Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Durante a minha carreira de pescador de competição vi com desagrado que alguns pescadores não utilizavam conjuntos de casting. Ouvi até explicações absurdas, do género: «Se pesco com casting faço cabeleiras, assim, poupo muito tempo…» Ora bem. Eu acredito que um pescador de achigãs deve ser versátil, tão versátil quanto possível, para fazer face às necessidades de cada dia de pesca, para responder a cada desafio com uma interpretação que resulte em capturas. Dizer: «Eu sei que o flipping é que era ideal para estas condições, mas não uso casting e não sei fazer…» Acho incompreensível, de todo.

Também vi o contrário, especialmente dos EUA, vi pescadores profissionais que não usavam um único conjunto de spinning. Para mim, o erro é o mesmo. Há técnicas que têm o seu ponto de excelência no uso de cada um dos conjuntos. O nosso trabalho enquanto executantes, é sabermos fazer tudo que nos garanta mais uma captura, a captura de peixes maiores ou simplesmente a noção de que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Por outras palavras, não há pescador de achigãs completo que não domine os dois tipos de conjuntos, os respectivos lançamentos e as adequadas técnicas.

Hoje venho falar particularmente dos carretos de casting, mas, não posso deixar de fazer um enquadramento explicando quando uso conjuntos de casting ou de spinning e porquê.

A necessidade de conjuntos de casting na pesca do achigã tem a ver, na minha opinião, com a robustez destes conjuntos e com a sua associação a determinados tipos de técnicas.

Os conjuntos de casting usam-se para «trabalhos» mais pesados

Os conjuntos de casting usam-se para «trabalhos» mais pesados

Antes de mais aportuguesemos os conceitos. Os carretos de casting são os de bobina ou tambor móvel e os de spinning são os que têm a bonina fixa. Portanto, vamos abandonar o estrangeirismo por agora e falemos dos carretos de tambor móvel e carretos de tambor fixo.

Por este conceito de percebe de imediato uma coisa. Os carretos de tambor móvel recebem a linha directamente para a bobina que enrola a cada manivelada havendo uma guia que distribui a linha à entrada. Já nos carretos de tambor fixo a bobina sobe e desce para distribuir a linha mas há uma guia situada numa das extremidades da asa de cesto que enrola a linha por resposta às maniveladas. Ou seja, os primeiros respondem à manivela quase directamente e os segundos é a asa de cesto que responde à manivela. Isto é óbvio para quem os vê, mas também tem consequências. A asa de cesto é um mecanismo com alguma sensibilidade e provoca uma torção na linha quando recolhe. Normalmente quanto mais pressão se exercer mais de poderá danificar o sistema. Quando comecei a usar os conjuntos de casting, percebi imediatamente que são melhores para trabalhos mais duros, como sejam, a animação de spinnerbaits, crankbaits, jerkbaits e tudo o que necessitar de linhas de diâmetros superiores.

Eu deixo para os conjuntos de spinning tudo o que seja finesse fishing, assim como o que se possa fazer sem forçar muito o carreto com linhas de diâmetros até ao 0,25. Acima desse patamar uso casting em todas as circunstâncias. Posso até desenvolver uma técnica ligeira recorrendo ao empate texas com uso de conjuntos de spinning, mas preparo o anzol para ferrar com facilidade, porque uma ferragem violenta poderá danificar um carreto de tambor fixo com mais facilidade que um de tambor móvel.

Nos conjuntos de spinning o carreto funciona por baixo da cana

Nos conjuntos de spinning o carreto funciona por baixo da cana

Estamos a falar de pesca do achigã. Eu sei que há carretos de tambor fixo mais robustos, mas com comprimento de canas que usamos, entendo que um carreto muito grande desequilibra o conjunto, por isso, nunca uso mais do que um carreto 2500, afinal, 100 a 150 metros de 0,25 dão para tudo o que precisamos de fazer com este tipo de material.

Explicada esta dicotomia vamos então aprender a lidar com os carretos de tambor móvel.

Palmar o carreto

Palmar o carreto é assim, agarrá-lo e fazer dele o eixo de todos o movimento

Palmar o carreto é assim, agarrá-lo e fazer dele o eixo de todos o movimento

Antes de mais nada vamos aprender e pegar no conjunto correctamente. O modo de o fazer implica palmar o carreto, isto é, agarrar o carreto com a palma da mão, em vez de agarrar no punho da cana. Pega-se no conjunto pelo carreto sendo que a mão deve agarrar a cana e envolver o carreto, de tal forma que os dedos fiquem para a cana, excepto o polegar que se coloca em cima da barra que liberta a bobina, na parte anterior do carreto, ou por cima do carreto no lado da manivela, uma vez que se agarra pelo outro lado. Por sua vez a cana deve ter um gatilho que deve ficar preso entre o dedo médio e o anelar ou entre o anelar e o mindinho, que é como eu seguro melhor, mas isso também vai depender dos tamanhos quer do carreto quer da mão do pescador. Esta pega evita lesões, uma vez que o carreto, neste caso, fica por cima da cana e não por baixo como os de tambor fixo. Fica assim a mão a servir de eixo a todos os movimentos com o conjunto facilitando todos os tipos de lançamentos.

Afinação do peso da amostra

Este travão serve para afinar a amostra. Antes de qualquer lançamento devemos afinar ou calibrar o carreto para o peso da amostra que está na ponta da linha. Se olharmos para o lado da manivela do carreto veremos um dispositivo de afinação de rosca logo atrás da manivela. Esse dispositivo é essencial de cada vez que mudamos de amostra. Afinamos apertando ou desapertando de forma que a amostra caia suavemente. Para o fazermos correctamente devemos levantar a ponteira da cana e, com um palmo de linha, verificarmos se a amostra sai livre ou se está presa ao ponto de não descer livremente.

Dispositivo de afinação do peso da amostra

Dispositivo de afinação do peso da amostra

O ponto de afinação até é uma coisa pessoal, mas para os iniciados aconselho que afinem no ponto em que a amostra não desce sem um ligeiro movimento a soltar a amostra. Explicando melhor, a amostra deve estar presa, mas deve soltar-se a qualquer movimento da ponteira, iniciando a descida que se mantém lenta.

Continua »»

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

More Posts - Facebook