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Este artigo é a continuação deste.

Travar ou não

Muitos são os pescadores que travam o peso junto do anzol para que ele não se mova. Esta maneira de empatar facilita a penetração do isco nas coberturas e evita enganches, porém, só se deve usar em presença de coberturas e, mesmo assim, em alguns casos nem será necessário. O que se passa é que a naturalidade de movimentação do isco é afectada e, não sendo absolutamente necessário, não se deve prender o peso.

stopperAs formas de fixação variam e o mercado tem dado resposta com maneiras cada vez mais eficazes. Há quem use um palito que se insere na bala apertando a linha contra o chumbo, mas essa não parece de facto a melhor forma, uma vez que vai ferir a linha, podendo levar à sua rotura. A vantagem do palito é que permite alguma maleabilidade do peso, que não fica agarrado à amostra, deixando uma articulação livre entre o peso e o anzol. Outro tanto se diga para o filamento cónico de borracha que, fere menos a linha, mas, mesmo assim, ainda se corre esse risco. Já há alguns anos que se usam «stoppers» de borracha noutros tipos de pesca e esta parece-me a melhor solução. Trata-se de uma borrachinha em forma oval com um orifício que permite a sua colocação na linha acima e/ou abaixo do peso. O seu uso, com efeito, aumenta as nossas opções, porquanto, podemos dar folga ao peso ou prendê-lo antes de cada lançamento, permitindo uma aproximação ideal ao tipo de cobertura presente ou à sua total ausência.

O reinado do finesse

Estamos na área do finesse fishing. Amostras até aos dez centímetros, no máximo quinze, linhas o mais finas que pudermos usar, não pela ideia de que o peixe vai ver a linha e fugir, mas como forma de proporcionar um trabalho mais real ao isco e uma melhor sensibilidade ao ataque. Não se esqueçam que com este empate a ferragem tem de ser violenta. O normal é não ultrapassarmos os 0,25 milímetros de diâmetro e a escolha de linhas com pouca elasticidade e muita resistência à abrasão.

Diga-se em abono da verdade que, a grande maioria dos empates Texas que usamos em Portugal, insere-se nesta categoria. Uma das coisas em que a nossa aproximação à pesca do achigã diverge da dos americanos é precisamente nisto: os americanos vão sempre tentar usar o maior e o mais grosso possível, enquanto que nós fazemos o inverso, escolhendo o mais pequeno e o mais fino possível. Se não houver exageros é, no entanto, legítimo afirmar que muitas vezes resulta precisamente no mesmo, consoante as condições. O que se passa é que nós por cá temos mais lagos fundos e de águas límpidas, o que nos leva a esta forma de escolher os materiais, muito influenciada pelo nosso passado como pescadores. Quer tenhamos sido pescadores de ciprinídeos ou de trutas, as escolas europeias abordam estas variantes com material muito ligeiro e, portanto, iscos pequenos e linhas de baixo calibre.

O Texas invertido

Com a passagem de frentes frias, tão comuns nesta época do ano, os achigãs abrigam-se o mais próximo

Montagem Texas invertido

Montagem Texas invertido

possível das coberturas, especialmente dos troncos das árvores submersas. Para esse tipo de situações o empate Texas também pode brilhar, embora muitos prefiram usar jigs para essas situações. As recentes evoluções deste empate deram origem a uma inversão da colocação do anzol, colocando-o em posição de ferragem e permitindo que se embrenhe nas coberturas mais densas. A sua invenção atribui-se a Seiji Kato, o famoso pescador e desenhador de amostras japonês, que desenhou o seu Cover Craw propositadamente para este tipo de montagem. Um dos maiores desafios deste tipo de pesca é conseguirmos retirar os peixes de dentro dos seus abrigos. Na verdade, não é fácil lutar com um peixe num emaranhado de ramos em que sempre se pode refugiar. O meu conselho é que aumentem o diâmetro da linha, que não deve ser uma preocupação num meio deste tipo e, além disso, que abandonem a típica cana medium-heavy e que usem uma heavy ou mesmo extra-heavy.

A ferragem deve ser mais forte ainda, de forma a provocar um efeito surpresa que nos permita retirar o peixe de dentro da árvore, antes que ele se aperceba do que se está a passar, para depois o deixarmos lutar fora do seu esconderijo. A posição do anzol vai ajudar muitíssimo nesta tarefa, o que em alguns casos me faz deixar o jig de lado e optar por esta técnica.

Para que afunde mais depressa podemos colocar um «insert» de chumbo ou de tungsténio, normalmente o peso da amostra é suficiente, se tivermos em conta que os peixes nestes ambientes não necessitam de estar muito fundos, mas, se os encontrarmos mais fundos, compensa usar um pouco mais de peso. Atenção que não devemos permitir que o «insert» impeça ou dificulte a ferragem. Tendo isto em mente, podemos colocá-lo pela base ou pela zona das patas, bastando que o afastemos da ponta do anzol.

Insert

Insert

Não há pescador de achigã que não conheça este empate. Se você está fora do lote dos que dominam a técnica… Está muito atrasado… Claro que estou a brincar, está sempre a tempo, mas nem pense passar ao lado! Não dá mesmo! Ah… E não se esqueça. Desfrute! Divirta-se! É esse o intuito da pesca.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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