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Os crankbaits sem pala, também conhecidos como «rattle-traps», são um desses casos de versatilidade que depende essencialmente do conhecimento e da imaginação do utilizador. Com algumas variantes técnicas podemos usar estas amostras de forma a contornarmos as dificuldades, além de nos arriscarmos a capturar grandes achigãs…

De facto, uma das famas destas amostras, além de serem fáceis de usar, é que muitas vezes capturam grandes achigãs. Não é a primeira vez que em provas se consegue o troféu de maior exemplar, nem a primeira em que proporcionam bons lugares em provas, inclusive algumas vitórias. Infelizmente, cada vez se veem menos pescadores a usá-las, até parece que saíram de moda. Não é o caso. Quem as sabe usar, quem conhece o seu potencial, não deixa de ter um bom sortido na sua caixa.

Crankbaits sem pala - para muitos usos diferentes

De que falamos

Trata-se de uma amostra que tem a forma de um peixe variando, normalmente, entre os quatro e os oito centímetros, nas versões que usamos para o achigã. Por curiosidade refira-se que versões muito maiores são usadas no corrico de mar para a captura de dourados, de serras e até de atuns. Estas amostras são afundantes, ou seja, se não forem recuperadas afundam sempre até atingirem o fundo. No seu interior contêm esferas de composição variada, consoante se privilegie os sons e as vibrações de alta ou baixa frequência. Trata-se de um dos iscos mais ruidosos que se usam nesta pesca e isso torna-os aptos para muitas situações. Por norma, apelam mais aos sentidos da audição e da linha lateral, do que da visão, mas, isso não quer dizer que não tenham desenhos, cores ou padrões apelativos para os achigãs. Há pois para todos os gostos, desde imitações de peixes até às dos lagostins.

lipeless crankbait - crankbait sem pala

Lipeless crankbait – crankbait sem pala

Porque se podem usar todo o ano

Como são afundantes não têm limite de profundidade. Ao contrário dos crankbaits de pala, podem ser usados em toda a coluna de água desde a superfície até às profundidades ocupadas pelo achigã. Quanto mais rápida for a recuperação menos afundará ou, caso se tenha deixado afundar antes de começarmos a recolher, mais depressa subirá, facto que nos dá o controlo absoluto da profundidade a que queremos pescar.

O ruído e a vibração que emitem constituem outra das armas. Consoante nos deparemos com águas mais transparentes ou até barrentas temos a garantia de que os achigãs não têm necessidade de os ver para os localizar com precisão, pois a linha lateral do peixe dar-lhe-á a posição correcta facilitando a concretização e a pontaria do ataque. Por outro lado, se as águas forem muito limpas, temos diversos padrões para escolhermos a comida preferida do predador na massa de água em que pescamos.

O tamanho, e por consequência o peso, também pode ser um factor nas águas limpas. É bom que saibamos o tamanho médio das presas do local onde pescamos para podermos imitar com a maior precisão possível, porém esse não é um problema que não se possa resolver de várias formas. A melhor forma é fazermos o que mandam os manuais e fazer a rapidez jogar a nosso favor. Em águas transparentes, as imitações devem ser o menos vistas possível, ou seja, devemos recuperá-las mais rápido de forma que eventuais perseguidores e potenciais atacantes não se apercebam do engano. Neste tipo de cranks isto é essencial.

A versatilidade destas amostras pode ser aferida em quase todas as circunstâncias

A versatilidade destas amostras pode ser aferida em quase todas as circunstâncias

Outra das grandes vantagens deste tipo de amostras é a capacidade de lançamento, não apenas por nos proporcionar grandes distâncias, se assim o desejarmos, mas também devido à sua forma aplanada que nos permite executar lançamentos do tipo «skipping», ou seja, como se estivéssemos a fazer saltitar pedrinhas planas sobre a superfície da água. O «skipping» permite a colocação da amostra com precisão em alguns locais de emboscada, como, por exemplo, debaixo de copas de árvores, ou ainda imitar os peixes pasto que executam um movimento semelhante para fugirem dos seus perseguidores.

Inverno

Nesta estação os peixes encontram-se menos activos e a busca por alimento é menor, como tal, devemos adaptar a animação dos nossos crankbaits sem pala a estas circunstâncias. Uma das formas de o fazer é utilizá-los como se de um jig ou de um regular empate Texas se tratasse, deixando-o tocar o fundo para depois executarmos pequenos saltos obrigando-o a descer a encosta da margem. Podemos optar ainda pelo caminho e pela recuperação inversa, o que se consegue se pescamos da margem ou se nos encostarmos à margem. O movimento consistirá em lançar para a longe da margem, deixar a amostra assentar no fundo, para depois iniciarmos uma recuperação intervalada, com levantamentos de ponteira da cana e pausas, para provocar o contacto com o fundo, à medida que vai subindo a encosta. Para facilitar esta aplicação pode-se optar por retirar a fateixa traseira e, se necessário, substituir a da frente por um anzol único com antierva. Claro que a efectividade pode ser afectada, nomeadamente no momento da ferragem, porém, quanto pensarmos em pescar desta forma temos de correr alguns riscos. Lembro-me de uma pescaria em Santa Clara, por meados dos anos 90, em que consegui duas capturas acima dos dois quilos usando esta técnica. Estava a testar alguns entrançados e isso ajudou a soltar a amostra de alguma prisões, por fim, retirei a fateixa e coloquei um anzol número um com antierva e deixei de ter prisões, porém, foi com esta alteração já efectuada que consegui uma das capturas acima dos dois quilos e algumas mais acima do quilo. A verdade é que as fateixas têm mais propensão para perder peixes que os anzóis simples, facto que me levou a usar muitas mais vezes esta solução.

