Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

O verão chegou! Os achigãs recuperam da desova e alimentam-se com regularidade. A própria temperatura da água os obriga a isso porque ao aumentar aumenta o metabolismo dos peixes em geral. Todos comem mais agora, é uma necessidade de sobrevivência.

Normalmente, encaro os dias de pesca com uma natural alegria, mesmo tratando-se do meu trabalho, e, por isso, preparo-me bem. A pesca nunca se sabe como vai ser, mas o conforto é importante… Devemos ter sempre água, formas de nos protegermos do sol, não esquecendo a protecção dos nossos olhos. Nunca saberemos como termina um dia de pesca, no momento em que começamos, mas podemos fazer o trabalho de casa para que nos corra o melhor possível.

Se vou cedo para a massa de água que escolhi, a primeira coisa que faço é analisar as condições da água. Nesta altura, quase invariavelmente, começo por lançar uma amostra de superfície. Se a água estiver espelhada, monto um passeante, se estiver algum vento, começo com um buzzbait ou com um toad, como o VileCraw, da BioSpawn, por exemplo.

Uma captura à superfície com o VileCraw

Uma captura à superfície com o VileCraw

Até que a sol atinja a água com alguma intensidade, só mudo este esquema inicial se nada acontecer, se não produzir ataques, digamos, nos primeiros quinze minutos a meia hora, dependendo da paciência e da fé com que estou…

Se o dia se mantiver com baixa luminosidade, se houver uma cobertura de nuvens, posso mesmo pescar todo o dia à superfície, variando de acordo com a minha interpretação do apetite dos achigãs. Gosto muito de pescar à superfície, embora não encontre sempre as condições ideais, algumas até vou para além do que é lógico nesta prática.

Um bom achigã capturado com uma passeante

Um bom achigã capturado com uma passeante

Há momentos críticos em todas as jornadas de pesca, e a pergunta que se nos coloca mais frequentemente é: «Como é que eu sei que é tempo de mudar de técnica?» A resposta, a meu ver, é dada pela reacção dos peixes. Se eles nem respondem por largos períodos de tempo… Deve ser hora de experimentar outra coisa. Deveremos, então, voltar a analisar as condições de pesca e escolher outra hipótese, outro conjunto: amostra ou montagem/técnica.

Se os peixes perseguem o isco, mas não atacam, poderemos mudar algo na aproximação e experimentar, porque certezas nunca haverá. «Porque é que não atacam?» Às vezes, pode ser a cor, o tamanho, o tipo e pode ser a animação, a velocidade, o peso… Teremos de testar.

Se os achigãs atacam e falham sistematicamente, teremos de afinar a apresentação, rever os nossos anzóis (que podem estar mal afiados ou ser demasiado pequenos), ou a forma como estão apresentados pode não ajudar. Uma coisa que aprendi à minha custa foi que quando os achigãs falham as amostras de superfície, ajuda se colocarmos uma que tenha parte dos anzóis dentro de água. Muito importante mesmo é sabermos quando ferrar, especialmente com amostras de superfície, uma vez que se vê e ouve o ataque. Devemos esperar para ferrar, como se diz na nossa gíria «ferrar a sentir» e não à vista ou ao som.

Momento da cravagem após compasso de espera a um ataque de uma amostra de superfície

Momento da cravagem após compasso de espera a um ataque de uma amostra de superfície

Ficam estas dicas práticas para esta época do ano com a certeza inicial: nunca se sabe como vai terminar um dia de pesca, podemos apenas escolher ir ou não, para um lado ou para o outro, mas o desfecho de um dia na água é o desconhecido para onde nos aventuramos quando saímos ao seu encontro.

Não esqueça de duas coisas mais: esta é uma boa época para levar a família em piquenique organizado e para iniciar os mais novos (e os menos novos) na pesca do achigã. É um tempo agradável, pelo menos até à hora do petisco, depois, uma sesta e poderemos regressar mais para o final da tarde. Eu sei que por nós estaríamos sempre a pescar, mas se levamos iniciados devemos ter mais cuidado… A segunda coisa… Se vai ensinar alguém a pescar, ensine também o respeito pela natureza e pelos peixes que pesca… Liberte-os! Ensine como se lhes deve pegar e como se devem libertar… Se ainda não sabe, há artigos neste site que o podem elucidar.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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