Os factores que agora vamos abordar são muito importantes na escolha das técnicas a usar para atrair e pescar achigãs. Mas não podemos usar esta informação como radicalmente manietante, ou seja, de forma que nos impeça de pensar ou de ser criativos… A pesca é linda porque uma das suas principais características é a imprevisibilidade… Dentro de certos parâmetros previsíveis que foram conseguidos por muitos anos de investigação com base em «verdades» estatísticas, ou seja, médias… Pois. Mas nunca se esqueçam que cada peixe pode sair dessa média que por excesso quer por defeito… Baralhados? Então assentemos ideias.

A transparência das águas

A «cor» da água dá-nos indicações sobre os tamanhos e cores das amostras e a velocidade com que as deveremos trabalhar.

Ao lidar-se com água muito transparente devem usar-se amostras de cores naturais, isto é, que imitem os alimentos preferidos dos achigãs e que sejam mais ou menos do tamanho real dessas presas que normalmente são os lagostins, os peixes, como a perca-sol e a boga, e as rãs, para dar apenas alguns exemplos.

Nessas mesmas águas transparentes deveremos trabalhar essas amostras mais depressa do que em águas turvas ou barrentas. Porquê?

Porque nas águas de visibilidade inferior temos de dar tempo aos peixes para localizarem as amostras. Para os ajudar nessa tarefa, deve ainda aumentar-se os tamanhos das amostras e usar cores que sejam mais visíveis.

Cranckbait amarelo, ideal para águas mais turvas

Cranckbait amarelo, ideal para águas mais turvas

Resumindo: águas transparentes, amostras pequenas, cores naturais e rapidez de execução das técnicas; águas barrentas, amostras maiores, cores vivas e lentidão no trabalho das amostras.

A temperatura da água

Este é outro desses indicadores essenciais para a escolha das amostras e das técnicas. Este factor é talvez o mais importante dado que, sendo os peixes animais de sangue frio, é a temperatura do seu meio que determina a forma como reagem, a sua velocidade, a sua necessidade de alimentos, numa só palavra, o seu metabolismo.

Jerkbait de cor natural. Ideal para pescar lentamente em águas frias e transparentes

Jerkbait suspending de cor natural. Ideal para pescar lentamente em águas frias e transparentes

Em águas mais frias ou demasiado quentes, abaixo dos 12 e acima dos 29 graus, deveremos sempre usar amostras pequenas e trabalhá-las devagar, o apetite dos peixes não é muito grande, o seu estado é letárgico e, por norma, de inactividade total. Se estamos em águas amenas, entre os 18 e os 27 graus, os peixes poderão estar activos ou neutros, mas não rejeitarão uma boa refeição que se lhes apresente vulnerável e acessível, assim sendo, vamos usar amostras maiores e trabalhá-las mais depressa… Claro que este «mais depressa» ou «mais devagar» são velocidades a que só poderemos aceder por experiência própria, praticando diversas vezes, até acertarmos com a que funciona.

Velocidade e peso

Entre estes extremos, cada qual deverá analisar as variantes possíveis de forma a encontrar um compromisso que funcione e nas condições que nos surjam. Amostras há em que quando se disser «velocidade» deve pensar-se no «peso», como é o caso dos iscos de plástico mole e dos jigs, em que é o peso que lhes é aplicado que determina a velocidade de queda. Se quisermos trabalhar um jig grande (que é sempre pesado), para que se veja bem, e devagar, para dar tempo ao peixe (águas barrentas ou muito escuras), teremos de usar um atrelado de elevada flutuabilidade, para que este atenue a queda que seria rápida. De outra forma, poderemos usar um jig pequeno com um atrelado grande, para o tornar visível sem que o seu peso aumente em demasia.

Em amostras de vinil, como este lagostim da Biospawn, adicionar mais ou menos peso ditará a velocidade da queda da amostra

Em amostras de vinil, como este lagostim da Biospawn, adicionar mais ou menos peso ditará a velocidade da queda da amostra

Pescar devagar é apanágio dos verdadeiros pescadores, que para isso possuem paciência. A apresentação que maiores e mais peixes atrai é a que for mais lenta. Como veremos, há técnicas que obrigam a parar as amostras por longos períodos.

As cores

Por fim, as cores. É dos assuntos mais delicados e que mais contradições tem gerado dentro deste mundo da pesca do achigã.

Existem regras definidas desde há muitos anos atrás que funcionam sempre e, depois, as «manias» de cada um, que, por vezes, se sobrepõem ás tais ditas regras… Embora nem sempre sejam para cumprir…

Escolher a cor da amostra poderá ser mais fácil tendo em conta as regras básicas

Escolher a cor da amostra poderá ser mais fácil tendo em conta as regras básicas

Então, o que acho é isto: em águas escuras – amostras escuras; em águas claras – amostras claras; e, em águas barrentas – cores vivas, fluorescentes. Em dias escuros (céu encoberto) – amostras escuras e em dias claros amostras claras. De noite – preto; ao nascer do dia e pôr do sol – amostras escuras; e, durante o dia, se houver boa luminosidade – amostras claras e/ou cores ou padrões naturais. Amostras escuras serão pretas, castanhas, azul-escuras, cor de vinho, lilás, etc. Amostras claras são as transparentes, translúcidas em azul, verde, rosa e as cores claras como castanho-claro, azul-claro, etc. Cores vivas são as chartreuse (verde-alface), laranja, vermelho-vivo, branco, etc.

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Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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