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Este artigo é a continuação do artigo Finesse Fishing para peixes inactivos – parte I

Este tipo de pesca não se resume ao pequeno número de técnicas que normalmente se apresentam estritamente, a saber, o darter head jigging, o doodling, o split shoting e, mais recentemente, o drop shot. Na verdade, todas as técnicas têm uma versão finesse, basta reduzir tamanhos, pesos e espessuras de linha. O finesse fishing surge associado a linhas finas, amostras pequenas e pesos inferiores, porém, trata-se de ser mais esperto, mais subtil, mais audaz. Assim, pode falar-se de um finesse flipping, de um finesse pitching, realmente pode nomear-se qualquer técnica e atribuir-lhe o adjectivo «finesse» quando se use para enganar peixes que, de outra forma, seriam impossíveis de capturar.

Doodling

DoodlingEsta montagem é um pouco mais complexa que a anterior. Usa-se o empate Texas com a particularidade de o peso ser de um metal mais ruidoso que o chumbo, bronze, ferro ou latão, e, além disso, de se usar uma missanga de vidro ou de plástico duro, para que se produza ruído a cada movimento. No caso de o peso ser de tungsténio deve usar-se uma missanga de plástico, já que este metal parte com facilidade o vidro.

À parte da montagem, a técnica de pesca é muito idêntica à do dater head jigging, assim como os vinis a usar que podem ser os mesmos.

Neste caso é o som produzido pelo conjunto em acção e o dançar do isco que vão provocar o ataque.

Podemos usar qualquer tipo de vinil, mas as pequenas minhocas são as mais indicadas.

Split shoting

Talvez seja a técnica de finesse menos usada, na verdade é uma das mais difíceis de executar. O nome deriva do uso de um chumbo fendido (split-shot), tão usado em quase todo o tipo de técnicas de pesca de rio a muitas espécies. A técnica em si consiste numa espécie de cranking a arrastar pelo fundo. Não se aconselha o seu uso abaixo dos seis metros por entenderem os peritos que se perde a sensibilidade necessária. O modo de proceder é muito diferente das outras técnicas de finesse. Lança-se e, depois de se sentir o contacto com o fundo, recupera-se sem nunca perder esse contacto. Normalmente exige lançamentos longos com pouco peso.

A montagem também é diferente. O anzol deve ser direito, do tipo Aberdeen, por exemplo, para servir de quilha ao conjunto. Depois de montado o anzol, colocamos um chumbo fendido a um palmo ou mais, até um metro de distância. Os vinis de cauda direita são os mais aconselhados.

Split-shoting

Split-shoting

Drop shoting

Esta é a que mais se usa nos últimos anos, muitos pescadores nem sequer a classificam como técnica de finesse, uma vez que fazem outros usos desta montagem, no entanto, quando foi adaptada pelos japoneses entrou directamente no conjunto do arsenal de finesse fishing pela sua subtileza e eficácia em peixes difíceis.

Montagem drop shot

Montagem drop shot

A montagem é muito conhecida. Ata-se um anzol pequeno e de argola deixando a ponta que sobra livre e com alguns palmos de comprimento. Para pescar basta colocar-se um isco no anzol e um peso à distância que entendermos na ponta que sobra. O anzol deve ficar com a ponta voltada para cima para ferrar com mais facilidade, caso, depois de fazer o nó, se verifique uma posição incorrecta basta passar a linha pela argola de cima para baixo e o peso obrigará o anzol a ficar na posição correcta. Normalmente o nó de palomar serve muito bem para esta aplicação, mas é essencial que não se aperte demasiado antes de chegar à argola do anzol. Os pesos que se usam mais são os que têm um clip que se prende à linha com facilidade, facilitando ajustes e poupando muitos anzóis. São fáceis de encontrar em qualquer loja de pesca, mas não se baralhem com as formas que vão encontrar, devem usar-se os esféricos para fundos lisos, rochosos ou lodosos, enquanto que os cilíndricos servem para quando haja cascalho no fundo, para evitar enganches.

Drop-shot02Trate-se de uma técnica vertical em que o peso deve assentar no fundo enquanto o isco, um pouco acima, deve ser agitado por movimentos verticais rápidos e curtos, como se estivéssemos a fazer jigging com o darter head. A posição da ponteira da cana deve ser baixa, para facilitar a ferragem.

Material a usar

Uma cana de spinning de acção média de seis pés ou de seis pés e meio servem para todos estes tipos de técnicas. Há quem associe esta forma de pescar a material mais ligeiro, pessoalmente acho que é necessário alguma acção de ponteira para ferrar quando se pesca fundo.

O carreto deve ter um bom travão que tenha um curso longo que teremos sempre afinado ao cerca do ponto de rotura da linha

As linhas também não devem ser escolhidas ao acaso. Um bom copolímero que não tenha elasticidade em demasia serve a maior parte dos casos, no entanto, no caso do darter head e do doodling o uso de linhas afundantes, como as que se usam na pesca à inglesa, podem ser uma boa ajuda, especialmente se formos pescar muito fundo.

Sendo técnicas de todo o ano, o Inverno é a minha estação preferida para o seu uso, pois como sabemos há poucas alturas em que os peixes estejam tão difíceis e com tão pouca vontade de comer. Ofereça-lhes um petisco em vez de uma refeição de três pratos e verá que muitas vezes eles vão preferir. Vá à pesca e divirta-se afinal é disso que se trata quando nos dedicamos ao nosso hobby.

Pode ver a primeira parte deste artigo aqui.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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