Já muito se escreveu sobre spinnerbaits, qualquer pescador médio de achigãs sabe o que são e como deve usá-los, mas nos últimos anos muita coisa mudou na indústria que os coloca no mercado. Desde o design até à escolha de novos materiais há inovações que nos permitem outras opções além das mais simples. Peso, reflexo, vibração colocam questões de equilíbrio que é necessário termos em conta quando escolhemos um spinner e, mais ainda, quando o montamos para usar.

A impotrância das lâminas

O Typhoon, desenhado por Toshinari Mamiki, com a maior lâmina em folha do mercado, é uma alternativa aos spinners de lâminas Colorado, com a vantagem de atrair peixes maiores

O Typhoon, desenhado por Toshinari Mamiki, com a maior lâmina em folha do mercado, é uma alternativa aos spinners de lâminas Colorado, com a vantagem de atrair peixes maiores

Se há uns anos atrás podíamos dizer que uma lâmina Colorado é para águas turvas, em função da vibração que emitem, não é menos verdade que a evolução das novas formas de lâminas obriga a termos mais cuidado. Uma lâmina em folha de tamanho grande, quero dizer, mesmo muito grande, pode dar-nos a vibração que necessitamos sem o esforço adicional a que obrigam as Colorado. Não é que uma lâmina Colorado, ou mesmo duas, nos obriguem a grande esforço físico, mas já os nossos carretos são mais sensíveis a essas coisas.

Aliás, as lâminas em folha são, cada vez, as mais usadas pelos pescadores. Uns porque ainda não perceberam como se escolhem, outros porque simplesmente as preferem por não se dedicarem a ritmos de pesca lentos. Os defensores do «power fishing» estão entre esse tipo de pescadores. Kevin VanDam defende que, em águas muito limpas, é quase impossível ao pescador, com os equipamentos disponíveis no mercado, recuperar um spinner tão rápido quanto necessário para enganar os achigãs. Mesmo com os carretos de recuperação 7:1, ou mais rápidas que existem hoje, tal tarefa exigirá sempre alguma afinação nos próprios spinners que têm tendência a subir na coluna de água e romper a superfície quando recuperados muito depressa. A sugestão do KVD, o guru do «power fishing» e do uso dos spinners, é que se usem cabeças pesadas e lâminas em folha de tamanho reduzido. Assim, o peso extra conseguirá contrariar a tendência elevatória provocada pela força da água nas revoluções das lâminas. O «low profile» de um spinner deste tipo deve ser usado especialmente em técnicas de lançamentos curtos e rápidos tão característicos do «power fishing».

Alterações – ajuda ou atraso?

Um especialista de spinnerbaits, tem sempre um bom alicate e material suficiente para mudar saias e lâminas consoante as necessidades. Quando se conhecem as condições à partida, ou mesmo desconhecendo de todo, prefiro ter uma variedade de spinners que me permita cobrir um vasto leque de técnicas. Porém, não me considero especialista nem gosto de especialidades concretas no que se refere à pesca do achigã. Se fosse possível sermos especialistas em todas as técnicas, muito bem, de resto parece-me muito mais importante a versatilidade e a capacidade de estar à altura da situação seja ela qual for.

Será sempre melhor colocarmos o spinnerbait mais próximo das condições que encontramos do que não o usarmos por não possuirmos o mais adequado.

Na minha caixa de spinners tenho mais amostras com lâminas em folha e saias de cores claras do que de todos os outros tipos. Na realidade em que pescamos, e na generalidade dos casos, temos águas muito transparentes e isso é patente nas minhas escolhas.

Tenho sempre saias para mudar e até algumas lâminas, mas muito raramente o faço numa jornada de pesca. Essas afinações devem ser feitas em casa, é o trabalho de casa de qualquer pescador que leve as coisas mais a sério. Os dias de pesca são pequenos para essas coisas, especialmente para quem faz competição. Uma das coisas que se pode fazer sempre é abrir um pouco o anglo do braço para se poder recuperar mais devagar, e fechar para a acção contrária. Nunca nos devemos esquecer que para que o conjunto a que chamamos spinner trabalhar correctamente o anzol tem de alinhar com o braço na vertical, de outro modo pode virar-se de lado durante a recuperação ou mesmo entrar em rotação, o que é de todo indesejável.

Usar ou não…

Há muitos factores a considerar quando decidimos usar spinners e de que tipo. Um chavão antigo, e cada vez mais ultrapassado, dava-nos conta de que se devem usar spinners apenas quando está vento. Um profissional americano meu amigo, Joe Jones, disse-me que não gosta de usar spinners em dias de céu limpo e, outro, Kevin Wirth, afirmou que, para optar por um spinner, tem de haver «algo», cobertura, vento ou nuvens… Pois eu, cada vez mais, uso estas amostras como forma de procurar peixes independentemente das condições que encontro, não são a minha primeira opção, que são os crankbaits, mas são a segunda. Se o crankbait que escolho não me fornece as indicações que procuro para a localização e captura de achigãs, passo de imediato a um spinner e as surpresas têm sido muitas. Aprendi, recentemente, que os spinners são ainda mais versáteis do que eu já os imaginava. Tenho ainda percebido que há muito para fazer no domínio do design deste tipo de iscos. Mas o que mais me impressiona é que vejo muita margem para evolução.

As lâminas de cores vivas não se destinam apenas aos dias de céu nublado ou em águas menos limpas

As lâminas de cores vivas não se destinam apenas aos dias de céu nublado ou em águas menos limpas

Há alguns anos atrás se eu visse uma zona de água mais turva era capaz de usar um spinner de lâminas pintadas de chartreuse, laranja ou mesmo branco e de preferência na sua forma mais arredondada, chamada Colorado. Hoje, usaria uma lâmina dourada em folha e de tamanho grande. A diferença pode não parecer muito significativa, mas o lote que se captura tem tendência a ser maior. Uma lâmina longa imita uma presa de bom porte, enquanto que uma lâmina mais redonda não transmitirá essa sensação, mesmo no que respeita à vibração. Parece-me mais fácil que um peixe emboscado em qualquer tipo de cobertura seja atraído pela vibração de uma lâmina maior.

Numa recente tarde de pesca pude constatar isso mesmo. A mudança de um spinner de lâminas redondas para um com uma grande lâmina em folha deu início a uma série de capturas de lote superior.

 

Contraponto

Por outro lado, há muitos anos que uso cores bem vivas em águas transparentes. Os padrões firetiger conseguem capturas em águas transparentes, a questão é que essas cores são naturais, ao contrário do que muitos defendem. Um padrão entre o chartreuse e o laranja imita uma perca-sol na «imperfeição» (permitam-me o uso do termo), uma vez que, a visão de um peixe a passar, ou a fugir, conseguida por um achigã emboscado ou em perseguição, tem de ser suficientemente imperfeita para o levar ao ataque de um conjunto de peso, arames, lâminas e fios de silicone ou de borracha.

Estas aparentes contradições servem apenas de contraponto às regras mais rígidas que aprendemos sobre o uso destas maravilhosas e versáteis amostras. Não vamos pensar que o que os mais antigos estudos sobre spinners nos dizem está errado, a questão é que nunca podemos baixar os braços com a desculpa de estar tudo dito. Não está. Nunca estará. Hoje ou amanhã vamos descobrir que fugir às regras gerais é uma forma de estar de quem não se satisfaz com o «dito» que, muitas vezes, pode fazer evoluir a nossa forma de ver as coisas na pesca. Está tudo numa questão de equilíbrio entre os elementos naturais e os artificialismos que usamos para os enfrentar.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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