Este artigo é a continuação deste..

Os canais de ribeiras que ficaram sob uma massa de água, são das melhores estruturas para pescar achigãs. São autênticas auto-estradas por onde eles executam os seus movimentos com segurança e constituem mesmo zonas de fixação em determinadas épocas do ano, em alguns casos, e ao longo de todo o ano, noutros. Tendo em conta a profundidade a que se encontrem e a sinuosidade do trajecto, podem ser áreas a pescar durante todo o ano, mas e sabido que na pré e na pós-desova – altura em que a espécie deixa tudo para trás com o intuito de se reproduzir – é neles que primeiro se preparam e depois descansam.

Nas zonas em que o trajecto seja mais sinuoso, com curvas e contracurvas, pode mesmo verificar-se a concentração de peixes durante todo o ano. Sendo o único obstáculo a que assim suceda o constante sobe e desce do nível de água das nossas barragens. Nesses casos, os achigãs tornam-se mais móveis, passando grande parte do tempo em suspensão, não querendo com isto dizer que não se relacionem com as estruturas, podendo até suceder que se desloquem com mais frequência de estrutura para estrutura.

Zonas em que haja coberturas associadas a estruturas serão sempre de considerar

Zonas em que haja coberturas associadas a estruturas serão sempre de considerar

Os drop-offs são quedas abruptas que terminam zonas planas ou de inclinação mais suave. Existem margens que descem abruptamente, havendo outras que têm inicialmente uma descida suave dando lugar ao tal drop-off, uma queda mais acentuada. É pois uma estrutura muito variável e constitui ponto de segurança, o local onde os peixes se sentem bem, mas assim que o ultrapassam, entrando em zonas mais baixas, passam de imediato a estar mais vulneráveis. Nas albufeiras com pouca cobertura são albergues de peixes inactivos ou neutros, que estão a digerir alimentos ou enfraquecidos pela passagem de uma frente fria. São muitos os motivos que os mantêm nestes sítios que apenas abandonam quando necessitam de procurar alimento ou quando tudo esquecem para dar largas ao seu instinto reprodutivo. É onde deveremos procurá-los no Inverno, imediatamente antes e após a desova, e quando o Verão aquecer demasiado a superfície se não houver boas coberturas.

Os bicos são a estrutura que mais facilmente identificamos por se tratar de algo visível, mas é preciso não esquecer o seu prolongamento submerso. Muitas vezes vemos uma margem perfeitamente regular e, quando nos aproximamos, damos conta de bicos completamente submersos que não se denunciam a um primeiro olhar.

Para os definir basta lembrarmo-nos da nossa terceira ou quarta classe da Escola Primária. São autênticos cabos – entradas de terra pela água dentro –, na sua definição mais simples. Existem, no entanto, bicos primários e secundários.

Os primeiros são os mais importantes pelo seu tamanho e surgem normalmente nas entradas de braços no corpo principal da massa de água, constituindo pontos de paragem para achigãs que migram, e de fixação para alguns que manifestam comportamento maís estável.

Os bicos secundários são menos pronunciados e podem até relacionar-se com um primário, estabelecendo zonas de corredores entre si. Peixes que queiram caçar deambulam muitas vezes entre bicos por esses corredores.

Zonas de transição e cumulativas

Como facilmente se depreenderá, as formas de que estas estruturas podem revestir-se são inumeráveis, tendo sempre em atenção que normalmente, depois de um bico de inclinação suave existe um drop-off e que, depois desse, poderá haver um canal, e para além das diversas formas de cobertura… Nunca mais se acabaria este entrelaçado de situações, que variam durante o ano, com o possível desenvolvimento de vegetação e com o subir ou descer das águas.

Exemplares como este gostam de ervas, mas num pego cheio de ervas temos de estar atentos ás zonas de transição

Exemplares como este gostam de ervas, mas num pego cheio de ervas temos de estar atentos ás zonas de transição

Tenha sempre presente que a localização de cruzamentos de estruturas com coberturas, bem como de transição entre elas, constituem uma das chaves de sucesso desta pesca. Uma zona de árvores, arbustos ou ervas, pode ser pobre em achigãs se não houver grandes diferenças em termos de estruturas.

Nunca perca de vista as alterações, os pontos de ruptura, isto é, os locais onde termina um banco de ervas; onde o fundo muda de rocha para areia ou lodo, etc.

Quando pescar num local com muitas árvores, repare sempre para marca da água em relação a altura da árvore, pois isso pode fornecer-lhe indicações preciosas sobre os desníveis do fundo ou sobre as estruturas envolvidas.

Este artigo é a conclusão de uma série de 3 partes. Para ler desde o inicio clique aqui.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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