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Muitos começaram por usá-los por parecerem muito fáceis trabalhar: lança-se, recupera-se e… já está! É uma maravilha! E apanha peixe no caminho! Fantástico! Mas há muito para saber sobre crankbaits, ao contrário do que muitos pensam e muito mais para fazer com eles do que simplesmente lançar e recuperar.

O melhor de si mesmos

Quando o Outono se instala e as águas começam a arrefecer, a dinâmica de uma massa de água muda muito, tal como a dinâmica da própria atmosfera. Os peixes, para se adaptarem às novas condições, deslocam-se mais e toda a cadeia alimentar arrasta os predadores atrás de si. Então, os locais seguros de Verão deixam de o ser e localizar os achigãs pode tornar-se um problema. A resposta da grande maioria dos pescadores a esta equação consiste em palmilhar grandes áreas com amostras que o permitam. Já vimos que os spinners podem ser uma das ajudas e, os crankbaits, são, de certeza, outra… E que ajuda! Não que sejam armas só para esta altura do ano, mas aqui estão no seu melhor. Porém, temos de saber o que queremos de um crankbait para escolhermos quando precisamos deles.

Achigã com crankbait

O tamanho da pala?

Quanto maior for a pala de um crankbait mais afundará. Esta é a primeira coisa que temos de saber a seu respeito. Se quisermos pescar águas profundas, abaixo dos três metros, temos de escolher os chamados «deep divers» ou «deep runners», que podem chegar aos seis metros. Não nos devemos preocupar com o tamanho do corpo, mas sim com o da pala. Se uma pala é maior que o corpo do crank trata-se de um desses pescadores das profundezas.

Para águas intermédias, entre o metro e meio e os dois metros usam-se os «medium runners» que têm uma pala mais curta e, a mais pequena de toda,s é a dos de águas baixas, os «shallow runners».

Os cranks shallow runner possuem uma pala angular curta, neste caso com cantos cortados

Os cranks shallow runner possuem uma pala angular curta, neste caso com cantos cortados

A opção por um destes tipos dependerá sempre da profundidade a que procuramos os peixes ou das zonas em que pescamos e, eventualmente, destas duas variáveis, uma vez que são interdependentes. Quero dizer, se procuramos os peixes numa zona com dois metros de profundidade é porque acreditamos que aí estejam, então não vamos colocar um «deep runner» mas sim um próprio para essa profundidade.

É importante provocar o choque do nosso isco com as coberturas e estruturas que se encontrem no seu caminho, veremos mais adiante porquê.

A partir dos medium runner, a pala da amostra tende a ser "em linha" com a amostra

A partir dos medium runner, a pala da amostra tende a ser “em linha” com a amostra

A inclinação e som

A inclinação tem alguma importância nesta dinâmica, mas não é tão importante para a profundidade que atinge. O efeito da inclinação tem a ver com a vibração do corpo, com a sua acção em termos de movimento rápido e horizontal, digamos, a forma como se abana. Quanto maior a inclinação mais acção deste tipo terá e mais resistência oferecerá à recuperação. Já que vibração emite som de baixa frequência, podemos falar aqui da importância de termos som ou não. Se se trata de um corpo provido de esferas que produzam som, quanto mais vibrar mais som emitirá. Por outro lado, os que não possuírem estes dispositivos sempre serão sentidos pela linha lateral dos peixes. O que preferir? É verdade que sempre olhámos o som como um aliado nosso quando temos de indicar a presença de uma amostra aos peixes, e águas turvas ou e períodos de menor luminosidade, o som será sempre um aliado, porém, nos últimos anos, com a habituação que os peixes adquiriram, muitas marcar lançaram no mercado amostras sem som em que apenas a vibração funcionará. É pois muito bom que essas amostras tenham palas inclinadas de forma a emitirem mais vibração.

A forma da pala

Para além de uma panóplia de variantes que interessam pouco referir, há dois tipos básicos de palas: as redondas e as angulares. As redondas são as que mais se usam e servem para quase todo o serviço. Já as que têm formas rectangulares, triangulares ou variantes destas formas são mais apropriadas para zonas de coberturas mais fechadas, especialmente madeira e pedras. O seu contacto com este tipo de obstáculos obriga-os a movimentos que evitam os enganches e que despertam a atenção de predadores à espera de um peixe meio tonto a coçar-se nas pedras e nos paus. Na verdade trabalham muito bem mesmo em águas abertas, de tal forma que há fabricantes que nem usam outras, uma vez que, ao permitirem uma fuga aos enganches frequentes, ganham ainda formas de deslocação mais erráticas e diferentes das de palas arredondadas. Os pormenores não são irrelevantes, por exemplo, se os anglos dianteiros forem cortados, a amostra agitar-se-á menos, que fará com que passe melhor por coberturas verticais, por exemplo.

