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Nunca tive dúvidas! Divulgarei até que me doa tudo e não possa mais! Esta é a resposta a um amigo… Vou explicar do que falo…

Oiço muitas coisas sobre o Facebook… Há quem goste, há quem não goste, há quem ame e há mesmo quem odeie. Lembrei-me de uma conversa com uma amiga que procurava uma prenda de Natal para uma amiga e, ao deparar-se com uma peça de cristal linda que achava perfeita para a amiga disse: «Infelizmente parece um cinzeiro e a minha amiga está a tentar deixar de fumar… Não creio ser a prenda ideal.» Eu deixei-a percorrer o resto da loja, mas não parecia encontrar mais nada que lhe agradasse. Então, disse-lhe: «Cada um vê nas coisas aquilo que quer, aquela peça de que tanto gostaste é um recipiente para aperitivos, um cinzeiro, um «esvazia-bolsos, enfim… O que quisermos ver nela.» A minha amiga concordou e acabou por comprar…

1995 O primeiro livro, em português, sobre o axhigã

1995 O primeiro livro, em português, sobre o achigã

Este pequeno episódio surgiu-me de um mestre que eu tive que me disse que as coisas em si não são boas nem más, como as ideias em geral, o que fazemos com elas é que pode ser moralizado, valorizado, bom ou mau, desprezível ou louvável… É o que penso do Facebook.

O que é que isto tem a ver com a pesca? É muito simples: mais do que um grande meio de comunicação que pode ser usado como quisermos (claro!), o Facebook é um meio de reencontrar amigos e conhecidos que perdemos algures nos afazeres desta vida cada vez mais rápida.

Há dias, um desses amigos de longa data, com quem tinha deixado de me encontrar por motivos da vida, voltou ao contacto. Ele tem estado a postar fotos muito antigas, não dos primórdios da pesca do achigã em Portugal, mas de uma fase em que já íamos a competições internacionais aqui na vizinha Espanha. Não vou dizer o nome dele, não preciso, até porque ele sabe de quem estou a falar e quem se der ao trabalho de ir ao meu mural, também o reconhecerá facilmente. O mais importante é que estamos de novo em contacto e que, mais dia, menos dia, nos encontraremos e faremos uma festa só por isso.

Uma acção de formação teórica em Reguengos de Monsaraz

Uma acção de formação teórica em Reguengos de Monsaraz

Eu sei que isso não diz nada aos meus leitores atuais, mas o que vou contar de seguida diz.

Pouco tempo depois de voltar ao contacto o meu amigo, pouco habituado ao Facebook e a tudo o que por ali pulula, tentou mostrar-me, infelizmente não conseguiu, umas fotos de um daqueles «predadores» que colocam posts do tipo «eu sou o maior e mato muitos achigãs»… Ou achigãs grandes… Não sei. Não consegui ver a foto, mas elas são, infelizmente, tão comuns que até posso imaginar. O meu amigo denunciou, respondeu e «convocou-me» com uma mensagem parecida com esta: «Ensinaste-os a pescar, agora vê o que eles fazem.» Ao que eu respondi mais ou menos isto: «Costumo ensinar tudo, até o respeito pelas espécies, talvez ele não tenha aprendido comigo, ou não tenha aprendido tudo…»

Uma acção prática no rio Tejo em Abrantes

Uma acção prática no rio Tejo em Abrantes

A questão que se coloca é a de saber se, ao fim de 25 anos a «pregar no deserto», como alguns amigos meus dizem, coloquei a espécie de que tanto gostamos em risco, ou se, pelo contrário, algo melhorou.

Ao recordar o meu mestre, fico absolutamente tranquilo. Cada um faz o uso que quer daquilo que transmito. É um risco que eu corro e que correm todos os divulgadores e até os mais distintos pensadores. Não podemos esquecer que Nitsche foi considerado culpado por alguns de ser instigador das ideias nazis da raça superior que deu origem ao apocalipse e até mesmo à guerra… Será mesmo assim? Não me parece…

2005 O segundo livro sobre o achigã

2005 O segundo livro sobre o achigã

Eu olho à minha volta e vejo a juventude de hoje. Vejo os movimentos em torno do achigã, vejo a BASS Nation e os seus Chapters, vejo grupos como os Achigãs de Portugal, Crazy Bass, até mesmo a FPPD e a APPA, em todos, mas mesmo em todos, vejo preocupação com uma espécie que era pouco mais que uma iguaria gastronómica quando eu comecei a pescá-la… De facto, algo mudou!

É claro que este trabalho não foi apenas meu, mas é tão gratificante ver como se respeita hoje uma espécie que tantas pessoas move e que tantas sensações provoca em seu torno, que assumo de todo a minha responsabilidade… Para o bem e para o mal. Não podemos fechar-nos em nós e guardarmos o que vamos conseguindo aprender. Trazer mais gente para o seio dos que pescam e libertam, passa necessariamente por correr riscos. Eu assumi-os quando comecei como assumo hoje em tudo o que escrevo. Juntem-se a nós!

Para os divulgadores que são também cada vez mais, tentem lembrar-se de passar a mensagem completa, mas nunca deixem de divulgar.

Uma acção de formação prática que coincidiu com uma viagem de finalistas de uma escola do ensino básico

Uma acção de formação prática que coincidiu com uma viagem de finalistas de uma escola do ensino básico

Termino com um ensinamento de Confúcio gasto com o tempo e que até pode parecer paradoxal. Mas numa sociedade como a nossa, a fome da alma sobrepõe-se e, se o peixe lhe fizer falta para comer… Pense bem… É mais barato ir ao mercado do que à pesca.

«Se vires um pobre a pedir e lhe deres um peixe, matas-lhe a fome por um dia, se o ensinares a pescar, comerá a vida inteira»

Confúcio

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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