Antes de mais nada, obrigado à BASS FISHING TOURNAMENT NEWS, pelas fotos e pela autorização de publicação. Grande trabalho de divulgação deste Mundial.

De seguida é de realçar que, de tudo o que ouvi até agora, também é justo endereçar um cumprimento especial à organização e ao júri que soube estar à altura de um evento deste tipo. Parabéns!

Agora vamos ao que me traz aqui…

Prometi e aqui estou para falar sobre este e outros mundiais. Lá porque a nossa seleção caiu no último dia três lugares, não é menos digna destas linhas.

Logo mundial 2015

Provas como estas não se ganham sem custos elevados ou felizes coincidências. O anormal é o que sucedeu no ano passado. Sim. É completamente improvável uma equipa chegar a uma massa de água que nunca viu e vencer, mas menos provável ainda é uma seleção conseguir esse feito. Mas isso foi no ano passado. Já festejámos. Agora falemos deste ano, ou seja, da «normalidade».

Todos sabemos que a pesca não é uma ciência exata, apesar de ser enquadrada entre muitas. A Matemática pode ajudar, tal como a Biologia, a Ecologia, a Física, a Química, a Meteorologia… E tantas outras. Mas, não há uma ciência que ajude quem, em determinado período de tempo, tem de localizar, aliciar, ferrar, capturar e trazer à pesagem peixes. Somos seres humanos, trabalhamos com o que conseguimos processar mentalmente a cada momento e não temos o domínio de todas as variáveis que esta atividade encerra. Acho que esse é, aliás, o seu encanto. Portanto, não vale a pena pensarmos que chegamos a um «terreno» que não conhecemos, em que nos foram apenas dados dois dias de treino, e que percebemos tudo de repente… E então como se escolheria o vencedor se fosse assim tão fácil?

Até tínhamos um conhecimento mínimo daquelas águas, devido ao Mundial de 2011, uma das nossas duplas já lá tinha pescado e já lá tinha arrancado um 4º lugar. Porém, em condições muito diferentes destas. Toda a gente viu que havia ondas grandes devido ao vento que se fez sentir. O Lago de Bolsena é o cone de um vulcão inativo que se encheu de água, está, portanto, no topo de uma elevação, o que o torna muito desprotegido. Quando o vento sopra moderado com rajadas fortes transforma-se num pequeno mar, dificultando a navegação e a pesca, por consequência.

A equipa da casa nem sempre é favorita, mas neste caso, o conhecimento dos baixios pescáveis dá uma grande vantagem. Tinham tudo controlado e seria difícil vencê-los. Depois há o fator russo. Essa equipa homogénea, que não faz provas e apuramento embora aqui e ali vão acrescentando um ou outro novo membro, coloca recursos monetários (que nós não temos) de tal monta que consegue treinar antecipadamente e comprar spots de pesca. Note-se que não lhes retiro o mérito! São bons pescadores e são eles quem captura os peixes, apenas digo que lutam com armas que nós não temos. Este ano até lhes correu mal, porém, em provas na Europa serão sempre sérios candidatos.

Isto tudo para dizer que restava a esperança de um lugar no pódio… Era na verdade o que restava para todas as outras seleções.

Aconteceu que Itália cumpriu e dominou de fio-a-pavio. A Rússia somou azares com uma embarcação que ficou sem motor de explosão, no primeiro dia de prova, e naufragou, no segundo dia, o que permitiu à África do Sul uma incursão ao segundo lugar… O resto foi o que se viu… Uns sobem outros descem, mas a dada altura já se sabe que alguém vai pensar em arriscar, porque fora do pódio já estão e há que fazer alguma coisa. Acredita-se que é possível arriscar os peixes grandes… E depois, quando se dá conta que é melhor tentar sempre o limite, já é demasiado tarde. Não sei se foi isto que aconteceu. Se aconteceu com a nossa seleção não posso dizer que tenha sido estratégia, mesmo que fosse não diria ser errada… Estou apenas a conjecturar sobre o que pensam as seleções que se vêem fora do pódio à entrada do derradeiro dia… E lembrei-me de uma entrevista no Bassmaster Classic de 2004. Perguntei ao Davy Hite se sentia capaz de vencer (ele tinha vencido no Delta do Mississippi). A resposta dele foi muito simples: «Depois de ter vencido, em 1999, um segundo ou um terceiro lugar faz o mesmo à minha carreira que o último, só o primeiro interessa, portanto, vou arriscar tudo.» Arriscou e terminou em 12º…

Acho que estávamos numa posição semelhante. Depois de vencermos no México, sermos sextos ou nonos ia dar ao mesmo.

O pódio por equias Nicola Minaldoni e Luca Della Ciana, Tinino Bandinelli e Andrea Rezzi, Justy Verkevisser e Marc Bywater

O pódio por equias Nicola Minaldoni e Luca Della Ciana, Tinino Bandinelli e Andrea Rezzi, Justy Verkevisser e Marc Bywater

O pódio por nações - Itália, África do Sul e Rússia

O pódio por nações – Itália, África do Sul e Rússia

Não nos podemos esquecer que isto é válido para os nossos mundiais e para o Bassmaster Classic, estarmos lá já é um prémio, apenas alguns de cada país o conseguem. O mais importante é perceber que se trabalhou sempre em equipa e que deram tudo o que tinham para dar. Houve união, houve entendimento, já é o segundo ano que isso é reportado e eu espero sinceramente que se tenha aprendido esta lição: mesmo assim é difícil, como tal, não vale a pena complicar mais. Em 2016 esta prova decorrerá em Portugal. Seleção temos, e boa! Basta manter esse espírito. Vamos a isso!

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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