Os primeiros iscos artificiais a serem colocados no mercado, por Lauri Rapala, ainda nos anos 30 do século passado nunca deixaram de estar em voga. Com evoluções ao longo do tempo, este tipo de amostras começou por ser usado à superfície ou muito próximo, fosse usado como se usa uma popper ou em recuperação lenta. Com o passar dos anos as palas evoluíram, como também a estrutura desta família de artificiais, e permitiram o alcançar de maiores profundidades, o que antes tinha de ser feito através da adição de peso.

Amostras de Inverno

Enquanto se usaram à superfície, estas amostras estavam um pouco condicionadas aos meses de temperaturas mais amenas, hoje são tidas como das melhores opções para o Inverno, podendo, no entanto, usar-se em qualquer época do ano. Como imitações de peixes que são servem muito bem para imitar as presas preferidas dos achigãs de acordo com a massa de água que pesquemos. É um facto científico que estes predadores preferem comer peixes e, entre estes, os de forma alongada, como tal, é difícil escolher melhor imitação que um jerkbait para os enganar.

No outono e no inverno, devido a subidas do nível da água ou às constantes mudanças no tempo, os achigãs passam muito tempo suspensos na coluna de água. Talvez seja este o principal factor que os torna tão vulneráveis aos jerkbaits. Estas amostras ajudam muito quando os encontramos fora das coberturas a vaguear em busca de comida ou apenas para se protegerem de condições adversas.

O outono e o inverno são as melhres épocas para os jerkbaits - embora se possm usar todo o ano

O outono e o inverno são as melhores épocas para os jerkbaits – embora se possam usar todo o ano

Flutuantes, afundantes e suspendentes

Nos anos 90 do século XX, com a invenção dos sistemas de suspensão na água, o uso destas amostras passou a ser uma opção para águas de pequena e média profundidade, digamos até aos três metros. As opções «afundante» e «flutuante» quase passaram de moda para dar lugar à mais moderna «suspendente». Uma amostra que suspende na pausa é de facto uma grande invenção, permitindo que se mantenha mais tempo na chamada zona de ataque.

Estudos sobre o comportamento dos achigãs revelaram que eles poucas vezes atacam estas amostras durante os esticões, é na pausa que se produzem a maioria dos ataques, por esse motivo era necessário que a amostra parasse ou que se movesse o mínimo possível nesse momento fulcral.

Este novo conceito é conseguido com alterações no peso e na quantidade de ar que têm dentro, porém, mesmo com toda a tecnologia existente ao dispor dos fabricantes, há factores que impedem a suspensão absoluta. A pressão atmosférica, a temperatura, a quantidade de sais dissolvidos na água, são apenas alguns dos factores que quase impossibilitam a suspensão perfeita. Para termos uma suspensão perfeita temos de adicionar peso à amostra e verificarmos se pausa perfeitamente ou não. Esta precisão não é tão importante como alguns querem fazer crer, basta que o movimento seja mínimo para que seja uma pausa na sequência de esticões. Por isso mesmo, não havendo amostras suspendentes em absoluto, há as que afundam e as que ascendem muito lentamente, o que serve perfeitamente as nossas necessidades.

Um sortido de jerks para situações diversas

Um sortido de jerks para situações diversas

Técnica

Pescar com jerkbaits pode ser cansativo. Lançar, executar dois ou três esticões e fazer uma ligeira pausa, para de seguida voltar aos esticões até que a amostra saia da área que queremos pescar ou então até que chegue junto de nós. É muito importante que se deixe a linha bamba durante a pausa, ou seja, depois do último esticão não se deve recuperar a linha que fica solta, deve-se mesmo facilitar, com a ponteira da cana, uma certa folga na linha. Mantenha-se atento, mas deixe a linha solta, caso contrário a pausa pode não sortir efeito. Há quem goste de executar os esticões com a cana virada para baixo, há quem o faça com a ponteira para cima, é bom que percebamos que são movimentos que provocam reacções diferentes da amostra. Normalmente aponto a cana para os pés ou para o lado, só quando quero evitar que a amostra afunde mais, é que levanto a cana.

No Bassmaster Classic de 2007, em finais de fevereiro os jerks faziam maravilhas nas mãos de Kevin Wirth

No Bassmaster Classic de 2007, em finais de fevereiro os jerks faziam maravilhas nas mãos de Kevin Wirth

Ritmo

É vulgar acreditarmos que um determinado ritmo é mais produtivo que outros e isso é tão verdade quanto é verdade que varia em função das condições de pesca. Há dias em que as pausas podem e devem ser muito breves e outros em que teremos de parar vários segundos antes de iniciarmos mais uma sequência de esticões. Tem a ver com o nível de actividade dos achigãs que pode variar por razões que de todo nos passam ao lado. O melhor é experimentarmos até conseguirmos capturar e depois imitarmos ou variarmos ligeiramente e esperar por mais resultados. Muitas vezes conseguimos capturas acidentais e há que mudar algo para produzir outras, outras vezes podemos estar a capturar peixes de porte menor e é necessário fazer algo diferente para atiçarmos os maiores. Se capturarmos vários exemplares na fateixa de trás, então necessitamos de aumentar o tempo de pausa.

