Este artigo é a continuação do artigo Vegetação aquática com amostras de superfície.

O «penetrator rig»

Esta é uma invenção um pouco mais antiga. Desde há muitos anos que os pescadores sentiram a necessidade de penetrar os maciços compactos de ervas que apenas se acumula à superfície, deixando bons espaços, com muita protecção, debaixo deles. Quando os juncos e outras plantas verticais se partem com o vento, quando os jacintos ou os nenúfares de água são abundantes e ocupam vastas áreas ou quando alguns outros tipos de ervas (hydrila, miriofilum, etc.) atingem a superfície deixam debaixo de água verdadeiras auto-estradas que são muito usadas pelos peixes em deslocação ou quando estão a caçar. A ideia sempre foi colocar um isco que penetrasse esses obstáculos superficiais e conseguisse o acesso a essas áreas abertas para poder provocar os achigãs que ali vivem, passam ou caçam.

Um belo exemplar "puxado" de dentro da vegetação densa

Um belo exemplar “puxado” de dentro da vegetação densa

Os pioneiros, como Denny Brauer, começaram por usar jigs de uma onça e mesmo de uma onça e meia que lhes permitia perfurar essas coberturas. Mas o «Texas rig» tinha tudo para se tornar apto nestas condições. Bastava usar um peso adequado. E assim veio a suceder. Tarefa essa facilitada com o aparecimento do tungsténio que diminuiu bastante o volume, facilitando assim a penetração das coberturas de que estamos a falar.

O Penetrator rig - repare-se na linha entrançada

O Penetrator rig – repare-se na linha entrançada

Normalmente, não se usam iscos muito grandes, muitas vezes a zona é muito baixa e é necessário que se possa mostrar o isco com movimentos ascendentes e descendentes. O tamanho médio é de dez centímetros, mas pode ser ainda mais pequeno. O peso, pelas suas dimensões, tem de fazer parte do isco, por outro lado, não há necessidade de usar vinis muito volumosos, ou com muitos apêndices, para facilitar a penetração seguindo o peso e não atrapalhando a sua função.

O anzol deve ser grande, pelo menos 4/0, e «wide gap», para facilitar as ferragens que são quase verticais. Reparem que a técnica de lançamento mais usada neste tipo de aproximação é o flipping. Na verdade, com uma cobertura de ervas, não temos necessidade de nos afastarmos muito do local onde queremos lançar, já que os peixes não nos podem ver.

Quase todos os pescadores conhecem barragens ou pequenas charcas onde este tipo de condições se encontra com facilidade, especialmente da Primavera para a frente, até ao fim do Outono. Este facto pode levar-nos a olhá-los de outra forma, não como um impedimento, mas como uma oportunidade.

O flipping é o lançamento de excelência para o uso do penetrator rig

O flipping é o lançamento de excelência para o uso do penetrator rig

Muitas vezes, mesmo no Inverno temos condições para usar estes empates, por exemplo, quando se juntam maciços de destroços arrastados pelas correntes invernais, ou quando uma tempestade destrói algumas plantas das margens e as arrasta para alguns recantos… Aos primeiros raios de luz, é aí que os achigãs se vão recolher, mas há outros motivos: se esses maciços flutuantes acostam a esses locais é porque aí não passa corrente que os arraste, como tal, corresponderão a zonas mais remansosas tão apreciadas pelos predadores.

Nestes maciços de ervas, penetrar a água é muito importante

Nestes maciços de ervas, penetrar a água é muito importante

O «Ockeechobee rig»

Ockeechobee rig - componentes utilizadas no empate

Ockeechobee rig – componentes utilizadas no empate

Este é outro tipo de «penetrator rig» desenvolvido por pescadores do maior lago da Florida. Trata-se de inverter o «Texas rig». Usa-se um chumbo apropriado que não tem furo, mas sim um dispositivo que o prende ao anzol e não à linha. A montagem é muito simples: ata-se um anzol grande, 4/0 ou 5/0, directamente na linha, depois coloca-se o peso na parte inferior do isco, não na cabeça, mas na parte de trás, naquela onde entraria o anzol se usássemos o «Texas rig» tradicional; para facilitar, o peso tem um arame de aço

Ockeechobee rig - montagem efectuada

Ockeechobee rig – montagem efectuada

em «U» invertido que penetra a base do isco; finalmente, colocamos o anzol no isco, pela cabeça e, quando voltamos a reintroduzi-lo na parte de baixo, fazemo-lo passar por dentro do tal «U» invertido segurando o peso.

Esta inovação, ainda pouco utilizada, tem a grande vantagem de uma apresentação mais imediata e natural, mas o seu maior benefício surge no momento da ferragem, uma vez que, a posição do anzol é perfeita para esse efeito. Enquanto um «Texas rig» normal obriga a uma volta para que o anzol se coloque em posição de ferragem, neste caso a ponta do anzol permanece voltada para cima. As vantagens deste empate são tão grandes que, desde que o conheci, o uso mesmo para fazer descer um lagostim por meio de árvores.

O empate Texas

Senko com anzol empatado à Texas

Senko com anzol empatado à Texas

Claro que se pode pescar em ervas densas com qualquer empate Texas, normalmente, opto por empates sem peso ou com o peso dentro do isco se fizer mesmo muita falta. Acho que o peso à frente pode ser apenas mais uma forma de provocar prisões, especialmente quando se pesca da margem, como é o meu caso de há uns anos para cá. Além disso, prefiro apresentações horizontais nestes casos. Já aqui falámos sobre senkos que eu acho excelentes para todo o tipo de condições e para as ervas também.

O senko tem um peso próprio e não precisa de mais para permitir grandes lançamentos. Porém, os grandes lançamentos a pescar em ervas só servem para buscar uma abertura, uma interrupção na massa de vegetação, às vezes é aí que há peixes à espera… De resto, se pudermos, na presença de muita vegetação é melhor ficarmos pelos lançamentos curtos que só nos

O último peixe do dia de abertura 2014

O último peixe do dia de abertura 2014

darão vantagens.

Nesta abertura pesquei com um fluke que me deu um belo exemplar logo pela manhã e, mais tarde, mudei para um grub (Strecht, da Gary Yamamoto Custom Baits) que me proporcionou seis capturas, duas delas acima de quilo…

Na verdade nem usei senkos, mas o princípio manteve-se: pescar sem pesos adicionais.

Ainda vamos ter todo o verão, além deste resto de primavera, para nos depararmos com ervas…

Vamos aproveitá-las ao máximo.

Há lá bons exemplares dentro!

Relembro que este artigo é a continuação do artigo Vegetação aquática com amostras de superfície.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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