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O controlo com o polegar

Muito importante também é o nosso controlo da bobina com um travão que é nosso, isso mesmo, o nosso dedo polegar. Ele deve travar a bobine no final de cada lançamento, quando a amostra está quase a atingir a água. Este travamento vai ajudar numa queda mais suave da amostra e também na precisão do nosso lançamento. Recapitulando: o polegar liberta o tambor, premindo a barra posterior, e deve ficar a postos para travar a bobina evitando também as nefastas cabeleiras.

Travão de lançamento

Este travão serve para evitar cabeleiras no lançamento. Para ajudar a evitar estas cabeleiras há também um travão da bobina do lado oposto à manivela. Há-os de dois tipos: os centrífugos e os magnéticos.

Ajudam muito quando temos de fazer face ao vento, uma vez que este gera atrito contra a amostra que vai contrariar o movimento da bobina. Quando esta desenrola mais depressa o atrito com o ar e com o vento pode provocar enrolamentos de elos excessivos levando às tais cabeleiras. Os carretos de travão centrífugo têm umas peças de plástico que, à medida que a bobina ganha velocidade, saem e travam. O ideal para começar é ter metade dos travões accionados, mas se estiver vento poderemos accionar mais. Também esta afinação é pessoal e à medida que vamos evoluindo vamos usando a bobina cada vez mais livre.

Os travões magnéticos têm uma numeração indicativa que é maior quanto mais presa estiver a bobina.

Travão magnétido - sistema de travamento por ímans

Travão magnétido – sistema de travamento por ímans

São mais fácil de afinar porque não temos de abrir o carreto, no entanto, sempre considerei os centrífugos mais eficazes, mas isso é apenas a minha experiência e a minha opinião. Cada pescador terá de saber a qual se adapta melhor. Uma coisa que perceberemos com facilidade é que quanto mais travarmos menor será a distância de lançamento.

Nos vídeos que se seguem explica-se como afinar cada um destes travões:

Travão da bobina

Por fim o travão principal, também conhecido como drag. Este travão serve evitar a rotura da linha e é accionado pela estrela junto da manivela. É um excelente indicador de qualidade de um carreto. Quanto maior for o curso do drag, melhor será o carreto. Explicando melhor, quantas mais voltas der entre o totalmente solto e o totalmente preso, melhor será o carreto. De facto, para fazer um bom travão são usados discos de metal ou de carbono que se comprimem de forma a evitar que a linha parta durante a luta com exemplares de bom porte.

Travão da bobina ou drag - afina-se com a estrela e serve para evitar a rotura da linha

Travão da bobina ou drag – afina-se com a estrela e serve para evitar a rotura da linha

Se estiver muito aberto nem conseguiremos ferrar um peixe convenientemente, portanto, o ideal é fecharmos até que consigamos puxar a linha pela frente do carreto com dificuldade.  È assim que eu meço. Se conseguirmos puxar com força e a linha sair a custo a afinação estará boa. No entanto, note-se que há situações em que devemos mesmo fechar e evitar a saída da linha. O mundial de novembro passado, no México, foi um bom exemplo disso. Sempre que haja o risco de o peixe, durante a luta, conseguir abrigo em coberturas densas, devemos evitar que a linha saia. Claro que correremos o risco de rotura da linha a menos que saibamos a linha que estamos a usar…

Tipo de linhas

Muito importante é sabermos o tipo de linhas que estamos a usar e retirar partido do conjunto que usamos para esse efeito. Os nilons e os copolímeros podem ser usados por ambos os sistemas, casting ou spinning, porém, o fluorocarbono assenta muito mal nos carretos de tambor fixo e causam enormes problemas. Por sua vez, os entrançados, podem ser usados em ambos os sistemas, apenas uma importante chamada de atenção: evitem usar diâmetros muito baixos nos carretos de tambor móvel porque muitas vezes, com as afinações da bobina, criam-se espaços onde a linha pode entrar e causar danos no interior do carreto, dada a sua extrema resistência.

Conjuntos versus lançamentos

Para terminar, muito sucintamente, a minha experiência aponta para que as técnicas mais usadas de lançamentos, como sejam o lançamento lateral, enrolado ou por cima, encaixa, perfeitamente em ambos os sistemas. No que toca a flipping e pitching, eu prefiro os conjuntos de casting. Já para o skipping, prefiro spinning, no entanto, com o devido treino também se consegue fazer com casting.

Resumindo

Se quer ser um pescador completo trate de fazer a sua iniciação aos conjuntos de casting, se já os usa, espero ter ajudado a uma melhor compreensão com a minha experiência. Nunca se esqueça de uma coisa fundamental. A pesca é para os divertirmos. Eu divirto-me a aprender tal como a pescar, mas é na captura que se resume tudo e quanto mais técnicas puder e souber usar mais nos divertiremos! Divirtam-se!

Continuação: Carretos de tambor móvel – Além do básico

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Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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