Esta é apenas uma técnica mais para usar com spinnerbaits. Trata-se de uma técnica muito pouca usada pelos pescadores nacionais e, por isso, vale a pena tratá-la de forma separada para mostrar as vantagens que pode trazer para os dias que vivemos e os mais frios que se aproximam. Nada de confusões, esta é uma técnica para todo o ano que se usa preferencialmente em zonas com mais de três metros e até aos seis, porém, pode ser usada em zonas baixas se tivermos necessidade disso.

Os spinners

A cor não é o mais importante para o slow rolling

A cor não é o mais importante para o slow rolling

As amostras para esta técnica devem ter lâminas grandes que provoquem vibração, uma vez que a luz penetra mal em profundidade. Uma boa lâmina redonda, conhecida como Colorado, número 6 ou 7 é o ideal, no entanto, hoje usam-se lâminas em folha (willow leaf) para o mesmo efeito. Eu prefiro a Colorado, embora por vezes use uma willow leaf, até mesmo maior que as número 7. A cor é pouco importante para pescar em profundidade, o essencial é a vibração e não a quantidade de luz que a lâmina reflecte. Já viram com certeza os spinners para pescar à noite… O princípio é o mesmo, todavia, se quiser use as cores em que tem mais confiança ou as que imitam a forragem disponível. Para atingir mais depressa a profundidade desejada e para aguentar uma lâmina desse porte, o ideal é escolhermos spinners pesados de 21 ou mesmo de 28 gramas.

Triple Threat - WhoopBass Bustinbass

Triple Threat – WhoopBass Bustinbass

Há uma família de spinners ainda mais desconhecidos dos nossos pescadores que são os twin spinners que têm duas hastes, ou braços, com uma lâmina cada que funcionam paralelamente. Normalmente são pesados e são excelentes para esta técnica. Há pouco tempo vi num site de uma marca recente spinners com três braços com uma lâmina cada, um vertical e dois laterais, o que deve ser muito bom para o slow rolling.

O que procurar

Para começar devemos conhecer bem as zonas onde estamos a pescar. Uma boa sonda pode ajudar, mas o conhecimento cabal de quem já viu a zona sem água é preferível. Outra forma de escolher locais para esta técnica é olharmos para as margens e tentarmos adivinhar, por semelhança, o que está debaixo de água. É essencial que haja um tipo qualquer de cobertura, arbustos, musgo, troncos cortados (como há muitos no Alqueva), pedras soltas, nomeadamente calhaus rolados de alguma dimensão (como as «conheiras» do Castelo do Bode), etc. Normalmente estas são zonas onde os achigãs caçam, como todos sabemos.

Num passeio em volta de uma baragem podem descobrir-se boas zonas para o slow rolling

Num passeio em volta de uma baragem podem descobrir-se boas zonas para o slow rolling

Quando procurar

Como já se disse é uma técnica de todo o ano. Temos de estar atentos às condições presentes para percebermos se os podemos encontrar em zonas como estas ou não. Sempre que haja condições para afastar os achigãs da superfície, é boa ideia procurá-los em zonas destas. Por exemplo, a luminosidade intensa associada à transparência das águas e à falta de vento pode constituir um desses momentos. Pode até haver vento, desde que não seja demasiado. Quando a água está muito quente à superfície ou quando está fria demais também são situações que potenciam esta técnica, haja ou não vento, seja qual for a cor da água, não esqueçamos que a visibilidade não é muito importante para esta técnica que provoca ataques também pela vibração. Não esqueçamos o sexto sentido do achigã e de quase todos os peixes – a linha lateral –, que lhes permite uma espécie de ecolocalização que lhes chega de todos os lados, enquanto a visão está limitada a uma janela que será muito pequena a esta profundidade, especialmente se a água não for completamente transparente.

Escolhido o local poderemos rapidamente ver se os peixes lá estão ou não, já que esta técnica é muito apelativa.

