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Provavelmente, todos os que actualmente pescam ao achigã, não se iniciaram na pesca logo a pescar achigã.

Arriscaria a dizer que a primeira coisa a que 99,9% de todos nós começou por pescar foram percas, ou outros pequenos peixes. Pelo menos eu foi assim que comecei, por volta dos 5 anos de idade.

Poucos anos depois comecei a pescar ao achigã, mas nunca deixei de pescar de bóia a outras espécies. Em 1998 arrumei as canas, só tendo voltado a pescar em 2009. Foi a minha primeira introdução de pesca ao achigã com amostras de vinil, e fiquei completamente viciado!

Desde então tem sido só achigã. Em 2012 comecei a participar no campeonato nacional, e tenho tentado sempre aprender cada vez mais sobre este magnifico peixe e a sua pesca. Não encaro a competição como uma coisa de vida ou morte, mas sim como uma forma de me conseguir relacionar com outras pessoas que têm a mesma paixão que eu – pescar ao achigã, com a filosofia de pescar e libertar. Acabo por competir, isso sim, comigo mesmo, no dia a dia, sempre na tentativa de bater o meu recorde pessoal, e outras vezes na tentativa de conseguir boas capturas para partilhar com todos vós aqui no blog.

Pelas mais variadas razões, por vezes é melhor pescarmos outras espécies. Aqui ficam algumas razões para pescarem ás percas!

Cura para uma série de maus resultados

No ano passado, a pesca ao achigã começou a ter o efeito contrário – em vez de me sentir relaxado, realizado ou emocionado, comecei a sentir-me algo deprimido, isto porque os bons resultados faltaram durante alguns tempos. Na altura associei essa falta de resultados com a pesca predatório que é praticada na minha zona. Sentia-me a perder essa batalha, e parecia que por isso, os meus locais favoritos tinham deixado de produzir os bons exemplares que tanto estimava e tentava preservar.

Um dia, cansado e desiludido, lembrei-me de resgatar o meu antigo estojo de pesca, e ir sentar-me numa sombra, à beira da água, e pescar ás percas novamente. Lembro-me de ter levado uma geleira e tudo, para me sentar, e nem sequer me preocupar em ter que ir ao carro buscar bebida. O objectivo era mesmo relaxar ao máximo. Nesse dia, levei um caldeiro com o intuído de levar algumas percas pequenas para colocar no nosso “açude de testes” para alimentar os achigãs que pareciam andar magros.

Uma boa pescaria de percas anima qualquer um

Uma boa pescaria de percas anima qualquer um

Mal tinha colocado o anzol na água, e já estava a colocar no caldeiro uma perca, mas ao contrário do que estava à espera, esta não tinha nada de pequeno! Como costumo dizer, era uma perca à antiga, daquelas que enche a mão. Acabei por não as levar, pois eram grandes demais! Já não me recordo dos números concretos, mas em cerca de 2 horas foram mais de 80! Estava novamente “a bem” com a pesca, e sentia-me com animo para voltar aos tão amados achigãs. No entanto, aproveitei a embalagem, e voltei lá poucos dias depois com o Tiago, para a que seria a sua primeira pescaria à bóia! Foi mais um fim de tarde incrível com outra grande pescaria.

Percas grandes com o equipamento adequado são diversão garantida

Percas grandes com o equipamento adequado são diversão garantida

Por esta altura, muitos já deixaram de ler, e os que ainda continuam devem estar a pensar “mas isso não dá luta nenhuma, logo não dá o mesmo gozo”. A minha resposta a isto é – depende! Se utilizarem o equipamento adequado, vão ver que se vão divertir, mas se utilizarem, por exemplo, as canas de achigã, então aí não irão ter grande prazer além do nº de capturas, pois até mesmo as maiores percas irão sair sem qualquer dificuldade. Mais sobre o material a seguir…

Cura para ansiedade de pescar ao achigã

Para todos os que não têm possibilidade de pescar ao achigã em Espanha ou nas zonas que se encontram nas excepções do período do defeso, e querem cumprir a lei, neste momento já se encontram à um mês sem pescar. Têm ainda mais um mês de espera pela frente. Se costumarem pescar ao achigã todas as semanas como eu, muitas vezes mais que um dia por semana, estar mais que um mês sem pescar é praticamente impossível… A solução: pescar outras espécies que não tenham defeso.

Assim, no passado dia 13 de Abril resolvi sair para a primeira pescaria ás percas deste ano. Desta vez, com isco artificial!

Esta saída, além de aliviar a ansiedade de ir à pesca, serve também para ver como está a evoluir o período de reprodução dos achigãs. 😉

A chegar ao açude. A vegetação aquática já está praticamente renovada.

A chegar ao açude. A vegetação aquática já está praticamente renovada.

Para desfrutar ao máximo, aconselho equipamento de spinning ultra-light, fio monofilamento 0,12mm e carrecto com o drag bastante solto.

Cana e carreto ultra-ligeiros

Cana e carreto ultra-ligeiros

Como mencionei, desta vez só utilizei isco artificial, o que torna esta peca mais técnica, e ao mesmo tempo dá para perceber que vinis têm a melhor fórmula que faz com que os peixes não os larguem, isto porque as percas cospem o isco imediatamente se detectarem que não é verdadeiro! No meu caso, “construí” uma pequena “mosca de vinil” com uma pequena parte da saia de um gonzo grub, da Yum, cor watermelon e com um pequeno pedaço de um dinger, da Yum, cor chartreuse. Não sei porquê, mas as percas ficam doidas com o verde e o rosa florescente! 🙂

A minha "mosca de vinil". Mais tarde tive que encurtar a "cauda".

A minha “mosca de vinil”. Mais tarde tive que encurtar a “cauda”.

A montagem é simples: bóia, de preferência como a apresentada, alguns pesos para calibrar a bóia e a nossa “mosca de vinil” na ponta:

Montagem final, já com os isco corrigido

Montagem final, já com os isco corrigido

Depois é só localizar as percas, lançar, e esperar que pique.

Primeira perca da tarde

Primeira perca da tarde

A pesca com este isco é bastante mais difícil do que com isco vivo. As percas retêm o isco menos tempo na boca, e por vezes tem que se utilizar a montagem a corricar suavemente, como se estivéssemos a pescar com um grande swimbait. Isto para que o isco não fique estático, e no ataque, como o mesmo vai em movimento, as percas acabam por cravar o anzol, mesmo que tentem cuspi-lo quando vêm que o isco não é verdadeiro. Esta abordagem é melhor com uma bóia mais comprida, pois ao recolhermos a linha, ela vai balançar suavemente para um lado e para o outro, o que ajuda a animar mais o isco.

Uma tarde de pesca descontraída e divertida

Uma tarde de pesca descontraída e divertida

Apesar desta vez o tamanho dos peixes não ser como os do ano passado, no final sentia-me como novo, pronto para esperar pelo dia 16 de Maio!

Deu ainda para ver que por este açude em concreto, o período de reprodução já foi!

Existiam muitos alevins próximos das margens

Existiam muitos alevins próximos das margens

Conclusão

Muitas vezes, fazer uma pesca “para meninos” é a melhor solução para superarmos momentos de cansaço. É uma pesca descontraída e divertida, e depois de voltarmos a ela, por umas horas que seja, voltamos a lembrar-nos das alegrias de criança e o motivo que nos prendeu a este fantástico desporto.

Alberto Nunes

Alberto Nunes é um profissional de Informática viciado em pesca ao achigã. Criou o basspt.com para partilhar as suas ideias e experiências de pesca ao achigã, e para colmatar a falta de informação em Portugal sobre esta temática.

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