Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Quando se fala de uma estação do ano é evidente que temos de fazer grandes generalizações e, por vezes, que particularizar. Para que os nossos leitores aproveitem o máximo desta leitura o que se vai tentar neste artigo é particularizar as situações mais frequentes, de forma a proporcionar-lhes meios para fazerem face às dificuldades e saberem aproveitar as facilidades que surgem aqui e ali.

O Verão é, por definição, uma estação quente. Com o problema que ocorre na camada de ozono, o sol é um «inimigo», um agente invasor, da nossa pele e dos nossos olhos, especialmente. Os primeiros conselhos são: que se usem roupas leves, que, nas partes expostas da pele, se aplique um bom creme solar e que protejam os olhos com óculos escuros, de preferência com lentes polarizadas, que ajudarão também a ver melhor para dentro de água e, por fim mas não menos importante, protegem os olhos quando uma amostra sai disparada, de uma possível prisão, em direcção a eles.

Provavelmente é a época do ano em que mais se pesca no nosso país. Os passeios são mais frequentes e é por excelência o tempo de férias, em que muitos aproveitam para pescar enquanto a família vai à praia, ao rio ou à barragem.

Na vida do achigã, trata-se de uma época de contrastes. Acabada a preocupação anual maior – a desova, com a sequente protecção da prole e a recuperação destes enormes desgastes – o que leva os achigãs a ocuparem os seus locais de caça favoritos. Consoante as zonas em que costumam caçar e os respectivos hábitos de caça, assim se vão reposicionar.

Estes seres são muito sociáveis dentro da espécie, e há locais que armazenam grupos onde, num período de actividade, se podem pescar cinco ou seis de seguida, mas também há dois extremos opostos: os que vivem sós, os chamados «lone stars», e os que vivem sempre em grandes cardumes deambulando por toda a massa de água, seguindo ou procurando cardumes de peixes mais pequenos.

Os primeiros de que falámos ocupam zonas de conforto com boas sombras proporcionadas, por exemplo, por árvores grandes, por maciços de vegetação, por pedras, enfim qualquer coisa que atraia peixes mais pequenos, que lhes proporcione oxigénio e lhes dê uma vantagem sobre as presas através da camuflagem.

Os segundos são os maiores e os mais agressivos, só na época da desova permitem alguma companhia, de resto querem o seu canto e a sua zona de caça para si apenas afastando qualquer intruso, mas isto não os torna fáceis de capturar, uma vez que não chegaram ao seu tamanho e à sua idade atacando tudo o que aparece. Um fenómeno interessante nestes animais é que a idade não lhes retira capacidades, aumenta-as!

Por fim, os jovens, embora em alguns casos de mais de quilo, que formam cardumes e deambulam em busca de conforto e de comida, são difíceis de localizar, mas mais fáceis de capturar. Quando encostam a uma margem cercando um cardume de peixes-presa ou à procura de lagostins, entram num frenesim alimentar que os torna muito vulneráveis às nossas técnicas de pesca.

Do que conheço e do que li sobre os achigãs, fica-me a ideia de que todos eles podem passar pelas três fases se viverem tempo suficiente para isso.

Os locais principais e de localização no Verão são os bicos, especialmente os principais numa determinada massa de água, mas ainda mais os que tiverem qualquer tipo de cobertura associada (ervas, arbustos, árvores, pedras soltas, ou misturas destes tipos). Porém, é bom lembrarmos que por norma as nossas zonas de pesca perdem muita água no Verão e a temperatura sobe muito, mormente à superfície. O resultado é que os peixes podem afastar-se das zonas mais óbvias e ficarem suspensos a vários metros delas e a alguns de profundidade também.

Com a subida da temperatura e a ausência de fortes ventanias a água divide-se em camadas, ou seja, estratifica formando-se uma zona que se chama termoclina em que há uma acentuada variação de temperatura dividindo a zona mais quente, acima dela, da zona mais fria, abaixo dela. Quem pesca de barco vê muito bem estas zonas nas sondas porque aí se concentram, em suspensão, partículas maiores ou mais pequenas, que incluem plâncton (conjunto de animais e vegetais minúsculos) que são a base da cadeia alimentar do achigã, explicando melhor, há peixes e outros animais pequenos que procuram essas partículas e os achigãs vão lá procurá-los a eles, podendo permanecer por algum tempo, até por uma questão do conforto que encontram na temperatura amena.

Como todos os dias de pesca são diferentes e únicos temos de estar atentos para desfrutarmos o máximo deles. Há horas e tipos de dias com menos luminosidade, há sombras e há vento, entre muitas outras coisas que podem suceder penso que estas são as que vamos encontrar com mais frequência e temos de saber aproveitá-las.

Horas de pouca luz

Ao entardecer e ao amanhacer é mais confortável pescar em dias muito quentes

Ao entardecer e ao amanhecer é mais confortável pescar em dias muito quentes

O amanhecer e o entardecer são as horas mágicas dos pescadores de lazer neste nosso tipo de pesca. Os praticantes de competição raras vezes têm hipóteses de as pescar, mas para quem pesca sem horários e sem compromissos não há dúvidas. O conforto proporcionado pelo sol mais baixo e mais fraco, a luminosidade própria destas horas e a forma como os peixes se deixam capturar mais facilmente, fazem destas horas uma agradável mistura que nos arrebata e nos deixa esquecer todo o resto que compõe as nossas vidas. Conheço muitas pessoas que só pescam nestas horas e, não me atrevendo sequer a esboçar uma crítica, vejo bem as suas dificuldades quando acontece que uma delas opta por ir a uma prova… Habituadas a pescar muito nestas horas, normalmente, acabam por não saber o que fazer durante as outras.

Voltando ao assunto, durante estes períodos as amostras de superfície são rainhas. Os peixes estão mais despertos para o que se passa à superfície para tirarem partido do conforto que lhes proporciona a baixa luminosidade e o despertar, ou a despedida, que os seres vivos do meio costumam fazer relativamente a cada dia. São as rãs a cantar e a passear descuidadas, são os peixes mais pequenos a comer insectos que nascem por estas horas, enfim é um frenesim de vida que pula em seu redor.

O pescador é o predador de topo que se apercebe de tudo isto, que o aprecia conscientemente e até com algum fascínio, mas também que o aproveita em seu favor para capturar os nobres predadores que os fizeram sair de casa muito cedo e vão fazer chegar muito tarde.

O meu isco de eleição para estas horas é o buzzbait, desde há muitos anos. Começo por lançar e recuperar o mais devagar que posso e, caso não resulte, faço variar a velocidade. É uma das amostras que captura grandes exemplares e que não é excessivamente técnica no seu uso, qualquer principiante pode tirar partido dela.

Também gosto muito das poppers, ou beijoqueiras, embora não seleccionem tanto as capturas são engraçadas de animar e são bastante versáteis.

Uma popper é sempre uma boa opção para superfície e também para horas de pouca luz

Uma popper é sempre uma boa opção para superfície e também para horas de pouca luz

Ultimamente, regra geral, quando há muita vegetação, uso as rãs de plástico mole, quer as do tipo Basirisky quer as do tipo Horny Toad. As primeiras permitem paragens à superfície da água ou dos compactos de ervas, as segundas, só nos maciços de ervas se podem parar, em água aberta afundam, mas podem bem ser um substituto dos buzzbaits quando a vegetação nos impede de os usar. São excelentes amostras que têm de começar a fazer parte do seu arsenal de ferramentas para capturar achigã.

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Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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