Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Todos os pescadores têm uma amostra ou técnica favorita, mas muitas vezes é preferível arriscar e experimentar amostras e técnicas novas.

Quem tem seguido o blog sabe que sou um grande adepto de pescar com senkos. Até ao inicio deste ano pescava com senkos provavelmente 70% do tempo. Conseguia cobrir a grande maioria das situações, desde sub-superfície, estruturas, coberturas, superfície por cima de ervas, etc!

Isto mudou quando em Maio me enviaram uns sacos de amostras para experimentar… eram swimbaits. Nunca me lembro de ter pescado mais que 10 minutos com tal tipo de amostra…

Nessa mesma altura conheci pessoalmente o Hermínio Rodrigues, e das várias conversas que tivemos, mencionei-lhe que me tinham enviado uns swimbaits para experimentar e fazer um artigo de opinião sobre os mesmos, e disse-lhe que não me sentia nada à vontade para aquele tipo de pesca. A resposta dele, que entretanto já ouvi mais vezes, foi simples “Eu sinto-me bem é a apanhar achigãs! Como não interessa, o que interessa é capturar!“.

Tornando-me um melhor pescador

Nessa altura tomei a decisão de dar o meu melhor, ainda por cima a empresa tinha-me enviado as amostras sem pedir nada em troca. Queria mostrar que estava à altura de testar as amostras de forma séria.

A principal opção que tomei foi a de simplesmente deixar de pescar com senkos, pelo menos até ter feito os testes que julgasse necessários.

Felizmente os swimbaits mostraram-se produtivos desde os primeiros testes, e isso ajudou bastante a combater a tentação de voltar aos senkos.

Bom exemplar capturado com uma USM da b8lab

Bom exemplar capturado com um swimbait USM da b8lab durante o período de testes das amostras

Mais ou menos pela mesma altura recebi umas ofertas da Live Target, e comecei também a pescar com os sapos dessa marca. Este caso já foi de mais difícil adaptação que os swimbaits de vinil. No primeiro dia devo ter perdido 80% dos peixes… Pensei, não é possível que o problema seja do sapo, e lá mergulhei na internet em busca de saber para melhorar a minha prestação com os sapos.

Parece que o problema estava mesmo em mim, e na forma de cravar os peixes com o sapo! Afinal, bastava manter o fio com pouca folga e quando o achigã atacasse o sapo, era só recuperar a linha em excesso e efectuar a ferragem com um movimento da ponteira de baixo para cima, quase que na vertical…

Algumas horas de pesca depois esse saber estava assimilado através da prática e surgiam as primeiras grandes alegrias.

Achigã capturado com um sapo da LiveTarget

Achigã capturado com um sapo da LiveTarget

Nessas minhas pesquisas na internet lembro de ter visto um vídeo, não me recordo o nome nem o nome do profissional, onde esse pescador dizia que se quisermos tornar-nos melhores pescadores basta deixarmos a nossa amostra preferida em casa durante um ano!

Nessa altura pareceu-me algo exagerado, mas agora começo a dar razão ao Sr.

Das inúmeras vezes que fui à pesca nos últimos 4 meses lembro-me de ter pescado com senkos 3 vezes. Melhor ainda foi o facto de na 2ª prova da BASS Nation Portugal ter capturado todos os meus achigãs com amostras rijas – nem toquei nos senkos.

Sinto-me agora com mais opções para fazer face ás várias situações que possa encontrar num dia de pesca e, ao mesmo tempo, isso dá-me liberdade para aplicar com mais confiança algumas teorias comportamentais do achigã que têm dado frutos. Como exemplo, uma pescaria em Agosto, num local onde já não pescava à muitos anos. Ninguém estava a ter sucesso… um ou dois peixes na casa dos 18cm cada um, e nada mais. Foi então que, algum tempo depois, passei pelo colega Gonçalo Penedo e lhe disse “vou ali mais à frente onde existe uma parede com água profunda com acesso a uma zona mais baixa, em teoria é aí que os achigãs gostam de estar nesta altura”.

Ao contrário do que teria feito noutros anos, em vez de lá chegar e lançar um senko, ficando depois à espera imenso tempo que tocasse no fundo, coloquei um jig com atrelado, lancei para a zona mais funda e comecei a fazer o jig saltitar pelo fundo, a subir para a zona plana mais baixa. Ao 4º ou 5º lançamento era premiado com um bom exemplar a rondar o Kg.

Achigã capturado com um jig com atrelado num dia complicado de Agosto

Achigã capturado com um jig com atrelado num dia complicado de Agosto

O jig é outra amostra que fazia parte do meu estojo de pesca mas que até ao inicio do ano pouco mais fazia do que compor as caixas. Pelo facto de me ter “libertado” dos senkos tive “oportunidade” de utilizar jigs mais vezes, e acabei por ter muito sucesso com eles este ano. Isto está bem visível na página do Facebook, onde tenho apresentado muitas capturas com jig. Inclusivamente, num dia difícil que encontrei num local onde costumava ter sucesso com senkos, foram os jigs que transformaram um péssimo dia de pesca numa grande pescaria.

Conclusão

Apesar de achar que é importante termos uma amostra ou uma técnica na qual temos plena confiança, é um erro tremendo vivermos presos a essa amostra ou a essa técnica!

Apesar de irmos à pesca e termos sucesso com determinada amostra não significa que qualquer outra amostra não obtivesse melhores resultados. Se nos queremos tornar melhores pescadores é preciso ter a coragem de mudarmos aquilo que nos tem trazido sucesso, com o objectivo de encontrarmos algo melhor que nos esteja a escapar.

Na vossa próxima pescaria aceitem este desafio, e deixem a vossa amostra preferia em casa. Isso irá dar uma hipótese a todas as outras amostras que têm de vos mostrarem que afinal até podem ser melhores do que aquela com que costumam pescar sempre.

Para os que ficaram curiosos e ainda não conhecem os tais swimbaits de vinil de que tanto falei neste artigo, podem ler o artigo que escrevi com as conclusões dos meus testes.

Alberto Nunes

Alberto Nunes é um profissional de Informática viciado em pesca ao achigã. Criou o basspt.com para partilhar as suas ideias e experiências de pesca ao achigã, e para colmatar a falta de informação em Portugal sobre esta temática.

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