A forma como fazemos progredir a amostra na água deve imitar um exemplar em dificuldades com uma locomoção errática, para dar a entender ao predador que vai ser fácil a refeição.

A postura em pausa

Uma das coisas que mais se discute hoje em dia é: que posição deve assumir a amostra durante a pausa? Há três respostas possíveis: com a cabeça levantada, com a cabeça baixa ou em posição horizontal. No entanto, isso é uma questão eu considero menor e que vai influenciar apenas a confiança do pescador, por isso, não há nada como experimentar e escolher a sua forma. A simples junção de peso adesivo ou de fio metálico pesado numa das fateixas pode ajudar a conseguir a posição que quer.

Onde usar?

Esta não é uma família de amostras que se use bem em coberturas densas, mas em águas abertas funciona muito bem. Muitas vezes pode produzir muito bem se junto dessas coberturas houver água livre para a deixar «trabalhar». Há quem defenda que se trata de amostras para águas límpidas especialmente devido ao efeito visual que produzem. Se não forem vistas, esse efeito perde todo o interesse. Não as considero ideais para águas turvas, mas já as usei com sucesso nessas condições, tirando vantagem das vibrações que emitem e dos «rattles» que muitas trazem de fábrica. As águas turvas até podem ser um meio de oportunidades se tivermos em atenção que as amostras a usar devem ser maiores e que as devemos animar mais devagar.

Material

Um dos peixes capturados em Moçambique - na barragem de Chicamba - mesmo em temperaturas elevadas os jerks funcionam

Um dos peixes capturados em Moçambique – na barragem de Chicamba – mesmo em temperaturas elevadas os jerks funcionam

Uma cana de crankbaits, ou seja, uma acção média ou uma cana de acção diversa mas ponteira lenta ou regular, serve na perfeição, consoante o peso da amostra que vamos usar. O tamanho da cana é muito subjectivo, devendo cada pescador saber com que tamanhos se dá melhor. Eu uso uma cana de 7 pés de carbono quando pesco de barco e, quando pesco da margem, uso uma de 6 pés e meio, apenas por ser baixo e me atrapalhar com a cana grande para dar os esticões com a ponteira voltada para baixo. Prefiro o carbono porque a percepção do ataque é importante para ferrar… Nem pensem que os achigãs se prendem sempre por eles, mesmo nas amostras com três fateixas. Há sempre necessidade de executar uma ferragem, embora não seja preciso fazê-lo com a mesma força que para ferrar um jig, um empate Texas ou qualquer outro que use o anzol protegido. Basta um esticar da linha, o que deve ser feito com os braços e não com a manivela do carreto, para que se cravem alguns dos anzóis.

Também opto quase sempre pelo material de casting, devido à força necessária para o trabalho com estas amostras, embora para as mais ligeiras possa uma ou outra vez optar pelo material de spinning.

As linhas devem ser de alta capacidade, um 0,30 é normalmente suficiente, uma vez que não vamos pescar com estas amostras em coberturas densas, mas temos de ter em atenção que os esticões deterioram a linha e especialmente o nó. Há muitos profissionais a usarem entrançado com uma baixada de fluorocarbono e outros a usarem só fluorocarbono. Pessoalmente prefiro um bom nylon ou um bom copolímero, continuo convencido de que a elasticidade é importante em dois momentos: na ferragem e durante a luta com o peixe.

Como sempre…

Já sabe que não há nada como a sua experiência, podemos abrir horizontes, mas tem de ser você a percorrê-los e a ver o que pode extrair do que lhe deixamos nestas mensagens. Fica o que é necessário para mais uma evolução no uso destas amostras, aproveite e desfrute o mais que puder. Já agora, se é daqueles que ainda traz tudo para casa (espero sinceramente que não) pense melhor, pense no futuro e solte os peixes que pescar… Eu sei que pensa que se não for você a trazê-los vão ser outros, mas então um peixe já teria dado prazer a duas pessoas e, se você ajudar, passando a palavra, pode até dar para mais. Se é dos que solta os peixes, então continue e não tenha receio de divulgar porque o faz. Quem sabe se me ajuda a fazer passar esta mensagem…

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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