Deep runner com pala arredondada

Deep runner com pala arredondada

Relação de peso

Os chamados «rattles» (chocalhos), isto é, as pequenas esferas de diferentes materiais que se colocam dentro do corpo deste tipo de amostras, têm variadíssimas funções além de produzirem som. A distribuição do peso é hoje um dos assuntos mais estudados pelos fabricantes, havendo mesmo que use essas esferas apenas para usar o seu peso e não para obter efeitos sonoros.

Um dos aspectos mais importantes da dinâmica desses pesos interiores é a forma como afectam a capacidade de lançamento. Um peso que se desloque para a parte posterior da amostra durante o lançamento ajuda a aumentar a distância, podendo ter ou não efeitos sonoros.

Mas o peso em si, também é importante no trabalho destas amostras. Os cranks que ficam suspensos quando executamos uma paragem, ou seja, que não sobe de imediato, podem ficar muito mais tempo na posição em que o queremos, sempre na esperança de que seja a melhor zona para atrair os achigãs. Há marcas que usam esses pesos por fora e outras que os usam no interior, aproveitando ou não o efeito sonoro ao mesmo tempo.

Material adequado

Pessoalmente prefiro o material de casting. As canas de 2,10 metros de acção média ou média leve serão as melhores. Há quem prefira as de fibra de vidro, eu já tive essa predilecção e muitos são os profissionais que se mantém fiéis a esse tipo de canas de acção total. Hoje, porém, acho que a grafite tomou conta e que a sensibilidade e leveza que acrescenta a este tipo de material traz mais benefícios que a acção total das canas. A sensibilidade é importante em muitas das técnicas que executamos com crankbaits que vão muito além do puro corrico. Algumas misturas entre os dois materiais estão disponíveis no mercado e podem ajudar os indecisos ou aqueles que depois de as testarem as considerarem boas. A evolução das técnicas de pesca com estes iscos leva-me a necessitar de toda a sensibilidade que uma cana me possa fornecer, então opto sem dúvidas pelas canas totalmente em grafite.

Quanto a carretos, cada vez mais especializados também, não vale a pena perdermos tempo com material barato. O barato sai caro, como todos sabemos. No entanto, não vale a pena especializarmos tanto a nossa escolha ao ponto de usarmos carretos de recuperação muito lenta, por muitos que sejam os seus ilustres defensores. Um carreto na mão de um pescador executará de acordo com a cabeça do pescador e não de acordo com a velocidade que lhe é imposta por um fabricante. Há quem defenda o uso de carretos com recuperações muito lentas para evitar que se recupere demasiado depressa um crankbait. A minha pergunta a esses ilustres especialistas que os desenvolvem para as marcas que os fabricam e os vendem é sempre em duas partes: 1 – ser-me-á impossível regular a minha velocidade de recuperação mesmo usando um carreto rápido? 2 – Como faço para dominar um peixe que vem na minha direcção com um carreto muito lento? E, se querem saber, nunca consegui respostas que mudassem a minha opção pelos carretos rápidos, isto é, em que uma volta da manivela produza seis ou mais voltas da bobina.

As linhas são importantes porque quanto mais finas forem mais profundidade permitem atingir. Tirando esse factor, que nem sempre é o mais importante, eu escolho linhas de baixa abrasão e com alguma elasticidade, por isso excluo os entrançados e os fluorocarbonos. Sempre uso o mais grosso que posso, uma vez que se trata de uma amostra que sofre ataques violentos que acontecem em movimento.

Achigã capturado com crankbait shallow runner

Daqui para a frente

Pois… de ora avante pare para olhar bem o crank que compra e equacione as suas utilizações. Lançar e puxar é uma opção, mas obrigar a amostra a bater em algo para deflectir e mesmo executar paragens durante a recuperação pode funcionar a seu favor. Mesmo lançar e recuperar tem que se lhe diga. É muito importante adaptarmos a velocidade à maneira como os achigãs a preferem. Uns dias será lento, outros dias, médio, em alguns casos, rápido e, noutros mais raros, será mesmo ao máximo da velocidade, como se diz na gíria da pesca – a queimar.

 

Afinar um crank

Estes iscos, tal como os outros de pala, podem vir desafinados de fábrica ou desafinarem-se com o uso. O que acontece é que se vão deslocar para um dos lados na recuperação. Com um alicate devemos deslocar o elo de sujeição para o lado contrário ao da deslocação da amostra. Há ferramentas próprias para o fazer, mas um alicate de pontas serve perfeitamente. Já agora, pode tirar vantagem de uma «desafinação» propositada se quiser fazer passar o isco por baixo da copa de uma árvore, ou de uma doca, ou então para provocar contacto com paredes verticais.

Mais artigos sobre crankbaits:

– Cranks de pala metálica

– Cranks sem pala – para muitos usos diferentes

Acção dos crankbaits – como identificar e quando utilizar

Herminio Rodrigues

Hermínio Rodrigues é um pescador que se tem dedicado muito à formação de pescadores de várias formas: através dos dois livros que publicou e de muitos artigos que publicou e que publica ainda sempre que pode. Faz ainda palestras, demonstrações e ações de formação para pescadores e visita escolas que o convidam para introduzir os mais novos na pesca desportiva, especialmente de achigã.

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