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Talvez sejam as amostras do momento, mas a variedade é tanta que se impõe um esforço de classificação. Como não podia deixar de ser, num artigo sobre materiais de pesca, também entramos em algumas das técnicas mais utilizadas. Os swimbaits, acima de tudo, imitam peixes, o melhor possível, ou seja, o realismo é a sua característica distintiva, por isso mesmo, são excelentes na captura de peixes grandes.

Um pouco de história

Foi por meados dos anos 90 do século passado que eu vi pela primeira vez um swimbait. Tratava-se de uma Castaic Trout, uma imitação perfeita de uma truta arco-íris do tamanho das que se usam nos repovoamentos. Ao admirar semelhante imitação apercebi-me de duas coisas: tinha um padrão de cores realista e um movimento na água semelhante ao de uma truta verdadeira. Com as horas que tenho de observação de trutas arco-íris, das minhas pescarias na Madeira, tive a percepção de que, se não soubesse que era uma imitação, facilmente me enganaria. O Lago Castaic, localizado na Califórnia, é um daqueles produtores de grandes exemplares de achigã e foi nesse lado dos EUA, na costa Oeste, que surgiu a necessidade de enganar floridans que comiam, muito frequentemente, as trutas que eram colocadas nesses lagos para serem capturadas pelos pescadores desportivos.

Os velhos achigãs são mais fáceis de enganar com apresentações próximas das naturais

Os velhos achigãs são mais fáceis de enganar com apresentações próximas das naturais

Os designers de amostras japoneses pegaram neste conceito e adaptaram-no ao plástico rijo e à madeira, conseguindo também o realismo desejado à custa de outras tecnologias, como as articulações e os apêndices de materiais diversos.

Características

O Highsider Jr, da Deps, imita bem as cores e a natação dos peixes presa

O Highsider Jr, da Deps, imita bem as cores e a natação dos peixes presa

O realismo é o denominador comum desta recente e vasta família de amostras. Realismo nos padrões e/ou na forma como nadam, é, aliás, esta característica que lhe dá o nome: «swimbait» significa «isco que nada». O padrão de cores não é o mais importante, embora se note bem, na maioria dos fabricantes, a necessidade de ilustrar estas amostras de forma muito próxima do natural. O tamanho, ao contrário do que muitos pensam, não é um factor determinante. Os chamados bigbaits são quase todos swimbaits, mas o contrário não acontece. Basta lembrar-mo-nos dos de plástico mole de cinco centímetros, como os Basstrix e os Money Minnow, entre muitos outros, que são de facto swimbaits embora sejam pequenos. O tamanho não é um factor determinante embora haja uma propensão para as grandes dimensões.

Nos materiais rijos, as articulações são um factor determinante. Na ausência da flexibilidade do plástico mole, para se imitar um movimento natatório tem de se recorrer às articulações.

Tipos

A Zilva 160, da FLT, usa uma cauda flexível que provoca vibrações próximas das da caudal de um peixe presa

A Zilva 160, da FLT, usa uma cauda flexível que provoca vibrações próximas das da caudal de um peixe presa

As tipologias são sempre difíceis, há sempre alguns iscos mistos, mas há essencialmente três tipos de swimbaits: nos de plástico mole, há os compactos e os tubulares e, depois, há os de plástico rijo ou de madeira, que podem ter apêndices em metal ou em plástico mole.

Os que acima referimos fazem parte dos tubulares porque o seu corpo é oco o que nos permite explorar melhor as profundidades que bem entendermos na coluna de água, já que basta aumentarmos o peso para podermos trabalhá-los mais fundo. Sem peso podem ser usados muito próximo da superfície. O peso pode estar no anzol ou ser inserido dentro da câmara interna.

Os de plástico mole compactos, como a Castaic Trout, o Swim Senko, o Javalon (mole) ou o Shudderbait que podem trazer já os anzóis ou não e estão mais aptos para serem usados no fundo ou a meia água.

Já os articulados, de madeira ou de plástico rijo, destinam-se às zonas mais próximas da superfície. Estes são os que melhor conhecemos e os que mais temos no nosso mercado actualmente. Nomes como Mickey, Silent Killer, Highsider, Garison, Zilva, Cobaro, Snap Kick, Javalon (rijo), Flat Bone Clicker, Zenner, ou os BassMass Pencil e Minnow, entre muitos, muitos outros, são os mais comuns nas nossas lojas e os que mais se usam. Daí que muitas vezes se confunda o conceito de bigbait com o de swimbait.

Técnicas

Segundo alguns dos melhores especialistas estes iscos são para usar lentamente. Porém, a variedade é tanta e a imaginação tão fértil que me parece redutor usarmos apenas uma recuperação lenta, tipo slow rolling com estes iscos. A meu ver, as técnicas têm de ser escolhidas de acordo com as condições que encontrarmos quando escolhemos um pesqueiro.

Por vezes um swimbait numa cor diferente pode ter melhores resultados, como este USM na cor Pink Candy Crush

Por vezes um swimbait numa cor diferente pode ter melhores resultados, como este USM na cor Pink Candy Crush

No caso dos bigbaits, o maior problema consiste em escolhermos uma cana que nos aguente o peso da amostra, quer para a lançar quer para a trabalhar. É necessária uma cana grande, muito perto dos dois metros e quarenta, com uma acção pesada e uma ponteira de recuperação lenta.

Para as tubulares, podemos usar uma cana até dois metros e dez, de acção pesada ou média pesada, consoante o peso da amostra, e uma ponteira rápida para ajudar na ferragem, já que os anzóis são usados à Texas.

Com os bigbaits rijos pode-se fazer o mesmo que com um vulgar crankbait, com as devidas distâncias, claro, mas lança-se e recupera-se mais depressa ou mais devagar, com ou sem paragens ou esticões… Já com os swimbaits de plástico mole a versatilidade é muito superior, porquanto se entra nos domínios do que se pode fazer com um jerkbait mole, uma amostra de fundo, um crankbait ou um spinnerbait.

Uma das técnicas mais populares, e que mais peixe tem capturado nos EUA é o chamado «subir a encosta» («up hill retrieve»), que consiste em pescar lançando para longe da margem obrigando a amostra a subir até aos pés de quem pesca da margem ou de quem coloca o barco na zona baixa, lançando ao contrário do costume de quem pesca embarcado. Esta técnica é particularmente interessante para a época em que estamos, especialmente nos bicos principais das massas de água que frequentamos.

Aqui fica um vídeo com um pouco de acção com os swimbaits USM, da b8lab na cor Pink Candy Crush:

Não deixe de experimentar as várias formas de swimbaits e prepare-se para grandes emoções, porque são amostras que capturam peixes grandes.

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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