Este artigo é a continuação do artigo da semana anterior – O Jig puro e duro

Como usar

Na minha opinião os jigs são as melhores imitações de lagostins que há dentro do leque dos iscos artificiais. Muitos não se apercebem da semelhança, pois ela não é imediata. É necessário ver um conjunto jig e atrelado a deslocar-se dentro de água para ver as semelhanças. Já que falámos de atrelados, é bom esclarecer que os jigs poucas vezes se utilizam por si só. Normalmente compõe-se o jig com um atrelado que lhe dará mais forma, mais flutuabilidade, mais cor e mais corpo.

Jig com atrelado a imitar um lagostim

Jig com atrelado a imitar um lagostim

Os atrelados podem ser bastante variados, pessoalmente prefiro usar imitações de lagostins ou grubs de cauda dupla. Há também os conhecidos «porcos», que assim se designam por serem manufacturados em courato de porco e que são usados ainda hoje, embora as imitações em plástico sejam cada vez mais populares. O problema do courato de porco transformado para este efeito é a sua conservação. Quando o ar se apresenta seco em pouco tempo o courato seca e fica inutilizado para sempre. O seu uso, porém, deve ser limitado a temperaturas de água abaixo dos 16º, onde se torna mais maleável que o plástico, no nosso país estas temperaturas ocorrem em épocas em que a humidade do ar é elevada e por isso não se deteriorarão com tanta facilidade. Quem quiser aproveitar as características deste atrelado deve também saber que, por vezes, ele pode dificultar a ferragem, por tapar o anzol ou a sua barbela. Para resolver este problema basta que se coloque parte do corpo de uma minhoca ou grub, já usados, na parte direita do anzol, de forma a evitar que o «porco» suba. Muitos dos jigs que trazem rattles têm esse problema resolvido à partida.

Jig com a saia original de fábrica

Jig com a saia original de fábrica

Estas amostras não devem ser usadas como vêm da fábrica. Os fabricantes pecam por excesso em alguns componentes, nomeadamente nas saias e no anti-erva. A saia deve ser cortada de forma a tornar mais vivo o conjunto, para isso use uma tesoura e corte a saia pelo anzol em inclinação, de maneira que fique mais comprida do lado da ponta do anzol e mais curta na parte de trás. O anti-erva vem de fábrica com 30 a 40 fibras, mas 20 são mais do que suficientes para evitar muitos dos possíveis enganches. Hoje em dia, os que nos chegam dos fabricantes japoneses, já vêm com saias mais apropriadas e com anti-ervas à medida. Já agora afaste as fibras, mais ou menos metade para cada lado, isto vai evitar que o jig rode

Jig com a saia aparada

Jig com a saia aparada

lateralmente, motivo que mais enganches provoca. Não esquecer que este anti-erva

serve apenas para proteger o anzol, assim, se estiver a ultrapassar a ponta do anzol, deve ser aparado. Se o jig trouxer ratlle, que é uma pequena câmara de plástico, metal ou vidro, com esferas dentro, pode retirá-lo se assim o entender. Normalmente não atrapalha, mas há quem não goste de os usar. Nas condições em que pescamos com estes artefactos, um pouco de som só pode ajudar o peixe na sua localização, portanto, em princípio, aumentará as nossas possibilidades de captura. Não se esqueça de afiar bem o anzol, disso vai depender a sua capacidade de ferragem.

Material

O material a usar deve ser médio-pesado a pesado. Estas técnicas de pesca são associadas a linhas grossas, conjuntos de casting e canas de 1,95, 2,10 ou mesmo 2,25 metros de acções média-pesada ou pesada. A razão é simples. Vamos pescar em coberturas densas e temos de ferrar, trabalhar e sacar peixes de lá de dentro.

Conjunto de casting para pesca com jigs

Conjunto de casting para pesca com jigs

Ferrar é mesmo o mais importante nestes casos. Quando se sente um ataque deve ferrar-se imediata e violentamente. Isto pode fazer a diferença entre retirar um peixe da cobertura ou não. A ferragem violenta obriga o peixe a deslocar-se no seu sentido, além de o apanhar de completa surpresa, o seu primeiro movimento será nesse sentido o que facilitará a sua captura pelo pescador. Esta não é uma técnica em que a luta com o peixe seja muito longa, na verdade, a luta quase não existe. Ferra-se e eleva-se o peixe até à superfície para o agarrarmos de seguida. Shaw Grigsby no seu livro «BASSMASTER Shaw Grigsby – Notes on Fishing and Life» (publicado pela National Geographic, em 2000) diz mesmo que conhece pescadores que são tão maus a trabalhar o peixe depois de ferrado que usam este conjunto de técnicas, associadas aos jigs e às águas baixas, para facilitarem a sua vida nos torneios.

Para além destas técnicas, de uso em águas pouco profundas ou nas partes mais altas de coberturas densas (até aos dois metros mais ou menos), há outras em que se lançam os jigs para um pouco mais longe e se trabalham das mais diversas formas: aos esticões, aos saltos, executando ferragens com intervalos de paragem (dead sticking), ou mesmo fazendo nadar o jig, mas essas ficam para outra vez.

Para terminar, deixem-me lembrar-vos que 90 por cento dos ataques ocorrem durante a descida, portanto muita atenção. Se a amostra chegar ao fundo levantem-na com a ponteira da cana, claro, e executem alguns movimentos curtos e deixem cair de novo, se nada acontecer recuperem, não esquecendo de fazer uma ou duas paragens no percurso de subida, pois muitas vezes há peixes que arrancam em perseguição e só se decidem a meio caminho.

Achigã capturado com jig com atrelado

Este artigo é a continuação do artigo da semana anterior – O Jig puro e duro

Outros artigos sobre Jigs:

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

More Posts - Facebook