A cana perfeita não existe!

As canas para a pesca do achigã distinguem-se das outras pelo seu tamanho e pela variedade de capacidades e acções que cada técnica exige, porém, há canas muito generalistas que fazem uma grande parte dos trabalhos aplicáveis.

Escolher uma cana é uma tarefa fácil para os menos exigentes e fácil para os mais conhecedores. Os menos exigentes satisfazem-se com qualquer coisa que quem vende aconselha e acredita no que lhe dizem. Já os conhecedores, pegam numa cana, lêem as características que o fabricante atribui à cana e fazem alguns testes para terem a certeza de que é o que necessitam. Mas não é invulgar ver pescadores muito baralhados em relação às canas a usar para determinadas

Guia de canas de pesca para achigã

técnicas. Como não é invulgar ver canas mal referenciadas pelos fabricantes… Mas isso é outra história, sem querer entrar em controvérsias que em nada ajudariam os meus amigos a escolher, é melhor seguir por outro rumo e explicar duas coisas básicas para depois avançarmos no que eu acho que são as escolhas correctas para as especificidades das nossas técnicas: A cana perfeita não existe e, por outro lado, a escolha de uma cana tem sempre uma dose de subjectividade.

A cana perfeita

Uma cana que pudéssemos rotular de ideal tinha de ser perfeita para lançar, para animar a amostra, que permita a percepção do ataque mais ligeiro, que ferre bem e que ajude na luta com o peixe; já agora, que seja resistente e leve…

Considerando uma técnica de Texas, é exigir demasiado a uma cana que tenha acção de ponteira para lançar e que a perca na hora de sentir e de ferrar, para voltar a tê-la durante a luta com o peixe. Como é evidente não existem materiais que permitam este tipo de versatilidade. Por isso eu considero que uma cana apta para uma determinada técnica é sempre um compromisso entre todas as necessidades da técnica e aquilo que os materiais disponíveis permitem.

Subjectividade

Há áreas muito subjectivas na escolha de uma cana, especialmente no tamanho, cada pescador deve perceber com que tamanhos se adapta melhor no uso das diversas técnicas. Isso tem a ver com a sua estatura e capacidade física. Claro que uma cana de crankbaits deve ter, pelo menos, 2,10 m, mas é aceitável que alguém prefira uma de 1,96m ou uma de 2,25. Uma cana de flipping deve ter 2,25, mas pode-se executar esta técnica com uma cana mais curta… É nestes aspectos que a escolha de uma cana pode ser muito subjectiva.

Qualquer pescador precisa de perceber qual o melhor material para si, independentemente do que leia ou oiça

Qualquer pescador precisa de perceber qual o melhor material para si, independentemente do que leia ou oiça

Há, porém, outros graus de subjectividade. Quem pesca a partir da margem não pode levar consigo 10 ou 12 canas para responder aos desafios que se lhe apresentam, por isso, vai ter de escolher uma dou duas canas que lhe façam a maior parte dos trabalhos aplicáveis e, neste caso, alguns podem decidir-se por canas mais generalistas e outros escolherem de acordo com as técnicas que mais usam, ou com as que a massa de água em presença lhes exija. Mais adiante deixarei as minhas opções, aqui quero apenas deixar clara a subjectividade.

Não vou perder muito tempo com outros componentes da cana, vou apenas concentrar-me na vara, já que, o resto, são acessórios que consoante o preço da cana podem ser de média ou elevada qualidade, uma vez que, hoje em dia, não se usam acessórios de má qualidade nas canas que vemos à venda.

Sensibilidade e resistência

Sem querer maçar ninguém com pormenores muito técnicos, quero apenas deixar uma ideia no respeitante aos materiais. Quanto mais elevado for o teor de carbono de uma cana, mais sensível será, mas isso retira-lhe resistência.

Para controlar bem um peixe no meio de coberturas necessitamos de uma acção rápida

Para controlar bem um peixe no meio de coberturas necessitamos de uma acção rápida

É um bom princípio que os fabricantes indiquem o carbono que usam. Quando o fazem nós vemos nas canas: IM6, IM7, etc., até aos mais raros T300 e HR40… Outros indicam quantos milhões de módulos de carbono por pé quadrado (mais ou menos 30X30 cm). Quanto maior o número mais sensível será e, em princípio, menos resistente, ou seja, uma cana com elevado teor de carbono deve ser manuseada com muito mais cuidado, não durante a pesca, mas quando se arruma e se transporta, pois qualquer toque na vara pode dar origem a uma rotura, que pode suceder apenas quando se está a lançar, a executar uma ferragem ou a ou a lutar com o peixe. Quando compramos uma cana temos de ter tudo isto em atenção.

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Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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