Este artigo é a continuação do artigo de introdução aos sapos de corpo oco.

No último artigo sobre sapos falou-se sobre os 3 principais tipos de sapos de copo oco que existem no mercado, nem como as situações em que a sua utilização será aconselhada.

No artigo de hoje vamos falar sobre o equipamento aconselhado para pescar com estas amostras, bem como as duas principais técnicas para as trabalhar.

Se existem amostras/técnicas que requerem equipamento específico, a pesca com sapos de corpo oco é uma delas. As cravagens têm que ser enérgicas, ou até mesmo violentas, pois regra geral é  necessário cravar 2 grandes anzóis no céu da boca do peixe, daí ser necessário um conjunto cana/carreto/fio que permitam essa cravagem.

Utilizar equipamento que não se adeque a este tipo de amostra irá resultar em imensos peixes perdidos, e em última análise em desistir de pescar com estas amostras.

Aconselho vivamente que utilizem equipamento de casting, mas equipamento de spinning com características semelhantes também funcionará.

Uma boa captura com um sapo, num local de ervas, depois de chegar a casa de um dia de trabalho

Uma boa captura com um sapo, num local de ervas, depois de chegar a casa de um dia de trabalho

A cana

A cana deve ser grande. Aconselho canas com 7,4 pés de comprimento ou superior. Uma cana maior, ajuda a ter mais ângulo no momento de “arrancar” um peixe de dentro da vegetação densa.

O poder da cana deverá ser MH (Medium Heavy) ou H (Heavy), mas a acção da ponteira não deverá ser Extra-fast. Aconselho uma ponteira fast no caso de um MH. No caso de uma cana H, a acção da ponteira poderá mesmo ser M (Moderate). É preciso ter uma cana que consiga aplicar muita força, mas ao mesmo tempo, precisamos que a cana tenha alguma ponteira. A ponteira irá ajudar no momento da cravagem. Se tiver uma ponteira muito rija (Extra-fast), poderá arrancar a amostra de dentro da boca do achigã, antes que o peixe a tenha mordido totalmente.

Eu utilizo uma cana de casting H, com ponteira M de 7,6 pés de comprimento.

 

O carreto

O carreto, preferencialmente de casting, deverá ser o mais rápido que se consiga comprar! No mínimo um carreto com um ratio 7.0:1.

Um carreto rápido ajudará a eliminar o excesso de fio que fica bambo, no momento da cravagem. Após a cravagem, é também uma mais valida para ajudar a retirar rapidamente o peixe de dentro de coberturas densas e de o afastar de locais onde possa ficar preso ou enrolado.

Muitas vezes, quando pescamos em locais com densos tapetes de erva, o carreto mais rápido ajuda a “arrastar” o peixe o mais rápido possível por cima das ervas, até chegar a águas abertas ou até nós.

Eu utilizo um carreto de casting com um ratio 7.0:1.

O fio

O fio a utilizar na pesca com sapos tem que ter pouquíssima ou nenhuma elasticidade, de forma a transmitir o vigor necessário à cravagem. Dito isto, e estando-se a falar de uma amostra de superfície, a opção certa é o fio entrançado.

O fio entrançado, além de não ter elasticidade, ajuda a cortar a vegetação que se pode acumular enquanto tentamos recuperar os peixes. Além disso, flutua, o que se torna uma mais valia, dado estarmos a falar de amostras de superfície.

O monofilamento, apesar de também flutuar, e ser aconselhado para amostras de superfície com fateixas, tem muita elasticidade, pelo que é totalmente desaconselhado. Caso apenas tenham este tipo de fio disponível, terão que tentar compensar, aumentado o poder da cana. Neste caso, sugiro a utilização de uma cana de poder Extra Heavy.

Tipos de recuperação

Em sapos de superfície, como sapos em bicou e popper frogs, pode-se utilizar uma recuperação contínua, sempre a direito, com constantes toques da ponteira da cana. Esta será a recuperação mais utilizada, principalmente quando pescamos em zonas com muita vegetação.

À medida que se vai recuperando fio, podem-se fazer paragens, deixando o sapo totalmente imóvel. Esta técnica irá ajudar a produzir ataques. Explore ao máximo pequenas aberturas existentes em densas coberturas de ervas. Puxe continuamente a amostra por cima das ervas, e páre, durante 2 a 3 segundos, imediatamente antes de ela entrar na abertura. De seguida puxe-o para dentro da abertura e deixe-o parado outros 2 a 3 segundos, até voltar à cadência contínua novamente.

Em águas abertas, utilize uma recuperação do tipo Walk the dog, fazendo o sapo ziguezaguear de um lado para o outro, como se de uma passeante se tratasse. Alguns modelos de sapos são mais fáceis de trabalhar desta forma que outros. Os sapos em bico e os popper frogs são certamente dos mais fáceis. Para facilitar essa acção, podemos cortar uma ponta das saias das patas com a ajuda de uma tesoura. Depois, é mesmo questão de treinar, treinar, treinar. Para esta utilização em concreto, é preferível utilizar uma cana mais pequena, entre os 6,8 e os 7 pés.

A cravagem

Quando um achigã morde o sapo, o seu corpo colapsa, expondo os anzóis

Quando um achigã morde o sapo, o seu corpo colapsa, expondo os anzóis

A forma como executamos a cravagem é extremamente importante na pesca com sapos.

Vou passar a descrever o procedimento que me tem trazido mais sucesso:

1 – NÃO efectuar a cravagem no momento em que vimos o ataque! Deve-se fazer um pequeno compasso de espera. Mais ou menos um segundo é o suficiente. Se o achigã falhar o ataque, continuar com a mesma recuperação que se executava no momento do ataque. Se a recuperação  é contínua, o peixe, na maior parte das vezes, irá seguir a amostra e atacá-la novamente na primeira abertura por onde ela passar.

2 – Enquanto se faz o compasso de espera, recolher toda a linha em excesso, até ficarmos com a cana quase paralela à água, e começarmos a sentir o peso do peixe na ponta da cana (é por isto que precisamos de uma ponteira que não seja extremamente rija).

3 – Efectuar uma cravagem vigorosa, elevando a cana com a ponteira em direcção ao céu. Efectuar o movimento sem elevar a cana na vertical irá resultar em peixes perdidos. O achigã tem que morder o sapo, o seu corpo tem que se espalmar, expondo os anzóis. Só um movimento no sentido vertical garantirá que o bico dos anzóis se crava no céu da boca do peixe.

4 – Recuperar o peixe o mais rápido possível de dentro das coberturas e até nós. Mesmo já em águas abertas, evitem “brincar” com o peixe, pois bastará um salto ou uma sacudidela para se descravar.

5 – Retirar o peixe da água e festejar! Tirar uma foto e devolvê-lo novamente à água.

CONTINUA: Sapos na sub-superfície »

Todos os sapos utilizados nas fotos e nos testes foram gentilmente cedidos pela loja
Pesca & Companhia, a quem deixo o meu agradecimento.

Alberto Nunes

Alberto Nunes é um profissional de Informática viciado em pesca ao achigã. Criou o basspt.com para partilhar as suas ideias e experiências de pesca ao achigã, e para colmatar a falta de informação em Portugal sobre esta temática.

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