Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Uma das coisas que mais me perguntam é que linhas gosto mais de usar. Não é uma questão de marca, mas de tipo.

Ainda na minha última pescaria por terras ribatejanas, em três acompanhantes, dois colocaram essa questão.

Hoje em dia, pesco muito com material de outros pescadores e nem me dou ao luxo de pensar escolher a linha, pesco com o que está no carreto. As mais das vezes não me tenho dado mal. Na verdade, pesco com qualquer coisa e adapto-me com facilidade. Porém, uma escolha correta implica várias coisas, nomeadamente, a de saber previamente para onde vamos pescar e ter um conhecimento mínimo das massas de água que vamos visitar.

Esta problemática das linhas pode ter algo de pessoal, mas também há uma escolha correta, uma errada e algumas de fronteira que respondem às necessidades, embora se mantenham versáteis.

Qual o fio de pesca indicada para cada amostra?

O velhinho nylon serve para a maior parte das aplicações. E esta é, normalmente, a minha primeira resposta. Depois há uma panóplia de copolímeros, com características diversas, que também darão para a maior parte dos casos.

Fluorocarbonos

Uma coisa é certa, para mim, não é a questão da visibilidade da linha (pelos peixes) que influencia mais a minha escolha. Por isso, muito poucas vezes uso os fluorocarbonos. Considero-as linhas que ainda estão na sua pré-história e que têm muito que evoluir para se tornarem mais fáceis de usar. São demasiado «rijas» com uma textura quase vítrea que nos levam a ter cuidado com os diâmetros que usamos nos carretos de spinning, para evitar que a linha saia do carreto, devido à elevada pressão exercida pela torção numa linha com este tipo de textura.

De resto não acho que um achigã compreenda bem o que se passa, e menos ainda que rejeite um pitéu por estar preso a uma linha… Eles atacam peixes no meio de ervas e lagostins agarrados a ervas, a ramos de arbustos e mesmo a pedras sem se preocuparem muito, portanto, que mal fará a linha. Penso mesmo que no meio de vegetação cerrada, não será capaz de distinguir uma linha de uma erva.

Entrançados

Quando falamos de animação de amostras em movimento contínuo, como sejam spinnerbaits, crankbaits, alguns trabalhos de jerkbaits e até de amostras de superfície… A linha perde a importância como elemento visual, porque toda a concentração do predador será focada na amostra. No entanto, executar estes trabalhos com linhas de baixa elasticidade não facilitará a ferragem. Daí que os entrançados, que fazem falta para pescar em ervas, ou em coberturas muito densas de árvores ou arbustos, devam ser compensados com canas de ponteiras mais flexíveis. Excepto para animação das rãs de superfície, em cobertura vegetal densa, bem como para o «punch system» (que se destina a perfurar uma camada vegetal densa para apresentação do isco entre essa camada e o fundo) em que teremos de combinar canas com acção de ponteira extra rápida e entrançados de alto calibre. Já referi muitas vezes que estas linhas cortam a vegetação em vez de a arrastarem e essa é a vantagem que me leva à sua escolha. Estas linhas são usadas mais pela sua elevada capacidade em peso, mas a característica de cortar a vegetação e a de não ter elasticidade podem ser usadas a nosso favor.

Resumindo

Tornando curta uma conversa que dava para horas, posso dizer que poderemos usar qualquer linha desde que conheçamos as suas características e as saibamos usar em nosso proveito perante as condições que encontramos nas nossas jornadas de pesca.

Dei comigo há uns anos a pescar com uma cana, desenhada pelo meu amigo Daniel Roeta para finesse fishing, numa massa d água cheia de ervas, no entanto, tinha no carreto uma linha entrançada o que me permitiu mesmo trabalhar alguns jerkbaits nas poucas aberturas e lutar com os peixes a «rasgar» a vegetação.

Não há, pois, tipos de linhas melhores ou piores. Haverá, sim, tipos de linhas que teremos de conhecer para saber quando e como as usar.

Veja também o artigo sobre como adequar o fio a cada amostra

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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