O pitching é um lançamento também pendular e intermédio – de sete a dez metros – que ainda nos permite uma aproximação vertical, e consequentemente uma penetração na estrutura, pelo menos até ao primeiro metro.

Para quem executa bem o flipping, o pitching e o casting, não é muito difícil a percepção de qual deve usar, no entanto, tenho visto muitos profissionais americanos a praticarem simultaneamente o flipping e o pitching. Trata-se de uma opção de distâncias e de como se espera que o peixe esteja relacionado com as coberturas.

Conhecer estas técnicas permite-nos escolher a mais adequada em face da circunstância que encontramos, a cada lançamento, a cada movimento na pesca. Essa é a verdadeira vantagem da versatilidade, mesmo sem mudarmos de cana, podemos executar cada lançamento da forma que nos parecer mais efectiva.

O pitching é muito mais fácil e, não substituindo o flipping, pode pelo menos imitá-lo em versões mais curtas. Por isso é que há quem intercale as duas técnicas. Se o peixe não estiver mesmo enfiado no meio da cobertura, se ele estiver um pouco mais activo, então o pitching torna-se num meio mais prático, embora menos cuidado, de capturar mais depressa, com menos preparação e precisão.

O curioso é que há mesmo quem trate as duas técnicas pelo mesmo nome. Num dos vídeos que muito vi nos anos 90 para aprender a técnica, existe uma sequência de pesca em que Hank Parker se refere ao flipping, quando na realidade está a executar as duas técnicas e com predominância do pitching.

Material para pitching

Quanto a material, o de spinning não funciona aqui muito bem sendo preferível recorrer a material de casting, isto é, canas com punho de gatilho e carretos de tambor móvel. Também há no mercado material especializado, não no que toca a carretos, mas as canas de pitching. No entanto, qualquer cana de flipping serve, e mesmo as de casting, desde que tenham no mínimo metro e oitenta e uma acção, pelo menos, média.

Quanto a linhas e amostras, o que foi dito para o flipping serve perfeitamente, se bem que não haja aqui a necessidade de tanta robustez das linhas, ela nunca é demais.

Como se faz pitching

Os movimentos que dão origem a este tipo de lançamento são menos que os do flipping e são, quanto a mim, mais fáceis de executar.

Primeiro afina-se o carreto de forma que a linha saia com facilidade (mais solto que para o normal casting), depois abre-se o carreto e faz-se descer o isco até a base da cana tal como para o flipping, depois segura-se o dito com a mão disponível, normalmente a esquerda. O primeiro movimento consiste em baixar a ponteira da cana sem largarmos o isco.

Depois, já com o carreto aberto e com o polegar a prender a bobina, de uma só vez, erguemos a cana e, aproveitando o balanço resultante, largamos a amostra, soltando a bobina (apenas quando o peso do isco e a gravidade assim o exigirem), que seguirá uma trajectória quase paralela a superfície da água, o mais próximo possível dela, para que não caia violentamente na água.

Depois de fazermos a amostra entrar na água, a nossa preocupação deve centrar-se na eventualidade de um ataque. Caso este não ocorra deveremos dar linha que retiramos do carreto para que a amostra desça o suficiente.

É tudo uma questão de prática, se formos demasiado rápidos a soltar linha do carreto, assim que o isco atinja a superfície poderemos perder um toque. Numa primeira fase baixaremos a ponteira da cana, não permitindo que a linha fique tensa, à velocidade que o isco «puxar» (apenas pela força da gravidade) na sua descida. Depois efectuaremos, com a mão livre, pequenas saídas de linha, de forma que esta nunca fique completamente bamba ou demasiado tensa. No princípio custa um pouco a encontrar este ponto de equilíbrio, mas é tudo uma questão de treino.

Introdução ao pitchingAqui fica um vídeo, como complemento ao artigo de ontem (http://basspt.com/lancamentos-o-pitching/), onde Hermínio Rodrigues explica como fazer pitching.

Posted by Pesca ao achigã on Quarta-feira, 1 de Abril de 2015

Posicionamento

Esta técnica pode ser praticada quando se pesca da margem, se houver coberturas alcançáveis com este tipo de lançamento. Para aqueles que têm barco, quero dizer que as plataformas elevadas são muito importantes para este tipo de pesca, aumentando o comprimento do lançamento, facilitam também as ferragens e ajudam no trabalho de recuperação de um peixe que foi ferrado em estrutura densa.

Outro assunto e o controlo da posição do barco quando executamos o pitching (assim como o flipping), um posicionamento correcto é determinante.

Nunca deveremos esquecer que o fundamental do sucesso desta técnica passa pela suave queda da amostra a uma distância razoável (sete a dez metros) e a descida quase vertical para uma eficaz penetração na cobertura.

Treino

Bem executado, o pitching terminará assim... muitas vezes, embora não todas...

Bem executado, o pitching terminará assim… muitas vezes, embora não todas…

Como em tudo o treino fará o mestre. Treine em casa, no quintal, no jardim mais próximo. Aproveite o defeso para esse contacto com a pesca. Não sendo propriamente pesca, ajuda-nos a ter um cheirinho dela e a prepararmo-nos para quando o momento chegar.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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