Já publicámos um artigo sobre coberturas e estruturas em que explicamos as diferenças, mas, mais uma vez, há quem baralhe tudo. Serve então esta prosa para desfazer o equívoco e, já agora, para fazer uma análise às imagens e ao que manifestamente provam.

Estrutura é tudo o que é fixo numa massa de água, os contornos da margem e do fundo. Cobertura, por sua vez, é tudo o que, não fazendo parte dessa base, funciona com ela e sobre ela. Como exemplos de estruturas poderemos falar dos bicos, das valas e canais, das ilhas submersas, etc. Coberturas serão rochas soltas, árvores e vegetação viva ou morta, paredes artificiais, casas submersas, etc. Tudo o que foi «plantado» nas estruturas.

Sabemos já que os achigãs usam as estruturas como locais de passagem ou de fixação, mas a conjugação das estruturas com as coberturas serão sempre preferidas por eles.

Há poucas horas, um amigo italiano publicou esta imagem no seu mural do Facebook:

bass and cover

O que vemos na imagem vai um pouco além disto… Um simples traço pintado numa parede pode fixar estes predadores, no entanto, o que falta mostrar aqui é a conjugação. Se houvesse um traço apenas e um molho de pedras, os achigãs prefeririam as pedras, mas alguns ficariam pelo traço, ou seja, isso ia dividi-los. Talvez até um peixe mais agressivo ou dominante, pudesse tomar conta das pedras e obrigasse os outros a ficarem pelo local do traço pintado… Pois. Mas não nos mostram isso.

Em termos de preferências por parte dos achigãs sabemos já que eles preferem a vegetação viva. Mas, mais uma vez, se houver um tronco, ou uma pedra no meio de uma zona de vegetação, o achigã mais apto tomará conta desse «pedaço» e tentará afastar os restantes por razões diversas, mas especialmente se estiver em busca alimento ou de zona para a desova.

Assim, o que daqui teremos de retirar é que estas imagens são relevantes, mas há muito mais a ter em conta.

Logo depois da vegetação viva os achigãs gostam de coberturas de madeira, velhas árvores vivas ou mortas, troncos caídos, etc. E, finalmente, escolherão as pedras, os montes de pedras, uma pedra grande, ou os chamados rip-raps naturais ou artificiais.

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Dito isto, não poderemos esquecer as conjugações entre estas coberturas com as estruturas em que estão implantadas. Vegetação num baixio é sempre bem-vinda, uma árvore na ponta de um bico e de preferência submersa faz os sonhos de achigãs grandes e, logicamente de quem os persegue, como nós.

Coberturas demais podem ser um problema

Coberturas demais podem ser um problema

Quando analisamos uma massa de água em que vamos pescar teremos de procurar as melhores zonas e elas não devem andar muito longe desta simples conjugação de estruturas e coberturas… As que houver e se as houver. Não havendo coberturas… Haverá estruturas. Se se tratar de um habitat todo muito igual, sem coberturas ou com coberturas demais… Eles vão-se dispersar e serão difíceis de localizar. No entanto, mesmo assim, deveremos tentar, vai ser mais caótico em termos de escolhas, mas acabará por valer a pena. Se isso nos incomodar muito, poderemos sempre levar umas coberturas por nossa iniciativa ou desbastar, no caso de serem demais, ou juntar uma cobertura diferente… Já imaginaram colocar um tronco num manto de vegetação verde? Bem… É quase o mesmo que fizeram no tanque da imagem. Plantar coberturas é um dos melhores meios para fixar achigãs.

Pensem nisso nesses pegos mais pequenos e mais limpos ou carregados de um impenetrável manto verde.

Ah! E… Divirtam-se! É essa a essência da pesca!

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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