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Este artigo é o final de uma série de 3 artigos que abordam as várias dimensões a ter em conta para a escolha de uma cana para pesca ao achigã. Leia as primeiras duas partes antes de continuar:

Como escolher uma cana – parte I

Como escolher uma cana – parte II

As minhas escolhas para margem

Na pesca a partir da margem torna-se impossível transportar as canas todas. Por norma um pescador de margem leva duas ou três canas consigo e isso já lhe dá muito trabalho tendo de estar sempre a pousar canas ou a andar com elas à cintura e a perder mobilidade devido aos obstáculos que sempre encontra quem pesca desta forma. Por isso vou deixar três opções.

Uma cana apenas

Eu levaria uma cana de 1,96 m, de acção rápida e com uma capacidade entre os 7 g e os 21 g (MH). Prefiro levar uma cana de casting porque me permite executar mais técnicas. Levaria, no entanto, dois carretos: um com uma linha elástica para me permitir trabalhar a generalidade das amostras, e outro com uma linha menos elástica, ou mesmo um multifilamentar, para fazer face a coberturas mais densas, como mantos de vegetação, árvores, arbustos, etc. Para trabalhar um crankbait com uma cana destas é necessário que se recupere com cana apontada para a amostra, de forma a não deixar que a rapidez da ponteira prejudique a ferragem em andamento.

Uma cana media pesada (MH) de acção rápida é a ideal para quem pode levar apenas uma cana

Uma cana media pesada (MH) de acção rápida é a ideal para quem pode levar apenas uma cana

Duas canas

Além daquela levaria uma cana de spinning de 1,96 m de acção rápida e uma capacidade entre os 3,5 g e os 14 g para executar técnicas finesse, como o split-shot, o Texas sem peso (senkos, flukes, tec.), para executar lançamentos mais difíceis, como o skipping que consiste em fazer saltitar a amostra como se de uma pedra e ricochetear a superfície se tratasse; enfim, para tudo o que não conseguirmos fazer com a de casting.

Três canas

Normalmente nunca levo mais de duas canas e, a levar uma terceira, seria uma específica para uma técnica que a massa de água me sugerisse. Por exemplo, se houvesse pouca vegetação e alguma profundidade, poderia levar uma cana de para crankbaits; se houvesse muitas ervas e tapetes densos, optaria por uma cana de acção extra-rápida e com capacidade para os pesos que necessitasse de usar… Acho que dá para compreender o meu conceito de «terceira cana».

Um belo exemplar pescado com uma cana MH de acção rápida, a ideal para Texas sem peso

Um belo exemplar pescado com uma cana MH de acção rápida, a ideal para Texas sem peso



Coberturas e acções

Para pescar com rãs por cima das ervas precisamos de uma cana de acção rápida

Para pescar com rãs por cima das ervas precisamos de uma cana de acção rápida

Devemos sempre ponderar onde vamos usar o quê. Porque, como me lembrou o meu amigo Ramon Menezes há pouco tempo, não vale a pena lançar para o meio de uma árvore e animar extremamente bem uma amostra, se depois não formos capazes de os sacar de lá. Quer isto dizer que, muitas vezes, vamos ter de sacrificar alguma coisa e a luta com o peixe é que não pode ser. Aqui cruzam-se a subjectividade e o compromisso na escolha da cana a usar e prova-se uma vez mais que a cana perfeita não existe.

Também temos de ter atenção às ferragens dentro de mantos de ervas, com os diversos tipos de rãs, aqui, apenas uma cana de ponteira rápida ou mesmo extra-rápida nos pode valer, porque fazer com que anzóis escondidos, se exponham e depois espetem a boca do peixe com as ervas a alterar a trajectória ideal, é muito difícil. Aqui coloca-se também a questão das linhas, para as ervas e para todas as coberturas densas em geral as linhas multifilamentares são uma grande ajuda, porque têm uma elasticidade quase nula e porque cortam as ervas.



Crankbaits versus spinnerbaits

É uma das coisas que me custa mais ver em algumas marcas a atribuição da mesma acção para estas duas amostras. Para mim, um crank precisa de uma acção lenta e um spinner de uma rápida. Se um fabricante colocar esta nomenclatura numa cana de acção regular, não é muito grave, mas quando vejo canas de acção lenta, ou vice-versa, que é suposto servirem para as duas coisas não compreendo. Uma cama de spinners precisa de um ponteira que tire os peixes do meio das coberturas de onde normalmente os pescamos e uma acção lenta não ajuda, mesmo em águas limpas, não podemos esquecer que o braço do spinner serve de anti-erva, exigindo muitas vezes ferragens violentas… Uma acção lenta é muito boa para perdermos peixe com os spinners.



O lançamento é facilitado por uma cana de acção regular

O lançamento é facilitado por uma cana de acção regular

Acções versus amostras

Para amostras com fateixas devem ser usadas canas de ponteira lenta. Para todas as amostras de um anzol apenas, devem usar-se canas de ponteiras rápidas. De um modo muito geral estas são as regras que podemos aplicar quando escolhemos uma cana. Claro que há excepções, por exemplo, prefiro canas de acção rápida para os crankbaits sem pala e estes são, normalmente munidos de fateixas, mas isso é uma questão subjectiva. É que eu pesco muitas vezes com estas amostras no meio de estevas, de árvores, de ervas mais esparsas e até ao fundo, como se fosse um jig.


As minhas opções

Técnicas/Amostras Tamanho Casting/Spinning Capacidade Acção
Drop-shot leve
2,00-2,10 S ML R
Drop-shot pesado 1,96-2,10 C MH R
Finesse 1,80-2,10 C/S M R
Superfície 1,80-2,10 C/S M – ML L – M
Texas 1,80-2,10 C/S MH -H R
Carolina 1,96-2,10 C/S H R
Jig 1,96-2,25 C H – XH R – XR
Rãs 2,10-2,25 C H – XH XR
Ervas 2,10-2,25 C H – XH XR
Spinners 1,80-1,96 C MH M – R
Cranks 1,96-2,25 C ML – M L – M
Jerkbaits rijos 1,80-1,96 C/S ML – M L – M
Jerkbaits moles 1,80-1,96 C/S MH R
Swimbaits rijos 2,10-2,40 C XH L – M
Swimbaits moles 2,10-2,40 C XH R – XR
Flipping 2,10-2,40 C H – XH R – XR

Legenda:

C – Casting <> S – Spinning <> ML – medium-light <> M – medium <> MH – medium-heavy <> H – heavy <> XH – extra-heavy <> L – lenta <> M – moderada <> R – rápida <> XR – extra-rápida




Leia as primeiras duas partes deste artigo:

Como escolher uma cana – parte I

Como escolher uma cana – parte II

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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