Pescar ao achigã em águas claras é muitas vezes sinónimo de dificuldades acrescidas.

O facto do achigã nos conseguir ver, e ver o que estamos a fazer faz com que se utilizem outros métodos de pesca.

Utilizam-se fios mais finos.

Amostras mais pequenas.

Procura-se efectuar lançamentos mais longos.

Em muitos casos, o segredo poderá estar na utilização de métodos e técnicas que os achigãs ainda não estejam habituados a ver, como o spy baiting, também conhecida como Captura silenciosa.

História da técnica e amostras

DUO SpinBait 80

DUO SpinBait 80

Segundo Swendseid, “crê-se que o spybaiting surgiu no Japão, no lago Biwa entre 2007 e 2008”. “Outros acreditam que possa ter surgido noutras massas de água mais pequenas perto de Tokyo, Chiba e Yokahama por volta da mesma altura. Nessa altura, começou a existir uma grande inundação no mercado de amostras japonês de amostras com hélices. Muitos pescadores compravam pequenas hélices e começaram a adicioná-las ás suas amostras, na busca de conseguirem encontrar um pulsar e turbulência subtil, que se assemelhasse ao nadar de pequenos peixes de que os achigãs se alimentam.”

A DUO Spinbait 80 foi desenhada por Masarhiro Adachi, um conhecido e conceituado criador de amostras japonês, especificamente para esta técnica.
A amostra apresenta um perfil pequeno, um desenho muito detalhado, anzóis super afiados e hélices que funcionam a velocidades ultra-lentas, tal como é necessário para esta técnica.

Masarhiro Adachi, criador da DUO SpinBait 80

Masarhiro Adachi, criador da DUO SpinBait 80

No entanto, é preciso tomar consciência de alguns factores para se ser bem sucedido na técnica de spybaiting.

Não é uma amostra de hélices de superficie

Um pescador menos atento, irá olhar para o DUO SpinBait 80 e pensar que se trata de uma amostra de hélices de superfície. Parece mais uma jerkbait para finesse super detalhado. No entanto é preciso ter noção que esta amostra pesa 10,63 gramas e que afunda rapidamente. Tem um balastro fixo, que não só permite que seja lançada a grandes distâncias, mas em queda, ondula e cai na horizontal, e não de nariz para baixo.

Tem que ser utilizada onde os achigãs a possam ver

Depois de a deixarmos descer até à profundidade onde acreditamos que os achigãs estejam, simplesmente começamos a recolher o fio o mais lento possível, mas a uma velocidade que permita que as hélices girem. Como a sua acção é subtil, não irá chamar a atenção de achigãs que se encontrem a grandes distâncias da amostra. É preciso que os achigãs se encontrem nas proximidades e que a água seja suficientemente clara para que a consigam ver.
Segundo alguns relatos de pescadores, a amostra é a resposta para as situações que acontecem em águas claras quando os achigãs vêm a trás das amostras mas não as atacam.

spinbait_80_pesca_achiga

Já temos 2 DUO SpinBait 80 para testar!

Tem que se utilizar fios finos

A técnica é relativamente simples de aplicar, com lançamentos longos, contar a descida da amostra até à profundidade desejada e depois recolher a linha lentamente, fazendo as hélices girar e tentando manter a amostra em baixo, na profundidade desejada. A resistência da água fará a amostra subir. Quanto maior a espessura do fio, mais tendência a amostra terá em subir. E fluorocarbono muito grosso, fará com que a amostra afunde e eventualmente se prenda no fundo. Basta apontar a cana para a amostra e recolher o fio lentamente, tentando evitar contacto com o fundo ou vegetação, mas tentando sempre manter a amostra na profundidade onde julgamos que os achigãs estão.
É preciso alguma paciência e prática até começarmos a conseguir pescar de forma correcta. Um ponto chave é a escolha de um fio de fluorocarbono de diâmetro reduzido – 0,18mm a 0,20mm – que ajude a manter a amostra na zona de ataque e ao mesmo tempo evite o contacto com o fundo. Como a amostra não tem uma pala na frente, se entrar em contacto com o fundo pode ficar presa com facilidade. Segundo Swendseid e outros pescadores que têm aperfeiçoado a técnica no Japão, utilizar linhas com 0,23mm já é começar a abusar, porque a amostra começa a ser puxada para baixo pela linha ou o diâmetro começa a oferecer muita resistência na água.

Possui muitas vantagens em relação a técnicas tradicionais

É como se fosse um cruzamento entre um crankbait, um spinnerbait, um swimbait e até mesmo um jerkbait numa só amostra. Não vai chamar a atenção de achigãs que se encontrem à distância como essas amostras poderão fazer, mas se os achigãs se encontrarem na zona da amostra, parecem ter alguma dificuldade em lhe resistir.

O DUO SpinBait 80 é pequeno, possui duas fatechas com anzóis muito afiados, e pode ser lançado por grandes distâncias. Alguns pescadores já costumavam pescar swimbaits de forma semelhante, mas o que normalmente lhes acontecia era que apenas conseguia cravar 1 peixe em cada 4 ou 5 ataques que tinham. Com a técnica de Spy Baiting, consegue-se apanhar praticamente todos os achigãs que atacam, pois no seu pequeno perfil oferecem um grande poder de cravagem.

 

Vídeos com a DUO SpinBait em acção

 

É aconselhado que se verifique o fio com regularidade, principalmente sempre que se apanha um peixe ou a amostra entra em contacto com algum obstáculo, pois como estamos a trabalhar diâmetros de fio muito pequenos, pode-se partir o fio e perder a amostra com facilidade ao cravar um peixe ou deixar a amostra bater em vegetação, por exemplo.
Sendo uma técnica de finesse, e mesmo considerada por muitos como ultra-finesse, aconselha-se a utilização de uma cana de spinning de acção média, com um carreto com um baixo ratio.

Alberto Nunes

Alberto Nunes é um profissional de Informática viciado em pesca ao achigã. Criou o basspt.com para partilhar as suas ideias e experiências de pesca ao achigã, e para colmatar a falta de informação em Portugal sobre esta temática.

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