Lagostins Vilecraw da Biospawn - disponíveis através da www.onefishplus.com

Charcas, Lagoas, lagos, açudes são alguns dos nomes que damos ás pequenas massas de água onde pescamos, ou em alguns casos, onde gostaríamos de poder pescar…

Na realidade todos nós sabemos o potencial escondido em alguns destes pequenos charcos privados, onde muito poucos pescam e que estão frequentemente cobertos de coberturas de sonho para qualquer pescador de achigã.

Por outro lado, quando por vezes temos a oportunidade de pescar em alguns deles ficamos decepcionados pela falta de qualidade nas capturas e ficamos com a noção de que algo está errado ali. É ai que geralmente apontamos o dedo ao proprietário por permitir a pesca com morte ou por ele próprio não praticar o C&R.

Mas a realidade pode estar muito longe disto e são muitos os factores de condicionam a qualidade e quantidade de achigãs numa massa de água! Factores como a quantidade de alimento disponível, o tipo de coberturas, o número de zonas propícias à desova, etc.

As atabúas proporcionam óptimos esconderijos para achigãs de todos os tamanhos

As atabúas proporcionam óptimos esconderijos para achigãs de todos os tamanhos

É precisamente sobre alguns destes factores que vamos tratar ao longo deste artigo. Vamos aprender a “fazer recordes” desde o inicio!

Primeiro passo! HABITAT

Assim que temos nas nossas mãos a gestão de uma massa de água o primeiro passo que devemos ter em consideração é a criação de habitat! O ideal para criarmos o nosso troféu seria sermos nós a ter o poder de decisão no momento da construção da barragem. Isso iria possibilitar uma movimentação de terras de forma programada de forma a criar estruturas diversas como flats, drops, bicos, etc…

Infelizmente não é este o cenário mais realista e o mais provável é termos a barragem já construída e assim sendo o que podemos fazer é tentar associar coberturas como algas, nenúfares ou arvores às estruturas já existentes. Arrastar árvores ou arbustos para um bico, colocar algas nas redondezas de um flat são passos importantes para a gestão da massa de água. Este tipo de coberturas irá proporcionar locais de caça aos grandes exemplares e abrigos aos alevins, bem como disponibilizar uma enorme variedade de alimento como rãs, grandes insectos e lagostins.

As algas oferecem sombra e Oxigéneo

As algas oferecem sombra e Oxigéneo

As algas proporcionam ainda sombras e elevados níveis de oxigénio na água o que as torna em óptimas zonas não só de caça como de conforto nos meses mais quentes!

Segundo passo! COMIDA

Como seria de esperar, para termos achigãs grandes temos de disponibilizar grandes quantidades de alimento e mais uma vez o ideal seria começar por uma barragem “virgem” (sem achigãs). Isso deixava-nos à vontade para introduzir as espécies que nos interessam sem o problema dos achigãs já residentes comerem tudo o que introduzimos antes que estes se reproduzam.

As espécies ideais seriam o lagostim, gambuzias e alburnos na impossibilidade de conseguirmos introduzir bogas. Estas têm um nível de gordura muito superior aos alburnos e são menos agressivas para os ninhos e pequenos alevins.

Uma vez que a barragem já possua achigãs, as espécies que trazem melhores capacidades de sobrevivência são as percas-sol e os chanchitos. Embora não sejam o alimento ideal, dados os espinhos dorsais, são presas habituais dos achigãs e com certeza que iram rapidamente transformar-se no seu alimento predilecto!

Terceiro passo! GENÉTICA

A partir daqui começam as coisas a complicar-se. Na realidade, tal como nos humanos, o tamanho dos progenitores está estreitamente relacionado com o tamanho das crias. Trocando por miúdos, se os meus pais tiverem ambos menos de 1.6mt dificilmente, e repito dificilmente eu chegarei aos 2mt de altura. Portanto se tivermos achigãs com uma má genética será mais difícil conseguirmos exemplares acima dos 3kg, o que diga-se, seria já um óptimo resultado!

Assim sendo, como seleccionamos os peixes com que vamos repovoar a charca?

Ora, se peixes grandes têm um maior potencial de vir a ter descendentes grandes, o ideal seria introduzir apenas peixes grandes!  Pois bem, não é assim tão fácil! Os machos raramente ultrapassam 1,5kg de peso por isso se repovoarmos apenas com peixes grandes corremos o risco de introduzir apenas fêmeas na barragem.

Assim sendo o ideal é tentar trazer peixes de um local “conhecido” por ter grandes exemplares, assim garantimos o bom potencial genético e ao mesmo tempo podemos trazer peixes mais pequenos de forma completamente aleatória. Além disso, quanto mais pequenos mais fáceis de transportar!

Sequencia de árvores arrastadas até ao nivel da barragem

Sequência de árvores arrastadas até ao nível da barragem

Quarto passo! Tempo

Sim, tempo! Somente o passar dos anos nos trará peixes grandes. Em média um achigã demora 5 anos a atingir os 2kg no nosso país por isso não podemos contar com peixes gigantes passado um ano.

Também não é positivo, sobretudo em barragens muito pequenas (menos de um hectare), pescar excessivamente durante este processo de crescimento. Embora se pratique pesca sem morte as capturas induzem stress nos peixes e isso pode leva-los a passar algum tempo inactivos. Ora, se não comem não crescem, é simples!

Após 3 anos já existem exelentes exemplares nesta pequena lagoa

Após 3 anos já existem exelentes exemplares nesta pequena lagoa

Concluindo….

Nós temos em Portugal as melhores condições da Europa para criar troféus!

É verdade que “perdemos” os floridanus mas o potencial nos northen é ainda assim muitíssimo interessante. Podemos criar de forma sustentável massas de agua com peixes acima dos 4kg e eventualmente achigãs de 5kg!!!  E 5kg é um achigã de respeito em qualquer parte do mundo, sejam floridanus ou nortehns.

Evidentemente um projecto desta magnitude teria um enorme potencial turístico/económico e certamente colocaria Portugal no mapa dos pescadores de achigãs de, pelo menos toda a Europa.

É um desafio que deixo a qualquer um de vós que possua massas de água…. Dinamizem as vossas charcas e lagoas e façam delas uma “galinha dos ovos de ouro”.

Façam o vosso recorde!

Naturpesca

José Pedro Torres

Pescou os primeiros peixes quando tinha apenas 4 anos, acompanhando sempre o pai com muito entusiasmo. Actualmente contribui no desenvolvimento de equipamentos de pesca para uma marca nacional e colabora nas duas únicas publicações nacionais ligadas a esta actividade, a revista “Mundo da Pesca” e o “Jornal da Pesca”.

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