Quem segue estas coisas mais de perto sabe que o Joaquim esteve na semana passada na prova que poderia dar acesso à maior das maiores provas mundiais – o Bassmaster Classic.

Ele desconhecia a zona e teve apenas dois dias de treino. Depressa concluiu que não estava preparado para atacar os pequenos lagos que o rio formou ao longo de séculos. Eram lagos muito baixos, com menos de um metro de profundidade em alguns casos… Não tinha material nem estratégia para «se fazer» a eles. Percebeu, no entanto, que as coisas podiam bem ser decididas ali, mas precisava de outro tipo de material para conseguir estar naquelas zonas. Precisava de um barco com menos calado, fosse um barco de alumínio, como o vencedor usou, fosse colocando menos gasolina e levando o mínimo de material… A jogar fora de casa, seria difícil ter resolvido melhor que o que resolveu.

A embarcação que lhe foi atribuída pela organização

A embarcação que lhe foi atribuída pela organização

Mantive o contacto com ele desde o início. Uma noite mandou-me uma mensagem a dizer que ia tentar pescar o rio (o braço principal) porque lhe parecia que conseguiria fazer um limite rápido e depois procuraria um ou outro peixe maior. Eu disse-lhe que, com o que tinha, era uma boa estratégia. Também me deu conta de que estava na Divisão Central… Onde havia alguns profissionais e onde estava o «pessoal da casa». Ia ser complicado arrancar um lugar no Bassmaster Classic de 2016, mas, mesmo assim deu tudo pela melhor classificação possível na geral.

No primeiro dia fez 9 libras e 11 onças e colocou-se na 15ª posição da geral, entre 60 competidores. Vi-o no palco e achei brilhante! Soube estar, soube responder, mesmo sem dominar o inglês. Claro está que na sua divisão estava em 6º, lugar que manteve até ao fim.

Joaquim Moio onde mais surpreendeu - no palco!

Joaquim Moio onde mais surpreendeu – no palco!

No segundo dia manteve o mesmo ritmo. 9 libras e 12 onças e subiu ao 11º lugar da geral.

No terceiro faltou-lhe um exemplar maior e fez 8 libra e 1 onça, descendo para o 14º da geral.

Um belo exemplar dos dias de treino

Um belo exemplar dos dias de treino

Claro que todos gostaríamos de o ver no Bassmaster Classic de 2016, mas temos de ter consciência de duas coisas… Primeiro: Tocou-lhe a divisão mais forte de onde saíram o 1º, o 2º, o 4º, o 5º e o 7º! Cinco lugares no top 10! Segundo: Com dois dias de treino não é fácil fazer face a quem pode treinar e obter informações da zona com um simples contacto.

Eu estou orgulhoso de tudo o que o Moio fez este ano na nossa segunda participação, como fiquei orgulhoso por ver lá o Ricardo Mira no ano passado.

Tenho a certeza de que o Moio trouxe o «bichinho» da competição individual a um nível que nunca tinha experimentado. Tenho a certeza de que vai regressar e… Nessa altura, com a maturidade que vai adquirindo e com todas as armas que domina, poderá ser que um europeu vá ao Bassmaster Classic!

Até lá vou ficar a torcer por todos os que lá forem e ajudarei sempre em tudo o que esteja ao mau alcance.

Parabéns ao Quim! Parabéns à Bass Nation de Portugal que se fez representar muito bem!

O nosso representante exibindo a placa de participação

O nosso representante exibindo a placa de participação

Não posso terminar sem uma palavra para o Zé Moreira pela brilhante cobertura que fez do evento. Ele foi fotos, ele foi filmes… 5 estrelas! Também patrocinou esta viagem. O que lhe peço é que não se afaste e que se mantenha como patrocinador. Parabéns pelo trabalho!

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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