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Vamos hoje começar uma série de artigos sobre o habitat do achigã. Trata-se de matérias teóricas da maior importância no dia-a-dia da pesca. Aproveitamos a fase de defeso para estes temas que, sendo da maior importância, nem sempre são conhecidos de todos.

No panorama da nomenclatura aliada a pesca do achigã verifica-se alguma confusão em redor do conceito de «estruturas». Quando actualmente falamos em estruturas, estamos a referir-nos a concepção lata do termo, que engloba dois conceitos distintos – o de estrutura e o de cobertura.

O erro pode ser encontrado mesmo no país de origem de todos estes nomes. Tenho lido vários Livros que também não procedem a esta distinção. É, no entanto, da mais elementar necessidade saber do que estamos a falar quando queremos ser explícitos, e, assim, passo a devida explicação.

Coberturas

Comecemos pelo mais simples e, antes de definirmos com precisão, entremos em alguns exemplos.

Coberturas são as plantas aquáticas; as árvores que ficaram aquando da construção da barragem; as rochas que estão soltas – por exemplo no paredão; as obras levadas a cabo pelo homem, como sejam os pilares de pontes e as docas fixas ou flutuantes. São, portanto, elementos que, tendo uma relação com margens e o fundo da massa de água, são delas dissociáveis. Não sendo parte fixa, são elementos sem os quais não seria posta em causa a forma geral da dita massa.

A vegetação viva é a melhor cobertura para os achigãs - oferece comida abundante, oxigénio e locais de emboscada

A vegetação viva é a melhor cobertura para os achigãs – oferece comida abundante, oxigénio e locais de emboscada

Erramos quando dizemos que determinadas árvores ou certo banco de vegetação constituem uma óptima estrutura. Na verdade, são, isso sim, excelentes coberturas, Aliás, como o próprio nome indica, cobertura é algo que cobre, que está sobre.

As coberturas que mais frequentemente procuramos para pescar são – por ordem da sua importância em termos da sua escolha pelo achigã para seu habitat – as plantas vivas; as árvores ou arbustos vivos ou mortos, na forma de troncos e ramagens mais ou menos compactas; as formações rochosas mais ou menos soltas e não como elementos fixos de uma determinada margem ou fundo.

Quando pescamos em albufeiras com vegetação abundante, nunca deveremos deixar de procurar aí os achigãs. É o seu habitat preferencial, especialmente nas grandes aglomerações de plantas em desenvolvimento vertical. As flutuantes constituem também excelentes abrigos.

Em bancos de vegetação maciça é necessário procurar, por um lado, as aberturas que haja e, por outro, os canais que se formam por acção de troncos caídos ou devido a canais preexistentes. Os primeiros constituem óptimos locais de emboscada e abrigam achigãs em estado neutro ou mesmo inactivos mais junto do fundo, se bem que nesta situação prefiram embrenhar-se nas zonas mais densas. Os segundos são autênticas estradas por onde se deslocam peixes mais activos em busca de comida.

As árvores e arbustos são também elementos de concentração de peixe, e quando as encontramos deveremos tentar estabelecer padrões que funcionem e a que habitualmente possamos recorrer,

Árvores caídas e outros tipos de vegetação morta proporcionam também bons locais de caça e de proteção

Árvores caídas e outros tipos de vegetação morta proporcionam também bons locais de caça e de proteção

Existem as que normalmente concentram peixe, havendo outras em que e raro conseguir-se pescar um exemplar. Isto tem a ver com vários factores, como sejam o nível da água; o tipo de árvore ou arbusto e, não menos importante, a sua relação com as estruturas envolventes. De todas as coberturas, as que funcionam melhor são as que se aliam a estruturas, as alterações importantes no fundo da massa de água.

Outra cobertura que se encontra vulgarmente são os rip-rap. São conjuntos de pedras soltas mais ou menos ordenadas ao longo de uma margem ou mesmo submersas. Alguns formam-se naturalmente por quebra das rochas, devido às sucessivas contracções e dilatações que o frio e o calor provocam. É um dos tipos de erosão que se faz sentir mesmo nas albufeiras do Sul em que os invernos são muito frios, onde, apesar de não nevar, as geadas são frequentes.

Falemos agora dos artificiais. Movimentos de terras, terraplenagens e a construção de pontes e paredões, dão origem a rip-raps. São locais de concentração de achigãs por vários motivos, onde os peixes mais pequenos e os lagostins abundam e por constituírem zonas de ruptura em relação ao traçado normal de uma margem. Os achigãs são atraídos por qualquer variação na forma do seu habitat e, dizem os entendidos «pros» americanos, que nada melhor do que um crankbait para localizar achigãs e pescá-los nestas coberturas.

Outras formações de pedras soltas são também coberturas a considerar.

Obras de consolidação de margens também são coberturas interessantes

Obras de consolidação de margens também são coberturas interessantes

Existe, por fim, todo um tipo de infra-estruturas artificiais que constituem boas coberturas. Os próprios paredões, as pontes, especialmente os pilares mais próximos das margens; as rampas de acesso de embarcações; as docas fixas ou flutuantes. Todos estes locais, pela diversidade que provocam numa massa de água e por fornecerem sombras, atraem achigãs e podem mesmo originar concentrações consideráveis.

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Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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