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Cruzar dados

Nos cruzamentos das condições de luminosidade entre o tom da água e o tom do dia, deve prevalecer o deste último, ao tratar-se de águas límpidas, se as mesmas forem opacas ou barrentas deve atender-se as águas, dado que os raios solares não penetram convenientemente para que possam ser considerados.

Em águas excessivamente turvas ou em períodos de baixa luminosidade a preocupação com a cor e quase desnecessária. A cor é a capacidade que os materiais têm de reflectir uma determinada cor do espectro solar absorvendo todas as outras. Se um objecto se nos apresenta com a cor lilás é porque absorve as outras cores e reflete apenas o lilás. Se a luz não penetrar, seja qual for a cor da amostra, esta apresentar-se-á negra…

Pensar para melhor escolher

Estas regras foram fixadas de acordo com a optimização da percepção por parte do achigã, partindo do princípio que é importante que ele as veja… Não será sempre assim, e é aqui que as discordâncias de que falámos podem entrar em jogo.

Amostras como esta, com cores e padrões realistas, serão uma mais valia se a perca sol for uma das principais presas do achigã

Amostras como esta, com cores e padrões realistas, serão uma mais valia se a perca sol for uma das principais presas do achigã

Há quem considere que a imitação das presas, que em determinada altura do ano os achigãs procuram, é fundamental. Será, mas não nos esqueçamos que pretendemos pescar peixes também por irritação e não exclusivamente quando eles querem comer. Não sendo esta última ideia inválida, dado que em determinadas alturas e em águas transparentes é importante que ela se cumpra. Quero deixar expresso que a percepção do peixe através da visão é muito importante quando está a caçar e, em primeiro lugar, é preciso facilitar-lhe essa percepção. Mesmo dentro das cores das presas existem tonalidades mais claras e mais escuras, que nos podem ajudar a encontrar a «semi-soma» entre ambas as regras.

Também não é conveniente esquecermos que a curiosidade é um dos motivos que leva o achigã a atacar uma amostra que nunca viu, de uma cor que nunca viu ou que nada tem a ver com as cores dos seus alimentos. Além disso, um lagostim tem variações de tons de cor que vão desde os verdes aos castanhos, passando pelo laranja e pelo vermelho. Eis como se pode apresentar um lagostim através de cores claras ou escuras e/ou vivas.

Algumas amostras de vinil, como estes lagostins da Biospawn, tiram partido dessa variação de cores, ao apresentarem duas tonalidades diferentes na mesma amostra

Algumas amostras de vinil, como estes lagostins da Biospawn, tiram partido dessa variação de cores, ao apresentarem duas tonalidades diferentes na mesma amostra

Quebrar regras

Muitas vezes é preciso seguir o instinto e quebrar as regras

Muitas vezes é preciso seguir o instinto e quebrar as regras

Não pensem, no entanto, seguir a risca as regras… Cada um deve criar os seus próprios hábitos em termos de cor. Uma das coisas que seguramente posso adiantar é que, em determinadas massas de água, há cores que funcionam melhor do que outras, sem que haja justificação aparente para que tal aconteça.

Quando penso Santa Clara, penso dourado (mas conheço amigos meus que pensam verde); Pego do Altar, azul; Castelo do Bode, castanho claro/branco (cores de boga) e «fire-tiger» (cores de perca-sol); Cabril, amarelo… Esta lista é pessoal e não tem nada a ver com estados de tempo ou cores de água, são os chamados «feelings» que cada um de nós possui e que nos dá uma margem de confiança muito grande e importante para o sucesso.

Mais uma «dica» que deixo é a de que gosto de ver vermelho em todas as combinações de cores, pois penso que empresta às amostras um certo ar de vulnerabilidade (vermelho é cor de sangue) que os achigãs tanto apreciam. Para quem quer usar uma só, digo: preto! A última cor a desaparecer no espectro das cores que o achigã vê é o roxo (cor de uva), podendo usar-se na maioria das condições, até porque e uma cor neutra, não é clara nem escura e pode ser fluorescente.

Cor e reflexo

Depois das cores entra o reflexo, que também tem um papel muito importante. Os acabamentos com flocos metalizados de diversas cores, ajudam, não só porque tornam as amostras mais visíveis e brilhantes como também por imitarem as escamas de muitas das presas disponíveis. Outro tipo de brilho e reflexo é conseguido com vernizes em quase todas as amostras. Os dourados e prateados funcionam em todos os tipos de águas e são usados tanto nas lâminas de spinners e buzzbaits como nos corpos de imitações de peixes.

Ao passar próximo de um achigã, as lâminas de um spinnerbait imitam o reflexo de um pequeno cardume de peixes

Ao passar próximo de um achigã, as lâminas de um spinnerbait imitam o reflexo de um pequeno cardume de peixes

Por exemplo, um pequeno ckank chatreuse que passe por um achigã bem rápido pode deixar apenas um reflexo a imitar a cauda de uma perca-sol em fuga…

É! Nisto da pesca de predadores é preciso pensar bem no que ele vê. E não é essa uma das belezas insofismáveis da nossa pesca? Eu acho que sim!

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Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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