Bonito de ver uma sala grande cheia de gente – pescadores de muitas disciplinas, mas maioritariamente dos achigãs, família e amigos dos nossos campeões – pronta para aplaudir os feitos e cada palavra dita em homenagem. Pena que o Sérgio Sequeira não tenha podido estar presente.

A ideia foi do nosso amigo de pesca João Pedro Queiroga (obrigado João Pedro!) e assentou que nem uma luva a todos. Tudo estava perfeito. Os abraços eram sentidos e os parabéns mais do que merecidos. As conversas foram das mais variadas, eu aproveitei para recolher informação para um artigo que a revista Mundo da Pesca, na pessoa do seu director, me solicitou… Estejam atentos. Mas essa recolha de informação foi um prazer enorme. Falar com aquelas pessoas que humildemente souberam aceitar a homenagem e repartir as suas histórias com toda a gente, é sempre muito gratificante. Ver um evento de celebração num país como o nosso – É LINDO!… E raro… Infelizmente.

A foto de grupo de quantos compareceram a esta homenagem

A foto de grupo de quantos compareceram a esta homenagem

O momento era (é) de festa! Fomos campeões do mundo, mais uma vez! Subimos ao mais alto nível nesta disciplina. Somos o único país com três títulos em mundiais. Faça lá a FIPS-ed as contas que quiser, para os rankings que publica e tarde atualiza, somos um caso único para esta disciplina. Fomos nós quem começou todo o processo, com a realização da Taça do Mundo em 2003; organizámos os dois primeiros mundiais, em 2005 e em 2006. Destacámo-nos desde logo com a vitória na Taça, no primeiro Mundial e a medalha de prata no segundo. Passámos mal em Espanha 2007, com uma barragem com condições quase impossíveis. Em 2008, Itália, um Lago di Garda muito difícil, de todo desconhecido para nós e um resultado a refletir, tal como em Caspe, Espanha, uma certa «lotaria». Em 2009, México, Lago Cucillo, um quinto lugar que demonstrou algum trabalho de equipa em boas condições de pesca, embora, em ambiente que nos era pouco familiar, devido às baixas profundidades e à quantidade de árvores dentro de água. Voltámos a Portugal no ano seguinte. Vencemos. Íamos no sexto Mundial e apenas dois países tinham vencido em casa: nós e os espanhóis. Sabíamos que não ia ser fácil, mas conseguimos! Nessa altura já éramos senhores da disciplina – o único país com duas vitórias. Mas continuámos. No ano seguinte, 2011, de novo em Itália, um Lago de Bolsena cheio de peixe e a permitir pescarias de sonho. Chegámos a ocupar o 3º lugar, mas terminámos em 7º lugar. Em 2012 fomos à Venezuela, ao Lago Caruachi, uma espécie diferente – o tucunaré –, um lago tropical na orla da floresta amazónica… As coisas não correram mal, conseguimos um 5º lugar e uma medalha de prata para uma dupla que aqui se destaca como uma das melhores do mundo. De facto, Joaquim Moio e João Grosso contavam já com uma medalha de bronze e com um quarto lugar. Em termos de ranking absoluto, a dupla Torzoni/Fiorucci, detinha uma medalha de prata e uma de ouro, respectivamente, em Portugal 2005 e 2006, mas desapareceu dos mundiais logo de seguida e, os nossos atletas estão juntos e em todos os mundiais desde 2008, ou seja, com este, há sete anos sempre nas seleções que representam Portugal. É obra! Agora, com este primeiro lugar, fecham um ciclo. Medalha de bronze em 2010, quarto lugar em 2011, medalha de prata em 2012 e agora o ouro, este ano.

Os Campeões com as famílias mais chegadas e presentes

Os Campeões com as famílias mais chegadas e presentes

A homenagem foi à seleção, mas eu não posso deixar de fazer eco das palavras do Dica (Gualdino Angelino) em relação à dupla Moio/Grosso: «Eles iam à frente e nós tínhamos de os seguir da melhor maneira! Não havia outra hipótese!» Que grande lição de humildade da parte de um dos nossos melhores pescadores de sempre! E não apenas nos achigãs…

Os elementos da seleção presentes falaram todos. Notou-se a emoção, humildade, gratidão…

Devo ter sido quem fez a deslocação mais longa para ali estar e não pude deixar de sentir uma certa ambivalência… Sim, acho que é esse o termo correto. Adorei estar presente, ter dito algumas palavras, ter participado nas fotos da praxe e até agora… quando escrevo, ainda faz parte desse sentimento. O outro sentimento, o que até chegou a magoar de constatar, foi a falta que senti de gente que devia estar ali… Nem todos poderiam estar. Eu sei. Uns por motivos profissionais e da sua vida familiar, outros por motivos alheios também às suas vontades, mas muitos, infelizmente muitos, só ali não estavam por se sentirem cheios de inveja, por não apreciarem que outros façam melhor que eles… Enfim. Porque são pequeninos. E, mesmo assim, isso incomoda-me mais porque, alguns desses, um dia destes voltam a ser selecionados e vão dar cabo do trabalho… Por causa da mesma mesquinhez! Pensem bem…

Não quero terminar esta crónica com uma nota tão negativa. Quero agradecer ao Joaquim Moio o convite que me endereçou e dizer-lhe o que ele já sabe: Vocês são os maiores! Todos e cada um! Parabéns!

O autor desta crónica com o grupo campeão do mundo presente

O autor desta crónica com o grupo campeão do mundo presente

E mais uma mensagem para o futuro: Já se desistiu dos mundiais de margem? A meu ver, Portugal pode e deve liderar o processo como fez sempre na nossa disciplina. Fica a nota. A FPPD tem «sangue novo» na direção, sabemos bem que é deste órgão que estas vontades têm saído e é daí que se espera execução.

Portanto. Mãos à obra e bom trabalho a todos.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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