Na sequência do VI Convívio de Pesca Embarcada o Achigã da ARCOleiros, que teve lugar na barragem do Cabril, com entrada em Álvaro, no concelho de Oleiros, quero dar conta do que penso sobre reconhecimento, mas antes vamos a um resumo do evento em si.

A prova contou com 58 duplas, um número poucas vezes atingido em convívios deste tipo, mas não foi este o único número que surpreendeu este ano. A pescaria vencedora, de Jaime Fava Rica e Estêvão Ribeiro, teve um peso total de 7,549 quilos, o que também constitui novo recorde, considerando todas as seis edições do evento. De notar que num cenário de pós-desova, em que os peixes estão magros, e a pescar numa barragem completamente diferente, devido ao nível elevado das águas, uma pesagem desta grandeza para cinco exemplares é, por si só, uma grande proeza. O segundo Lugar foi ocupado por uma dupla local, Luís Mendes e Fernando Henriques, que totalizaram 5,653 quilos, e o terceiro por, Fernando Alpalhão e Nuno Miranda, com um total de 5,206 quilos. Todas estas pesagens estão acima do normal para esta grande massa de água. O maior exemplar foi capturado por José Carvalho e pesou 1,916 quilos, um exemplar que mostrava bem as agruras deste tempo no seu ciclo de vida e que, se fosse pescado uns dias antes ultrapassaria os dois quilos.

A dupla vencedora, Estêvão Ribeiro e Jaime Fava Rica, exibe as suas capturas

A dupla vencedora, Estêvão Ribeiro e Jaime Fava Rica, exibe as suas capturas

José Carvalho, em primeiro plano, e Marco Mendes mostram as suas capturas, ente elas o maior exemplar

José Carvalho, em primeiro plano, e Marco Mendes mostram as suas capturas, ente elas o maior exemplar

A organização esteve à altura. Vi apenas a pesagem e a retirada de algumas embarcações da água, tudo bem executado, mas o que afirmo fica a dever-se ao que ouvi de todos os participantes que estavam muito gratos.

O grupo organizador envolve muita gente local e é encabeçado por Nuno Mateus que se tem empenhado na melhoria gradual de todos os aspetos controláveis do evento, ao ponto de o colocar num patamar de excelência que pretende manter e até melhorar.

Antes da entrega de prémios e depois do jantar de convívio foram entregues duas placas com a seguinte gravação: «A Associação Recreativa e Cultural de Oleiros, agradece todo o seu empenho e dedicação na divulgação da pesca ao achigã em Portugal».

Placa recebida pelo autor

Placa recebida pelo autor

Uma foi entregue a Javier Galiana, que dispensa apresentações neste pequeno meio em que todos se conhecem.

Coube-me a honra de receber a outra placa e quero agradecer – obrigado ao Nuno Mateus e à ARCO. Acima de tudo agradeço o gesto, sabe bem sentir que há quem reconheça, até porque não me falta reconhecimento de todos os setores da pesca e não apenas do achigã. Tive felizmente nesta parte de vida na pesca muito quem reconhecesse, mais em privado do que em público, embora mesmo em púbico tenha sido várias vezes homenageado. Porém, as homenagens que mais me tocam são mudas, são de gestos… Sinto-me homenageado de cada vez que vejo alguém libertar um achigã; de cada vez que vejo alguém divulgar a pesca e a forma de estar que defendo; de cada vez que me procuram em busca de ajuda sobre a nossa pesca… Enfim, as melhores homenagens são as que me fazem sentir que valeu, vale e vai valer a pena continuar a trabalhar em prol deste nosso desporto.

Mas há formas de reconhecimento que chegam de formas surpreendentes…

Há dias, na Madeira, fui contactado por uma senhora que estava com um problema. O marido estava prestes a completar 50 anos e não sabia o que lhe haveria de oferecer. Como ele é pescador lembrou-se de lhe proporcionar uma pescaria de trutas e solicitou os meus serviços. Pela profissão que tem e vivendo na Madeira há mais de vinte anos, percebi que não ia ser fácil satisfazer os requisitos… Mas decidi aceitar. No dia do seu aniversário ainda consegui mostrar-lhe uma ribeira que não conhecia e apresentar-lhe uma técnica nova que muito usamos por ali. Depois de um belo almoço, foi ele mostrar-me uma ribeira onde terminou o dia com uma captura bem acima do quilo. Percebemos então que foi o melhor presente que lhe poderia ter dado… A ele e a mim, apesar de não fazer anos. Então, o agora meu amigo é um apaixonado da pesca do achigã que pesca trutas na ilha por não ter achigãs e não conseguir deixar de pensar na pesca. Terminámos o dia em sua casa a beber umas minis e a conversar. Tem os meus dois livros e pediu-me que os autografasse. Tem uma coleção de livros sobre pesca do achigã que eu duvido que haja outra igual no nosso país. Ofereceu-me mesmo três livros que perseguia há décadas sem êxito…

Nesse dia eu não ganhei apenas um amigo, até ganhei uma família de amigos, mas para mim foi muito mais que isso. Foi um daqueles acontecimentos em que me senti homenageado, mesmo sem que ninguém me tenha dito que o queria fazer…

Por coisas como a singela homenagem da ARCO e do Nuno Mateus, e por outras como esta última, eu agradeço todos os dias…

Bem hajam!

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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