maximiza a precisão e facilita o pousar suave da amostra na água.

Os lançamentos laterais permitem apresentações mais suaves com o material de casting

Os lançamentos laterais permitem apresentações mais suaves com o material de casting

Há diversos tipos de lançamentos que se podem executar com conjuntos de casting, mas isso fica para um artigo sobre os diversos tipos de lançamentos. Mas, por exemplo, o flipping e o pitching executam-se mais facilmente com este tipo de material.

As cabeleiras

Quando a velocidade da bobina é demasiado elevada, fruto da má afinação, pode sair mais linha do que a necessária. Basta uma volta a mais para que se prenda o movimento e ensarilhe, criando elos e mais elos soltos na bobina. Quando lançamos contra o vento sem a travagem correta a amostra é travada no ar, devido ao atrito, mas a bonina continua a deixar sair linha até que um elo prende e provoca mais sarilhos. Seja como for não desespere. Ensinou-nos Ray Scott na sua biografia que, com um truque fácil, poderemos resolver 80 a 90 por cento das situações. Diz ele que se colocarmos a unha do polegar em cima da bobina e dermos algumas voltas com a manivela, isso ajudará a soltar a linha com facilidade. Nós já experimentámos muitas vezes, na maioria funcionou, mas nem sempre. Às vezes só mesmo com a tesoura se resolve. Tesoura e linha nova, claro.

Uma coisa é certa, com entrançados é muito mais difícil e com fluorocarbonos, além de acontecer com mais facilidade, degrada a linha de tal maneira que pode provocar roturas subsequentes, mesmo que consigamos desfazer a cabeleira.

Velocidade de recuperação

Há hoje no mercado carretos bem mais rápidos. É uma necessidade que tem duas faces. Por um lado, como constata Kevin VanDam num dos seus vídeos sobre spinnerbaits, é impossível igualar a velocidade de uma presa em fuga, digo eu que mesmo para algumas utilizações de crankbaits e até de jerkbaits, isso também é verdade. Os puristas acham que para algumas utilizações é necessário usar carretos de baixo ratio, ou seja, lentos e muitos lentos; por outro lado, a velocidade de recuperação depende da mão de quem manivela e muitas vezes perdem-se peixes durante a luta por sermos incapazes de recuperar tão rápido quanto eles se dirigem a nós… Eu já perdi bons exemplares assim. Como tal, defendemos que se devem usar carretos com a máxima recuperação possível. Mas cada um saberá de si e do que mais necessita num carreto.

Neste artigo poderá encontrar informação sobre como identificar a verdadeira velocidade de um carreto de casting.

Conclusão

Se está na pesca do achigã com vontade de evoluir, não vá por atalhos, aprenda a usar este tipo de material ou vai sofrer mais no processo de evolução. E… Nunca se esqueça de se divertir, porque esse é o sentido de termos uma atividade relaxante como a pesca.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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