A técnica

Devemos executar lançamentos longos e deixar afundar a amostra até tocar o fundo, o que se detecta pelo afrouxar da linha quando perde a tensão da queda. Depois damos um esticão, para não corrermos o risco de a lâmina estar em má posição, e começamos uma recuperação muito lenta de forma que consigamos sentir: o fundo e as coberturas, isto é, a amostra deve ser recuperada lentamente, apenas para que a lâmina trabalhe e para que mantenha a posição vertical a roçar o fundo com o anzol; deve também sentir-se a vibração da grande lâmina e isto é fundamental, se não conseguir sentir a vibração da lâmina nas suas mãos é porque não está a trabalhar bem. Para facilitar toda esta sensibilidade devemos colocar a ponteira da cana em posição vertical e ir baixando enquanto recuperamos sem permitir que a linha trabalhe directamente no carreto, isto é, deve ter-se sempre ponteira em acção.

Há uma outra forma de executar esta técnica que não tem a ver com o fundo, mas com peixes suspensos por qualquer motivo: sobre as copas de árvores ou quando o termoclina obriga os peixes a manterem-se na zona de conforto. Em qualquer dos casos temos de saber bem a que profundidade procurar os peixes, o que nos pode ser indicado pela sonda, e, mais importante, temos de saber a velocidade de queda do spinner que usamos para percebermos que atingimos a profundidade desejada. Aconselho a que se vá para uma piscina para se aprender a contar durante a queda. Normalmente contamos lentamente: zero um, zero dois, zero três… até tocar no fundo, depois é só fazer as contas. Divide-se o número da contagem pela profundidade e ficamos a saber ao fim de quantos números atingimos um metro, se nos der zero três por metro, teremos de contar até zero nove para atingirmos os três metros. Acho que é fácil, temos é de treinar, como para tudo o que se quer fazer bem.

Em ambas as formas de aplicar esta técnica, o uso de atrelados é benéfico. É fácil de perceber porquê. Se o que se pretende é provocar vibração um grub médio ou mesmo grande pode ajudar nesse trabalho. Um anzol atrelado ajuda sempre, mas, neste caso, eu não o recomendo. Como a recuperação é lenta é difícil que ocorram os chamados ataques curtos.

A técnica de que falamos aplica-se quer pesquemos de barco ou da margem

A técnica de que falamos aplica-se quer pesquemos de barco ou da margem

O ataque e a ferragem

Podem acontecer ataques vorazes que nos cheguem às mãos como se de um ataque de uma amostra de plástico mole empatado à Texas se trate, porém, o mais normal é o ataque subtil que pode resumir-se assim: se durante uma recuperação deixar de sentir a vibração da lâmina, então ferre! Normalmente é peixe. Pensemos um pouco: se uma amostra evolui com um determinado padrão de vibração não há motivo para que ele mude a menos que algo ocorra. Pode ser o roçar numa folha ou num qualquer tipo de cobertura, mas se assim for, depois da deflecção tem de voltar ao normal, se persistir, as mais das vezes são ataques. De resto, se não for não perderá nada, é só recolocar a amostra em contacto com o fundo e continuar a recuperar.

Temos de ter em consideração que estamos a pescar fundo e com uma amostra que pode ou não ter um anti-erva. No caso de ter este dispositivo teremos de ferrar como se de um jig se trate, ou seja com alguma violência; se o anzol estiver exposto bastará um esticão em continuidade com o movimento da recuperação da amostra.

Material aconselhado

As canas de spinnerbait são, normalmente medias-pesadas e de acção rápida. Há quem goste de uma acção regular para estes iscos, mas, por princípio para anzóis simples a acção rápida é a mais indicada. O tamanho da cana pode variar entre 1,95 metros ou mesmo 2,10 depende também das preferências e da altura de cada pescador. Aconselho vivamente o uso de material de casting uma vez que esta técnica exige muito dos carretos, assim como exige linhas mais grossas, digamos um 0,35, pelo menos. Não esquecer que é uma pesca que se trava entre coberturas e isso exige muito da capacidade de resistência, especialmente à abrasão, que uma linha possa proporcionar. Em termos da escolha das linhas, pessoalmente prefiro o monofilamento apenas porque estou mais habituado a eles, porém, os entrançados e os fluorocarbonos podem aumentar a sensibilidade, o que constituirá uma vantagem extra. Há quem considere que a falta de elasticidade é outra vantagem e, nesse aspecto, estes dois últimos batem os monofilamentos, sem dúvida nenhuma. É uma questão de experimentar e de ver ao que se adapta melhor.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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