No próximo sábado é o último dia de pesca antes do inicio do defeso em Portugal.

É normal todos os anos ir à pesca no dia da abertura, mas por este ano o dia 14 de março ser ao sábado, vou também fazer a despedida! Julgo que tal como eu, milhares de pescadores de achigã farão ao mesmo por todo o país.

No artigo de hoje, abordo o comportamento que devemos esperar por parte dos peixes, com base no qual poderemos tomar algumas decisões que se podem tornar importantes para o sucesso da jornada.

O que esperar dos achigãs

Se os achigãs respeitassem o calendário do defeso, estariam já a entrar na chamada fase de pré-desova. No entanto, no reino animal isto não é tão simples e linear… Podemos no entanto seguir algumas linhas orientadoras do comportamento dos achigãs de acordo com as nossas estações do ano para prever o seu comportamento.

À medida que nos aproximamos do fim desta estação, entre fins de fevereiro e princípios de março, assiste-se a uma subida das temperaturas. Os achigãs começam a procurar e a frequentar zonas mais baixas com vista a posterior preparação de ninhos.

Entra-se no chamado período da pré-desova. Este período pode durar várias semanas. Se o tempo for instável, os achigãs avançarão e recuarão conforme as frentes frias passam. Fogem para zonas mais protegidas quando o tempo lhes é desfavorável e acorrem a patrulhar as zonas baixas, logo que o tempo melhora, em busca de locais ideais para fazerem ninho.

Com as condições favoráveis, os machos dão inicio à preparação dos locais seleccionados para os ninhos e alimentam-se avidamente para enfrentar o desgaste da desova. As fêmeas também procuram alimento para o mesmo fim, tornando-se fáceis de capturar. Nas barragens do Sul, isto poderá acontecer no início de Março, nas do Centro e Norte já sucede no defeso (que, como se sabe, tem início a 15 de março terminando a 15 de maio) e muitas vezes depois de terminado este período.

Este ano, os primeiros dias de março têm sido mais quentes, diria que de verdadeira primavera. Aqui no Ribatejo já fez com que os achigãs dessem inicio à sua migração e entrada no período de pré-desova, como me foi possível constatar no passado fim-de-semana, com a captura de vários exemplares com amostras de superfície.

O primeiro achigã de 2015 com uma amostra de superfície

O primeiro achigã de 2015 com uma amostra de superfície

As escolhas dos Pros

Em relação ás amostras, já muito aqui foi falado sobre as melhores amostras para cada mês.

Tal como é possível constatar no artigo sobre as melhores amostras para achigã no mês de março, as três principais escolhas dos pros americanos para este mês são jigs, crankbaits e stickbaits de vinil.

Essa informação será um bom ponto de partida para a organização da nossa caixa de amostras, principalmente para quem pesca de margem. No entanto, é sempre bom irmos preparados com outras opções, nomeadamente, e como já referi, para superfície. Depois, é ainda necessário ter em atenção a localização geográfica da massa de água onde vamos pescar. Certamente que neste período de transição, as melhores amostras para massas de água localizadas no norte do país não serão as mesmas que para as massas de água a sul.

Respeito pela Natureza

Estamos numa altura de transição. Os peixes preparam-se para iniciar a reprodução e tornam-se mais fáceis de capturar por estarem a comer activamente para se prepararem para a dureza da fase que se segue.

Nesta altura, assim como no período imediatamente após a abertura, é fundamental que todos os pescadores tenham consciência do impacto negativo que podemos ter nas populações futuras de achigãs nas massas de água onde vamos pescar.

Mais do que nunca, cada um deve estar consciente que ao matar as grandes fêmeas, está a impossibilitar-se a si próprio de vir a ter uma população estável de achigãs, visto estes exemplares serem responsáveis pela produção de milhares de ovos que, dentro de poucas semanas serão depositados nos ninhos que começam a ser preparados pelos machos. Assim, mesmo que não o faça regularmente, opte por libertar os peixes, principalmente todos aqueles que já aparentem estar “cheios” com ovas – eles são o garante do nosso desporto para os próximos anos.

Libertar os achigãs que pescamos em nome do futuro da pesca

Libertar os achigãs que pescamos em nome do futuro da pesca

Alberto Nunes

Alberto Nunes é um profissional de Informática viciado em pesca ao achigã. Criou o basspt.com para partilhar as suas ideias e experiências de pesca ao achigã, e para colmatar a falta de informação em Portugal sobre esta temática.

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