Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Este tipo de pesca não se resume ao pequeno número de técnicas que normalmente se apresentam estritamente, a saber, o darter head jigging, o doodling, o split shoting e, mais recentemente, o drop shot. Na verdade, todas as técnicas têm uma versão finesse, basta reduzir tamanhos, pesos e espessuras de linha. O finesse fishing surge associado a linhas finas, amostras pequenas e pesos inferiores, porém, trata-se de ser mais esperto, mais subtil, mais audaz. Assim, pode falar-se de um finesse flipping, de um finesse pitching, realmente pode nomear-se qualquer técnica e atribuir-lhe o adjectivo «finesse» quando se use para enganar peixes que, de outra forma, seriam impossíveis de capturar.

Sabemos que a pressão de pesca e as condições adversas que o clima impõe obrigam os peixes a comportamento reactivos que os tornam, em alguns casos, quase impossíveis de pescar, este «quase» é o reino do finesse fishing. É aqui que este faz o que outras técnicas não conseguem, especialmente as técnicas desenvolvidas no Leste americano, darter head jigging, o doodling e o split shoting, a que se associou outra vinda do Japão, o drop shoting.

Este conjunto de técnicas é verdadeiramente especialista em águas muito transparentes. Nessas condições, as algas e micro-algas, o chamado fitoplankton, realiza a fotossíntese em profundidades superiores, permitindo a existência de peixes mais exigentes em oxigénio nessas camadas. Assim, podemos procurar achigãs abaixo dos 18 metros que para aí se deslocam para fugir aos condicionamentos relacionados com a actividade à superfície. Pescar a mais de 18 metros é impossível com a maioria das técnicas que conhecemos e quase impossibilita a sensibilidade com muitas outras, como tal, devemos ferrar todos os enganches que ocorrerem.

Nesta pesca a grandes profundidades é necessário especial atenção aos peixes, devendo ser libertados de imediato, ou, caso estejamos em prova, devemos aliviar-lhes o gás contido na bexiga-natatória com a ajuda de uma agulha de seringa. Dentro do viveiro devem ser inspeccionados com frequência porque a posição invertida que assumem pode matá-los em pouco tempo se a descompressão não for bem realizada.

À excepção do split shoting, trata-se de técnicas de apresentação vertical, em que a prévia localização de aglomerações é um dos factores a ter em conta.

Como se percebe, são técnicas que funcionam melhor em estruturas do que em coberturas, no entanto, podem ser usadas em coberturas com muito cuidado e com algumas alterações.

Com estas novas armas podemos facilmente seguir outro pescador e pescar onde ele já pescou. Os peixes que estão menos activos e que não atacam iscos convencionais poderão atacar uma montagem de finesse, mesmo com uma grande pressão de pesca na mesma zona.

Vamos pois desenvolver estas técnicas tendo sempre em conta o uso de amostras pequenas, até aos dez centímetros, de linhas finas, até ao 0,25, e de pesos leves, até aos sete gramas. Estes valores são quase como que uma fronteira entre o que é finesse fishing e o que sai deste âmbito.

Darter head jigging

Montagem darter head

Montagem darter head

«Darter haed» quer dizer «cabeça em forma de dardo», porém, podem utilizar-se outras formas de jigs para aplicar esta técnica. Uso esta técnica com muitas formas de iscos diferentes, por exemplo, grubs e outros vinis de cauda pequenos, para usos em pouca água, para se pescar mais fundo devemos usar iscos sem cauda, ou, straight tail. Os Flukes e as Finesse Worms são muito para esta aplicação, já que afundam mais rápido. O interesse de afundar rápido é chegar mais depressa aos pontos que queremos atingir para depois executarmos o jigging.

A montagem é simples, usa-se o anzol desprotegido, bastando fazer o vinil percorrer o anzol até à curvatura.

Darter-head-jigging01

A execução também não é complicada. Depois de localizarmos os peixes que queremos pescar, fazemos chegar lá o conjunto e, com a ponteira da cana, executamos movimentos verticais curtos e rápidos, com se estivéssemos a bater com a ponteira a um ritmo certo. Se formos persistentes e se o grupo de peixes que localizámos forem achigãs, dificilmente deixarão de atacar. O que acontece é que o isco salta e bate no fundo muitas vezes.

Temos que estar atentos porque o ataque não é igual aos ataques que se sentem noutras técnicas, muitas vezes sente-se apenas uma ligeira pressão, como se tivéssemos enganchado um elástico, para qualquer dúvida a resposta deve ser uma ferragem. Esta ferragem não tem de ser muito forte, uma vez que temos o anzol exposto.

Quando está a executar a técnica não se esqueça de manter a ponteira da cana perto da água, isto facilita a ferragem e alguns movimentos intercalares entre cada jigging. Terminado um lançamento, isto é, quando recupera a linha para outro lançamento, faça algumas paragens porque não é raro os peixes só tomarem uma decisão quando vêem o isco a fugir para a superfície.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

More Posts - Facebook