Há 10 anos para cá este passou a ser um nome incontornável quando se fala da pesca ao Achigã em Portugal. E a competição de margem está a trazer cada vez mais e melhores pescadores apeados às águas do Alqueva. Sendo eu um pescador nascido e criado “paredes meias” com as águas do Guadiana, vou deixar uma rubrica que espero que ajude estes pescadores a obter melhores resultados aquando das suas jornadas de pesca neste mediático lago.

Quantos de nós já lemos artigos cheios de floreados e dicas de sucesso, mas que quando vamos aplica-las na margem não funcionam? Pois é, a maioria das vezes não somos nós que estamos a pescar mal, são as condições em que o estamos a fazer que ditam se sai peixe ou não. Fundamentalmente esses conselhos que lemos sobre pesca ao Achigã em grandes lagos, têm de ser filtrados e adaptados à pesca de margem antes de serem executados, se não no fim da jornada vamos achar que aquilo era tudo uma conversa para exibir 2 ou 3 cabeçudos nas fotografias.

Voltando ao Alqueva, a partir da margem faz-se assim:

Material – 3 canas

1 Spinning 1,80m (Fast Tip);

1 Casting 1,95m (Médium Heavy);

1 Casting 2,10 (Médium)

Nota: Carretos e fios a gosto, para cortar variáveis.

Dezembro/Janeiro – Lúcios, Lúcio-percas, frio, drop-shot e muitas grades.

Fevereiro/Maio – Montar Jerkbait (cor Alburno) no Spinning, Big Worm Weighless no casting e Shallow Crank (cor Natural Shad ou Citrus Shad) na cana de acção média. Os Jerkbaits são imbatíveis se o peixe estiver espalhado e activo a comer para acumular energias para a desova. Os Shallow cranks (0,30-1,30m) servem para encontra-los quando não sabemos bem como estão a comer, nem o seu nível de actividade, apenas sabemos a profundidade a que se encontram nesta altura. E a Big Worm é “o truque”, e daí a importância de se ter mais do que uma cana montada, é o facto de não ser invulgar nesta altura vermos grandes animais a perseguir as amostras rígidas e não as atacarem, o que elas querem é uma minhoca bem grande a cair à frente do focinho, temos de estar prevenidos.

Junho/Agosto – Montar Popper pequena (cor não muito relevante) no Spinning, Fluke Jr. Split-Shot e Crank medium-diving (1,80-2,50m) na cana de acção media. A Popper cobre as primeiras horas da manhã e as ultimas hora da tarde, mas também alguns períodos isolados a meio do dia onde notamos actividade á superfície. O Fluke Jr. (Barrigudo, barriga-aberta ou peixe morto na gíria piscatória), nem é preciso explicar os motivos, basta pensar nas alegrias e milagres que esta amostra faz, não só no Alqueva. E por fim os Cranks médium-diving, não são famosos por dar aquelas pescarias memoráveis da margem, mas quando a coisa fica preta é costume inventarem “aquele peixe” que ganha uma prova ou serve para gozar com os 3 ou 4 companheiros que nem os cheiraram.

Setembro/Outubro – Montar passeante cor Alburno no Spinning, Senko 5” (branco ou preto consoante cor da água) no casting e Spinnerbait 3/8 (branca ou fluorescente consoante cor da água) na cana de acção média. Técnica explosiva nas horas quentes. Se o peixe afundar de repente, mudar o Senko para Bate-Palmas castanho Texas rigged.

Novembro – Mês muito parado em geral, peixes apáticos e “colados” às estruturas, é essencialmente o salve-se quem poder, não obedece a um padrão fixo.

duas capturas quase seguidas a Jerk cor Alburno, em inícios de Março

Para terminar, lembrem-se de que a chave para a conservação desta e de outras espécies de peixes, não é deixar de os comer ou deixar de levar peixe para casa, é o respeito pelo número e dimensão das capturas.

E pronto, espero não me ter alongado muito, se houver alguma dúvida específica, deixem nos comentários, e tirá-la-ei de bom grado. Depois disto há que referir mais uma vez que estamos a falar da margem e que “há dias e dias”, mas em circunstâncias normais o que está escrito acima é receita de sucesso no grande lago.

Luís Garrido

26 anos, Eng. Mecânico, natural de Moura, praticamente de pesca desportiva de competição em várias modalidades e entusiasta da natureza.

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