Para se ter sucesso na pesca ao achigã, é essencial encontrar o padrão ou tendência do comportamento do peixe, e a melhor forma de se conseguir desvendar esse padrão é aprendendo a criar e manter um diário com o registo dos resultados das acções de pesca.

Certamente já todos tivemos dias em que os peixes se recusam a atacar as amostras, independentemente da técnica ou amostra que utilizemos, e acabamos por nos conformar no final do dia acreditando que a infelicidade foi resultado de um mau dia.
Este tipo de situações podem ser evitadas ou corrigidas através da “arte” de “padronização” do comportamento do peixe.

Mas antes de se construir o padrão, tem que se aprender a registar os resultados, e isso pode ser possível através da criação de um diário com os registos dos resultados de cada acção de pesca.

Como é que este tipo de diário pode ajudar?

A ideia deste diário é a manutenção de um registo permanente de vários critérios de cada acção de pesca, e da captura de cada peixe. Entre estes critérios podemos incluir a claridade da água, o vento, a temperatura atmosférica e da água, data e hora, tipo de amostra, velocidade de recuperação da amostra e o tipo de estrutura que se está a pescar. Um diário deste género poderá ir desde detalhes básicos até ao mais detalhado possível, mas quanto mais informação se conseguir registar, mais útil será no futuro.

Em ultima análise, o objectivo deste tipo de registo da actividade é o de conseguirmos perceber melhor o porquê de se ter conseguido apanhar peixe. Isto consegue-se, prevendo-se o sucesso do futuro com base nos acontecimentos do passado. Se, por exemplo, existir uma variedade de factores na natureza actualmente, semelhantes aos que ocorreram no passado numa boa pescaria, o mais provável é conseguir-se ter sucesso novamente recorrendo aos mesmos métodos utilizadas no passado para esse tipo de condições. Ou, por outras palavras, se tiver apanhado um peixe no ano passado com um spinnerbait branco, numa zona de vegetação enquanto não havia vento, a temperatura atmosférica era 24 graus, e a água estava ligeiramente turva, deve tentar novamente utilizar um spinnerbait branco quando encontrar as mesmas condições. É a isto que podemos chamar de “padronizar”.

Outra coisa interessante que se consegue com este tipo de registos é o facto de conseguirmos ficar com a “imagem real” do passado. Será possível comparar o nº de achigãs que apanhamos este ano com o nº que se apanhou noutros anos. Poderemos saber o nº de horas que se pescou. Saber se o tamanho médio dos peixes aumentou ou diminuiu. Colocar estes dados no papel será mais preciso e útil do que tentar-mo-nos lembrar das pescarias do passado.

Criação da base de dados dos registos

Os registos podem ser mantidos em dois formatos – em suporte de papel ou informático. O melhor será manter um diário com os registos em papel sempre no saco do material de pesca, onde se pode ir adicionando informação com o passar do dia. No final desse dia, ou da semana, essa informação pode ser transcrita para uma folha de calculo no computador, ou para algum programa no telefone ou tablet, o que irá permitir calcular totais de forma bastante simples e fácil, dando também acesso a uma fácil busca de informação. No final de cada ano pode sempre imprimir-se todo o documento, que pode ser armazenado ou levado junto do material no ano seguinte.

Para começar, os critérios que se seguem devem ser mais que suficientes:

  1. Data
  2. Açude ou barragem
  3. Local na massa de água
  4. Nº horas a pescar
  5. Clima (sol, pouco nublado, muito nublado ou de chuva)
  6. Direcção e força do vento
  7. Temperatura do ar e da água
  8. Horas (em que se apanhou o peixe)
  9. Tamanho (peso ou comprimento)
  10. Profundidade e claridade da água
  11. Tipo de cobertura/estrutura onde se apanhou o peixe (ervas, árvores, docas, etc)
  12. Amostra utilizada (incluindo tamanho e cor)
  13. Velocidade de recuperação da amostra

Para o caso de ser necessário registar outro qualquer facto que se ache importante, pode deixar-se um espaço em branco para colocar informações adicionais acerca das capturas.

Um diário com este tipo de informação poderá ser interessante também para tema de conversa entre amigos. Poderemos falar sobre quantos peixes é que já se apanharam a mais este ano que o ano passado. Poderemos saber qual é o record de horas de pesca de cada um. Além disso, com o acumular dos anos e da informação, no futuro será mais fácil saber onde e como pescar e que amostras utilizar em função das condições do momento.

Quem também estiver interessado em começar um diário com este tipo de registos deve no entanto ter em atenção que a sua obtenção não é uma coisa que se consiga de forma rápida, devendo levar pelo menos uma época ou duas a conseguir reconhecer-se algum tipo de padrão, mas o entusiasmo de o manter deverá ser maior à medida que o tempo passa e começamos a ver a informação a acumular-se, e os totais a aparecer.

A Internet é um local bastante bom para se conseguirem templates para diários de pesca, ou mesmo programas informáticos. Para quem não tem dificuldade com o inglês, o melhor será procurar por “fishing logs”. Existe ainda a opção de instalar um dos muito programas disponíveis para os telefones, mas pessoalmente não gosto da parte de ter que aprender a trabalhar com eles, e depois no final não posso trabalhar a informação carregada na base de dados da forma que me apetecer.

Como reconhecer um padrão

Depois de termos passado uma época inteira a registar todos os dados necessários para cada captura que efectuamos, algumas semelhanças deverão começar a aparecer entre diferentes pescarias. Por exemplo, poderá por exemplo verificar-se que quando o vento está de Norte e está céu muito nublado, enquanto pescamos no açude X, o peixe cai bem com crankbaits coloridos no local Y desse açude. Munidos deste tipo de conhecimentos, podem ser feitas previsões para posteriores pescarias com essas condições, podendo desta forma conseguir-se outro dia bem sucedido.

Assim, no dia anterior, antes do dia de pesca, poder-se-á consultar as previsões do clima para o dia de pesca seguinte, o que nos dará uma ideia geral da direcção e força do vento, e da temperatura e condições da água. Podemos então consultar os nossos registos em busca de períodos semelhantes aos que vamos encontrar no dia seguinte. Depois é só tomar notas ou memorizar as amostras e técnicas utilizadas no passado nessas condições que deram resultado no açude para onde vamos.

Se conseguirmos descobrir um padrão no comportamento do peixe teremos uma vantagem adicional para atingir o sucesso, e a melhor forma de se conseguir descobrir um padrão á através da manutenção de um diário com o registo das capturas.

Espero que a manutenção de uma base de dados deste género será a passagem para um próximo nível neste meu hobbie!

Mais alguém vai querer começar um diário deste género?? Quem quiser pode começar por utilizar a minha folha de campo para registo de capturas, fazendo o download aqui.

Alberto Nunes

Alberto Nunes é um profissional de Informática viciado em pesca ao achigã. Criou o basspt.com para partilhar as suas ideias e experiências de pesca ao achigã, e para colmatar a falta de informação em Portugal sobre esta temática.

More Posts - Website - Pinterest - Google Plus