A variedade de jigs, e do que se entende por jig, é tão diversa que antes de começar é melhor explicar bem do que vamos falar.

Estamos acostumados a chamar jig a qualquer cabeçote, isto é, a qualquer anzol provido de uma cabeça pesada. Palavras como darterhead jig, open jig, ou mesmo jigging spoon podem baralhar o termo como o vamos usar. Porém, se chegarmos junto de qualquer pescador de achigãs com alguma experiência e lhe perguntarmos o que é um jig, provavelmente irá à sua caixa e mostrará um isco artificial compacto constituído por anzol, peso, saia e anti-erva. É deste jig que vamos falar.

Não se pode dizer que se trata apenas de um isco para usar no Inverno, todavia, será uma das épocas em que o seu uso mais se justifica. Tratando-se de um isco que se usa nos primeiros dois metros de água, que aproveita as águas menos límpidas e que pressupõe peixes encostados a coberturas densas, é sem dúvida o Inverno o seu melhor domínio. A ideia de que os achigãs afundam muito no Inverno não é totalmente correcta, já que, em águas menos transparentes, na presença de coberturas associadas a qualquer tipo de madeira e com lagostins presentes eles podem permanecer em águas pouco profundas.

Onde usar o jig

A forma compacta do jig torna-o um especialista para coberturas densas. Quando se fala de pescar com jigs, de imediato nos lembramos de coberturas densas. Um regular empate Texas pode ser usado nestes meios com alguma precaução, mas este é o verdadeiro «habitat» do jig. O peso na cabeça do anzol e, especialmente, o anti-erva dão-lhe o que precisa para bater qualquer amostra em águas mais baixas e em circunstâncias em que a pesca vertical, ou muito próximo da verticalidade, seja a aproximação ideal. Não quer dizer que não possamos usar o empate Texas, o que aqui se defende é que será mais eficaz usar um jig devidamente apetrechado.

O jig é uma amostra capaz de atrair bons exemplares

O jig é uma amostra capaz de atrair bons exemplares

Profissionais de renome, como Deny Brauer ou Tommy Biffle, são verdadeiros especialistas, mas, como é apanágio destes pescadores, todos sabem usá-los e, sobretudo, sabem a diferença que faz pescar com jig quando o peixe grande faz falta.

As condições ideais para usar jigs são as que permitem uma aproximação ao pesqueiro sem alertar os peixes com a nossa presença. Qualquer cobertura densa facilita essa aproximação, uma vez que os peixes têm tendência para se abrigarem nela, tirando partido dos locais de emboscada que seleccionaram para atacar de surpresa as suas possíveis presas. Por exemplo, uma árvore caída para dentro de água é um desses locais, bem como as que morrem em pé, vítimas do enchimento de uma albufeira, ou os arbustos vivos que aguentam a inundação e sobrevivem dentro de água. Todos estes são pontos de excelência para a pesca com jigs. Por outro lado, um pouco de vento ou uma tonalidade de água menos perto da transparência absoluta são outras condições que facilitam o uso de jigs, embora não determinantes, ajudam muito o pescador, especialmente os menos experientes. Se encontrarmos uma água completamente barrenta numa zona de coberturas densas, então isso será o paraíso da pesca com jig, mormente do flipping e do pitching que são técnicas de lançamento pendulares com apresentações próximas da verticalidade. Nestas condições os peixes vêem mal dentro de água, colocando-se mais perto das coberturas (que são os seus melhores instrumentos de orientação no meio e de emboscada) porque comer é uma necessidade.

O sucesso ou insucesso de qualquer apresentação nestes paraísos depende muito da temperatura da água que os obrigará a comer mais ou menos, consoante se aproxima ou ultrapassa os extremos, digamos até aos 15º e acima dos 27º, a vontade de comer não será muita, enquanto que, entre os 20º e os 25º, a necessidade de alimentação é a prioridade. Mesmo nas condições mais adversas é possível que um achigã ataque algo que entrou na água perto de si, ainda que não veja, por curiosidade ou por não poder desperdiçar a oportunidade. Nenhuma amostra faz isto tão bem como o jig.

Pequeno Glossário

Cobertura – todo e qualquer tipo de obstáculo dentro de água que não faça parte da orografia da massa de água

Flipping – Técnica de lançamento pendular para distâncias muito curtas (2 a 5 metros) que permite uma apresentação vertical ou quase e uma entrada na água muito discreta.

Pitching – Técnica de lançamento pendular para distâncias curtas a médias (4 a 10 metros) que permite uma entrada na água mais discreta que os lançamentos.

Rattle – Dispositivo em forma de câmara que contem esferas de modo a provocar som.

Dead Sticking – Técnica de pesca que se traduz numa total ausência de movimento da cana. Todavia, o isco pode ter (e em princípio tem) movimento que é provocado pelos movimentos da água.

Cores e pesos

 

A escolha de cores é das mais simples que há. Um jig preto, castanho, lilás ou verde-escuro, pode ser combinado de tantas maneiras com atrelados que dificilmente deixará de ser notado. Eu prefiro imitações de lagostim para estas aplicações.

Para pescar na vegetação submersa a maiores profundidades é aconselhável a utilização de jigs com cabeçotes específicos para erva

Jig com um Flapping Hog da Yamamoto atrelado é uma boa imitação de lagostim

Já com os pesos temos de ser mais cuidadosos. O peso é o que imprime a velocidade de apresentação do isco, como tal, temos de atender aos elementos para fazermos uma correcta selecção. Numa água transparente vamos querer que o jig seja visto mas não muito em pormenor, então devemos usar pesos de 14 a 21 gramas. Numa água mais turva queremos que ele seja percebido e ouvido, daí podermos optar por 7 a 10 gramas. Claro que a escolha dos atrelados é aqui fulcral: se escolhermos atrelados mais corpulentos vamos retardar a queda e provocar mais vibração, o que ajuda em águas turvas, por outro lado, para águas transparentes devemos optar pelo «low profile».

Outra questão é a da temperatura da água: em águas muito quentes ou muito frias, temos e dar mais tempo aos peixes, logo, devemos escolher pesos leves ou pesos moderados (10 a 14 gramas) com atrelados volumosos; para as águas amenas faça-se o contrário.

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Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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