As recuperações lentas também podem proporcionar boas capturas, especialmente no período mais avançado do Inverno quando os achigãs se preparam para a desova. Não esqueçamos que o Bassmaster Classic de 2007 foi vencido com um padrão baseado neste tipo de amostra e de recuperação. Boyd Duckett tem uma confiança inabalável neste tipo de amostras de tal forma que na pré-desova, especialmente depois da passagem de frentes frias, sempre usa estes iscos como técnica de busca.

Para todo o ano mas em excelente performance nos meses mais frios

Para todo o ano mas em excelente performance nos meses mais frios

Primavera

Passado o Inverno tudo se torna mais fácil. Especialmente depois de passado o período de pós-desova, em que os peixes se encontram mais uma vez letárgicos e em recuperação. Neste caso poderemos continua a usar recuperações lentas. Porém, quando as águas aquecem acima dos vinte graus, tudo se torna muito mais fácil e poderemos usar estes crankbaits como quaisquer outros, ou mesmo como os spinnerbaits. É a altura de os usar nos dois primeiros metros de água com recuperações mais rápidas.

Recordo-me de uma abertura, também em Santa Clara, com o meu amigo Gomes Torres, penso que em 1997, em que nada funcionava e o dia estava a aproximar-se do fim, quando coloquei uma destas amostras. A barragem estava mesmo muito cheia, até mesmo acima da cota máxima, a água estava barrenta junto à margem e as estevas tinham sido alagadas, havendo-as até aos dois metros de profundidade. Não tardou que um exemplar de mais de dois quilos atacasse a amostra mesmo junto da margem. Depois de alguns instantes de luta consegui agarrar o peixe e colocá-lo dentro do barco. Reparámos então que tinha um olho a menos, porém, isso não o tinha impedido de atacar a amostra com precisão.

À medida que as águas aquecem entramos na fase seguinte que é mais complicada.

Verão

O aquecimento da água pode obrigar os peixes a fazer muitas coisas diferentes. Com este aquecimento a água estratifica-se em camadas, formando-se os termoclinas, que são zonas desta estratificação em que a temperatura sofre uma queda mais acentuada. Alguns dos achigãs, especialmente em barragens com pouca cobertura que os proteja, passam a viver perto destas zonas fazendo deslocações pontuais às margens para se alimentarem, especialmente de noite e nas noras de menos luz. Assim sendo é provável que a grande maioria dos peixes de uma massa de água se encontrem em suspensão. A estratificação da água é o principal factor que os leva a tal comportamento, mas não é o único. No entanto, o que nos interessa para a aplicação de uma determinada técnica é conseguirmos encontrá-los e nessa busca estes crankbaits dão-nos muitas mais possibilidades, além de, ao mesmo tempo, poderem constituir uma das melhores formas de os pescarmos uma vez encontrados.

Outono

Chegada esta fase a estratificação desfaz-se e tudo volta a um estado intermédio até que o frio tome conta e o Inverno se instale. Nestes tempos poderemos escolher de entre as técnicas que usámos nas outras épocas do ano, consoante a situação que se nos apresente. Ainda assim, o Outono é uma época e que os peixes se movimentam muitíssimo, tornando, mais uma vez, esta nossa escolha com uma das mais aptas para fazer face a semelhantes desafios. Há quem considere esta fase do ano como a melhor para pescar quantidades, mesmo assim, já se capturam exemplares bem pesados muitos deles até já com ovas.

Como imitação das presas mais comuns procuradas pelos achigãs este tipo de amostras pode fazer quase tudo e cobrir quase todas as zonas em que os achigãs se encontram ao longo do ano.

A captura de grandes exemplares é também apanágio deste tipo de amostras

A captura de grandes exemplares é também apanágio deste tipo de amostras

Material

Como se trata de uma amostra que se usa de várias formas temos de escolher bem a cana mais apropriada.

Normalmente, usando o crank sem pala como um crank, a cana ideal é uma cana de crankbaits em fibra ou carbono com uma acção média e uma recuperação lenta da ponteira. Estas características permitirão uma ferragem mais eficaz num ataque em movimento.

Eu prefiro o material de casting, para poder usar linhas acima de 0,25. A espessura da linha não é tão importante nestes trabalhos.

Se quisermos usar estes iscos como se de um jig se tratasse, ou seja, mais lentamente ou mesmo a subir ou a descer a encosta, como falámos no início do artigo, então a minha opção muda para uma cana de acção média pesada com uma ponteira rápida. Como já não se trata de ferrar em movimento rápido, precisamos de alguma força para ferrar e para dominar o peixe depois de ferrado.

Continuo a preferir o material de casting.

Quanto a linhas, um monofilamento resistente a abrasão, com alguma elasticidade, com pouca memória e com alguma capacidade, pelo menos uns seis quilos, serve perfeitamente para ambas as aplicações.

Não deixe de as juntar ao seu arsenal… Um dia resolverão um problema ou dar-lhe-ão um bom exemplar ou… As duas coisas.

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Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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