Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

O que fazemos quando uma amostra nova surge no mercado? Muitos tentam não explorar a novidade até que ela se imponha. Ou seja, porque não dá muito jeito ou porque não apetece, deixam que outros lhes peguem, lhes mostrem como funcionam e lhes digam, em segunda mão, quais os seus melhores usos. Outros, mais afoitos e ávidos de novidades, compram logo vários tamanhos e cores e guardam na caixa… Não vá o diabo tecê-las e um dia precisarem delas. Outros ainda, estes sim, os verdadeiros interessados, pegam nelas e levam-nas à pesca com uma vontade de as ver a trabalhar e a capturar achigãs.

O que verdadeiramente me interessa neste artigo é explicar o que devemos fazer ao testar uma amostra de forma que ela nos dê o seu máximo e, depois, a possamos divulgar junto dos nossos amigos, sempre com uma pontinha de orgulho por podermos dizer: «Ajudei alguém a explorar novas formas de capturar achigãs».

O Senko foi uma das amostras que melhor testei

O Senko foi uma das amostras que melhor testei

As primeiras impressões

Para vos dizer o que fazer com uma amostra nova vou contar-vos a minha «odisseia» com o senko da Gary Yamamoto Custom Baits.

Em 1998 recebi os primeiros senkos que entraram em Portugal. Foi o meu amigo italiano Paolo Vaninni que, por ser desde essa data o representante da GYCB na Europa, decidiu enviar-me alguns para eu experimentar. Enviou-me cinco cores e dois tamanhos, embora apenas uns quatro ou cinco de cada.

A primeira coisa que fiz foi olhar bem a forma e o anelado que apresenta, deixando-me desde logo curioso por os ver na água. Depois peguei num deles pelas pontas e depois pelo meio, agitando a mão a ver como se comportava em termos de flexibilidade e de acção. Gostei muito do toque e de ver como o sal saía de dentro do isco ao simples passar de um dedo exercendo alguma pressão.

Como estava em casa, só havia uma forma de os ver na água, enchendo a banheira. Assim fiz. Empatei um anzol 3/0 em metro e meio de linha e fiz uma montagem Texas sem peso, que foi a maneira que me aconselharam para maximizar o seu uso. Era realmente espantosa a descida do isco agitando-se constantemente durante a queda. Preso pelo meio, agitava as pontas à medida que descia…

Escolha para os seus testes massas de água com uma boa população de achigãs para poder tirar conclusões com mais facilidade

Escolha para os seus testes massas de água com uma boa população de achigãs para poder tirar conclusões com mais facilidade

Escolher bem o campo de testes

Partindo do princípio que sigo há muitos anos: «Todas as amostras apanham peixe e não há nenhuma que apanhe sempre»; aguardei inquieto a próxima jornada de pesca. Tinha uma prova no fim-de-semana seguinte, mas não ia usar uma amostra que não tinha ainda conquistado a minha confiança. Consegui escapar-me a meio da semana e ir a uma lagoa que estava cheia de peixe.

Uma coisa que ajuda muito é escolher uma massa de água onde haja muito peixe, nem interessa que seja muito grande, a questão aqui não é a qualidade, mas sim a quantidade. Se não tivesse capturado tanto peixe como capturei naquele pedaço de tarde, provavelmente demoraria mais um pouco a dar crédito ao Senko.

Levar apenas o material a testar

Outra das coisas mais importantes que devemos fazer é levar apenas estas amostras nada mais, para que não nos deixemos distrair do objectivo – vê-las a apanhar peixe e ganhar confiança nelas. A primeira coisa que vi foi a facilidade com que se lançava sem juntar mais peso. O skiping saía com exactidão permitindo o acesso a locais fora do alcance dos outros lançamentos, como por exemplo, debaixo de copas de árvores. Não havia dúvidas de que viria a ser uma grande arma nos arsenais dos pescadores daí em diante. Com a cana de spinning experimentei o wacky, o darter-head, enfim, testei todas as formas de empate que conhecia e o desempenho da amostra era excelente em todos os casos.

Ver todos os aspectos

O aspecto negativo também se fez notar. De facto a amostra era pouco resistente, sucumbindo ao fim de cinco ou seis ataques, e tinha outra particularidade, uma vez solta na água, não flutuava, o que dificultaria muito a sua reutilização depois de reparada. Porém, não havia dúvidas de que se tratava de uma verdadeira revolução no mundo das amostras.

Fiz o mesmo quando peguei no meu primeiro crank ou spinner, o que me faltou muitas vezes foi o local apropriado. Hoje é mais fácil experimentar as nossas novas amostras. A ideia central deste artigo é dizer-vos que não basta comprar uma amostra e colocá-la na caixa para a próxima jornada de pesca, porque o que vai acontecer é que usamos sempre as mesmas. Isto toma especial importância para os pescadores que praticam competição. Devemos saber sempre o que, a amostra que temos montada, está a fazer, quer a possamos ver quer não, mas, mais importante, devemos ter confiança absoluta de que, aquela que está a pescar, é a melhor para as condições que enfrentamos. Sem essa certeza não estamos a pescar.

Ganhar confiança

Hoje as coisas são muito diferentes, antes de nos atirarmos a uma carga de trabalhos desta natureza, podemos sempre consultar os sites das marcas e ler testes feitos pelos profissionais, que sempre nos ajudarão a perceber para que serve e até onde poderemos ir. É uma ajuda preciosa sem dúvida, mas trata-se apenas da primeira parte do trabalho de casa, porque, se não formos nós a ver como trabalham nas suas diversas aplicações e como nos podem ajudar, vai-nos faltar a confiança necessária para recorrermos a elas e, assim, não passará de mais uma amostra na caixa. Uma coisa posso garantir, não é em prova ou quando estamos empenhados em capturar peixes, que vamos ter paciência para fazer tudo o que é necessário no desenvolvimento da nossa relação com essa novidade.

Este é um dos mais recentes exemplares que capturei com um Senko e a minha confiança mantém-se inabalável

Este é um dos mais recentes exemplares que capturei com um Senko e a minha confiança mantém-se inabalável

Dou comigo hoje a analisar a velocidade com que processamos novidades de forma errada e de como isso pode afectar a nossa maneira de pescar. Distingo as amostras que pude testar convenientemente, e que são muitas, em relação às que apenas coloquei na caixa. Na verdade, tenho mais confiança nas que testei e oitenta a noventa por cento das vezes acabo por usá-las em detrimento das outras. Daqui resulta que me capturam muito mais peixes.

Todos podemos ser pioneiros à nossa maneira. Estão sempre a sair amostras novas para a pesca do achigã e fazermos nós os testes dá-nos outra confiança! Não se esqueçam: testar torna mais fácil acreditar! Divirtam-se!

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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